sexta-feira, 22 de abril de 2016

Amante da fantasia - Cap. 70


Abrindo os olhos, Arthur ensinou-lhe a usar a colher como apoio para que os fios se enrolassem no garfo.


- Vê? - ele sussurrou, levando o talher aos lábios dela. - É simples.


Lua abriu a boca e Arthur colocou delicadamente o espaguete em sua língua. Ao deslizar lentamente o garfo para fora, ele sentiu como se estivesse esticado em um instrumento de tortura.


Seu coração batia em um ritmo violento e frenético, enquanto o bom-senso lhe dizia para afastar-se de Lua. Mas ele não conseguiu.


Estivera por tanto tempo sem uma companhia. Tanto tempo sem uma amiga... Não podia afastar-se agora. Não sabia como.


Portanto, continuou alimentando-a. Lua inclinou-se para trás, acomodando-se no abrigo dos braços fortes. Soltou as mãos das dele e deixou-o assumir o controle.


Ao engolir a porção seguinte, pegou um pedaço de pão e levou-o à boca de Arthur, que mordiscou seus dedos. Sorrindo, ela o afagou no rosto enquanto ele mastigava.


Admirou a forma como a mandíbula dele se flexionava sob sua mão. Adorava o jeito como o corpo dele se movia, como ondulava com todas as atividades, fossem pequenas ou grandes.


Uma mulher nunca se cansaria de contemplar aquele homem.


Enquanto ela tomava um gole de vinho, Arthur roubou um pouco de seu espaguete.


- Ei - ela o provocou -, isso é meu.


Os celestiais olhos verdes brilharam quando ele sorriu, antes de dar-lhe mais um pouco de macarrão. Mastigando, Lua levou aos lábios dele um pouco de seu vinho.


Infelizmente, ela calculou mal e tirou a taça cedo demais, derramando um pouco no queixo dele e na camisa.


- Desculpe! - Apressou-se em enxugar-lhe o queixo com os dedos, e as costeletas roçaram sua pele. - Céus, eu sou péssima nisso!


Arthur não pareceu se importar. Pegando a mão dela, sugou o vinho das pontas de seus dedos. Lua gemeu.


Fagulhas de prazer espalharam-se por seu corpo ao senti-lo deslizar a língua por seus dedos e mordiscá-los de leve. Um por um, ele os limpou lentamente. E, ao terminar, capturou seus lábios.


Não foi um beijo ardente, como aqueles aos quais estava acostumada e que ele usava para seduzi-la e devorá-la. Esse tinha um toque gentil e comedido. Os lábios eram leves e exploratórios.


Ele se afastou.


- Ainda está com fome? - ele indagou.


- Sim. - ela sussurrou em resposta, não se referindo exatamente à comida, mas à necessidade que sentia dele.



Continua...

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