quinta-feira, 7 de abril de 2016

Amante da fantasia - Cap. 60


O irmão assentiu.


- Eu sei. Gostaria apenas de nunca ter feito o que você me pediu. Sinto muito por isso. Acredite ou não, mamãe e eu sentimos muito.


Com as emoções conturbadas, Arthur não conseguiu dizer mais nada, abatido pela desolação.


O rosto de Penélope surgiu em sua mente, fazendo-o estremecer. Uma coisa era seus familiares o terem punido, mas outra, bem diferente, era terem ido atrás dos inocentes. Nunca deveriam ter feito isso.


Cupido colocou uma pequena caixa na mesa, à sua frente.


- Se você tiver alguma esperança de conseguir a liberdade, vai precisar disto aqui.


- Devo tomar cuidado com os presentes dos deuses. - Arthur falou com amargura ao abrir a caixa e encontrar dois pares de grandes algemas prateadas e um conjunto de chaves sobre um fundo de cetim azul-escuro. - Hefesto?


Cupido assentiu.


- Nem mesmo Zeus pode abri-las. Quando você sentir que está perdendo o controle, eu o aconselharia a prender-se a algo sólido e - olhou para Lua -, mantê-la à distância.


Arthur inspirou fundo.


Teria rido da ironia, mas não tinha forças para tanto. De uma forma ou de outra, durante suas encarnações, ele sempre parecia encontrar-se algemado a algo.


- É desumano. - Lua sussurrou.


Cupido lançou-lhe um olhar agressivo.


- Querida, acredite em mim, se você não acorrentá-lo, vai se arrepender.


- Quanto tempo eu tenho? - Arthur indagou.


O irmão encolheu os ombros.


- Não sei. Depende muito de quanto autocontrole você tem. - Cupido bufou. - No entanto, como se trata de você, talvez consiga passar por isso sem usá-las.


Arthur fechou a caixa.


Ele era forte, mas não era tão otimista quanto Eros. Seu otimismo tinha sido vítima de uma morte longa e dolorosa, muito tempo atrás.


Eros deu um tapinha em suas costas.


- Boa sorte.


Arthur manteve-se em silêncio enquanto Eros ia embora. Fitou a caixa, analisando as palavras do irmão.


Se ele aprendera algo ao longo dos séculos, era que as Parcas conseguiam o que queriam. Era estupidez até mesmo pensar que tinha uma chance de libertar-se.


Aquela era sua sina, e ele a aceitaria. Era um escravo, e assim permaneceria.


- Arthur? - Lua chamou-o. - O que foi?


- Não podemos fazer isso. Apenas me leve para casa, Lua, e deixe que eu faça amor com você. Vamos acabar com isso antes que alguém, provavelmente você, saia machucada.


- Mas esta é a sua chance de conseguir a liberdade. Pode muito bem ser sua única oportunidade. Você alguma vez já foi evocado por uma mulher que tivesse Blanco no nome?


- Não.


- Então precisamos fazer isso.


- Você não entende. - ele afirmou por entre os dentes cerrados. - Se o que Eros disse é verdade, quando a última noite chegar, eu não serei mais eu mesmo.


- Quem você será?


- Um monstro.



Continua...

Um comentário:

Prometida a um Vampiro - Cap.71