Lua deu de ombros.
- Eu mesma faço isso.
- Não é a mesma coisa.
Ela franziu as sobrancelhas.
Algo no tom de Arthur revelou que ele não estava se referindo ao fato de
ela ser mulher. As palavras provinham do coração e da experiência.
- Acho que todos precisamos de alguém que cuide de nós, não é? - ela
sussurrou.
Arthur voltou o olhar para a TV, mas não antes que ela avistasse o
brilho saudoso nos olhos verdes.
Lua observou-o assistir ao filme por diversos minutos. Mesmo distraído,
ele tinha os modos mais impecáveis que já vira.
Ela espalhava molho de espaguete por todo o lado, e ele nunca deixava
uma gota sequer salpicar.
- Mostre-me como faz isso. - ela pediu. Ele a fitou com curiosidade.
- Faço o quê?
- Essa coisa com a colher. Está me deixando louca. Nunca consigo fazer os
fios do macarrão pararem nos dentes do garfo. Eles se espalham de um modo
desajeitado e fazem uma bagunça.
- E nós, com certeza, não podemos ter grandes fios de macarrão se
espalhando e fazendo uma bagunça, não é?
Lua riu, sabendo que ele não se referia ao espaguete.
- De qualquer forma, como faz isso?
Ele tomou um gole de vinho e pôs a taça de lado.
- Vai ser mais fácil que eu mostre dessa forma.
Espremeu-se entre ela e o sofá.
- Arthur... - ela o alertou.
- Estou apenas mostrando o que você quer saber.
- Hum... - ela murmurou em dúvida.
Ainda assim, não conseguiu evitar senti-lo por inteiro. Ele parecia
tocar-lhe a alma.
O calor do peito forte espalhou-se por suas costas, enquanto ele a
envolvia com os braços maravilhosos. Arthur flexionou as pernas ao lado dela.
E, quando ele se inclinou para a frente, Lua sentiu-lhe o corpo excitado.
Pela primeira vez, não se chocou. Estranhamente, estava se acostumando
com aquilo.
Quando o corpo ágil e delgado moveu-se ao seu redor, a força e o vigor
que dele emanavam a deixaram ofegante e insegura. Sentimentos desconhecidos a
atingiram com uma intensidade que nunca experimentara.
O que havia em Arthur que a fazia sentir-se tão feliz e segura? Se essa
era a maldição, devia ser renomeada, pois não havia nada de malévolo nas
sensações passeando por ela.
- Vamos lá. - ele sussurrou em seu ouvido, provocando-lhe arrepios.
Tomando suas mãos entre as dele, seguraram juntos os talheres. Arthur
fechou os olhos ao aspirar o doce e agradável aroma floral que se desprendia
dos cabelos sedosos.
Precisou de toda a sua força de vontade para concentrar-se na tarefa que
desempenhava, desviando os pensamentos do desejo ardente de fazer amor com ela.
Os dedos de Lua deslizavam de forma provocante entre os seus,
amplificando sua consciência da pele quente e macia. Um novo tipo de desespero
apoderou-se dele.
Era algo que não conseguia nomear. Sabia o que desejava dela, e não era
apenas o corpo. No entanto, não ousava pensar naquilo. Não ousava ter
esperanças.
Ela estava além de seu alcance. Sabia disso, em seu coração e em sua
alma.
E nem todo o anseio do mundo mudaria o fato básico de que ele não era
digno de uma mulher como ela. Nunca fora digno...
Continua...

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