Lua pareceu cética.
- Não acho que você poderia ser um monstro.
Ele a encarou.
- Você não tem ideia do que eu sou capaz. E, quando a loucura dos deuses afeta alguém, a pessoa fica fora do alcance de qualquer ajuda. De qualquer esperança. - Um nó apertou-lhe o estômago. - Você nunca deveria ter me evocado, Lua. - Ele pegou seu copo com bebida.
- Você já pensou que talvez isso estivesse destinado a acontecer? - ela indagou de repente. - Talvez eu tenha evocado você porque esteja destinada a libertá-lo.
Ele olhou para Mel.
- Você me evocou porque Mel a enganou. Tudo o que ela queria era que você tivesse algumas noites de prazer para que pudesse seguir em frente e encontrar um homem decente, sem medo de que ele a magoasse.
- Mas talvez...
- Sem, mas, Lua. Isso não está destinado a acontecer.
O olhar de Lua foi parar no pulso dele. Estendendo a mão, ela tocou a escrita grega que partia da parte interna do pulso e seguia por parte do braço.
- É bonito. - disse ela. - É uma tatuagem?
- Não.
- O que é? - Lua insistiu.
- Príapo queimou isso aí. - disse, evitando responder.
Mel inclinou-se para frente e leu o que estava escrito.
- Diz: Condenado pela eternidade e além.
Fechando a mão sobre a escrita, Lua fitou-o.
- Não consigo imaginar o que deve ter sofrido todo esse tempo. Nem posso entender por que seu próprio irmão faria algo assim com você.
- Como disse Cupido, eu sabia que não deveria tocar em uma das virgens de Príapo.
- E por que fez isso?
- Fui estúpido.
Lua rangeu os dentes, querendo estrangulá-lo. Por que ele não podia apenas responder suas perguntas?
- O que faria você...
- Não quero discutir isso. - ele a interrompeu.
Ela soltou-lhe o braço.
- Você já permitiu que alguém se aproximasse de você, Arthur? Aposto que sempre foi um daqueles homens que não confiavam em ninguém que tente chegar perto de seu coração. Um daqueles sujeitos que prefeririam ter a língua arrancada a dizer para alguém que não é inacessível. Você era assim com Penélope?
Ele desviou o olhar, sendo tomado pelas lembranças. Lembranças de uma infância de fome e privação. Lembranças de noites passadas em agonia...
- Sim. - disse simplesmente. - Eu sempre fui sozinho.
Lua ressentia-se por ele, mas não podia deixá-lo desistir.
De alguma forma, encontraria um jeito de alcançá-lo. De tentar convencê-lo a romper a maldição. Com certeza, havia uma forma de fazê-lo lutar contra aquilo.
E ela prometeu encontrá-la.
Continua...

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