Abrindo os olhos, Arthur ensinou-lhe a usar a colher como apoio para que
os fios se enrolassem no garfo.
- Vê? - ele sussurrou, levando o talher aos lábios dela. - É simples.
Lua abriu a boca e Arthur colocou delicadamente o espaguete em sua
língua. Ao deslizar lentamente o garfo para fora, ele sentiu como se estivesse
esticado em um instrumento de tortura.
Seu coração batia em um ritmo violento e frenético, enquanto o bom-senso
lhe dizia para afastar-se de Lua. Mas ele não conseguiu.
Estivera por tanto tempo sem uma companhia. Tanto tempo sem uma amiga...
Não podia afastar-se agora. Não sabia como.
Portanto, continuou alimentando-a. Lua inclinou-se para trás,
acomodando-se no abrigo dos braços fortes. Soltou as mãos das dele e deixou-o
assumir o controle.
Ao engolir a porção seguinte, pegou um pedaço de pão e levou-o à boca de
Arthur, que mordiscou seus dedos. Sorrindo, ela o afagou no rosto enquanto ele
mastigava.
Admirou a forma como a mandíbula dele se flexionava sob sua mão. Adorava
o jeito como o corpo dele se movia, como ondulava com todas as atividades,
fossem pequenas ou grandes.
Uma mulher nunca se cansaria de contemplar aquele homem.
Enquanto ela tomava um gole de vinho, Arthur roubou um pouco de seu
espaguete.
- Ei - ela o provocou -, isso é meu.
Os celestiais olhos verdes brilharam quando ele sorriu, antes de dar-lhe
mais um pouco de macarrão. Mastigando, Lua levou aos lábios dele um pouco de
seu vinho.
Infelizmente, ela calculou mal e tirou a taça cedo demais, derramando um
pouco no queixo dele e na camisa.
- Desculpe! - Apressou-se em enxugar-lhe o queixo com os dedos, e as
costeletas roçaram sua pele. - Céus, eu sou péssima nisso!
Arthur não pareceu se importar. Pegando a mão dela, sugou o vinho das
pontas de seus dedos. Lua gemeu.
Fagulhas de prazer espalharam-se por seu corpo ao senti-lo deslizar a
língua por seus dedos e mordiscá-los de leve. Um por um, ele os limpou
lentamente. E, ao terminar, capturou seus lábios.
Não foi um beijo ardente, como aqueles aos quais estava acostumada e que
ele usava para seduzi-la e devorá-la. Esse tinha um toque gentil e comedido. Os
lábios eram leves e exploratórios.
Ele se afastou.
- Ainda está com fome? - ele indagou.
- Sim. - ela sussurrou em resposta, não se referindo exatamente à
comida, mas à necessidade que sentia dele.
Continua...

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