– Ah, não creio que ela vá gostar de uma sela – disse ele. –
Pelo menos não por enquanto. Primeiro vou acostumá-la a carregar só o meu peso.
Balancei a cabeça. – Ela vai matar você. Arthur me lançou um olhar conspirador.
– Você, mais do que
ninguém, deveria saber que isso é improvável. Os animais não são capazes de
usar ferramentas.
Sem hesitação, ele ficou ao lado da égua e saltou em seu
lombo com a mesma facilidade demonstrada ao fazer arremessos na quadra de
basquete. A égua relinchou e girou imediatamente, mas Arthur provou que não era
só garganta. Em segundos ela estava dominada e os dois – homem louco e animal
louco – foram para o centro da arena num passo rápido porém controlado, Arthur
guiando com os joelhos e o cabresto.
A intervalos de
alguns passos a égua refugava ou virava para morder as pernas dele. Mas os dois
mantinham uma parceria firme, ainda que tensa.
– Em pouco tempo estaremos saltando – gritou Arthur,
sorrindo.
Ele estava conseguindo. Montava a égua de aparência mais
maligna que eu já tinha visto. Meu alívio durou pouco. Percebi exatamente o que
sua sobrevivência significava para mim. Quando chegasse a hora do concurso, eu
competiria com Faith Crosse e um astro romeno que montava uma égua demoníaca.
Arthur instigou a montaria a trotar. Depois, a andar a meio
galope. Era uma mistura de dança com briga de bar.
– Impressionante. – Faith olhava os dois, admirada. – Arthur
deve ter, tipo, uma espécie de magia. Achei mesmo que ela fosse matá-lo.
– É só uma questão de tempo – respondi, baixinho.
Continua...

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