sexta-feira, 22 de abril de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 50


– Lua.

Seus lábios mal tocaram os meus e uma ânsia me rasgou ao meio, como o desejo por aquele chocolate luxuriante, irresistível, proibido no sonho. Não... eu acabei de beijar o Jake... Não quero desejar o Arthur... Ele era tudo o que eu não queria. O cara achava que era um vampiro. Mesmo assim, eu pressionava meu corpo contra o dele, sentia minha mão subindo por vontade própria para acariciar seu queixo, onde estava a cicatriz, um caminho serrilhado de pele lisa que cortava os tocos de barba áspera. A violência em sua infância... isso o endureceu. Teria se tornado perigoso? O braço de Arthur deslizou pelas minhas costas e ele roçou meus lábios de novo, dessa vez com mais força. Até sua boca era dura. E eu queria provar mais.

– Assim, Lua – murmurou ele. – É assim que deve ser... e não legal...

Ele estava me tentando a querer mais. A imagem dele fechando o zíper do meu vestido, seguro, entendido das coisas, atravessou meu cérebro num relâmpago. Experiente... Mamãe havia me alertado. Não deixe isso lhe subir à cabeça, Ro... Arthur levou a mão até o meu pescoço, envolvendo minha nuca com os dedos, o polegar acariciando minha pele.

 – Deixe-me beijá-la, Lua... Beijar de verdade... Como você deve ser beijada.

– Por favor, Arthur...

Eu estava implorando ou protestando?

 – Seu lugar é ao meu lado – disse ele, baixinho.

– Com a nossa espécie. Você sabe... Pare de lutar contra isso. Pare de lutar contra mim...

Não!

Devo ter gritado, porque Arthur recuou abruptamente.

– Não? – perguntou incrédulo, os olhos cheios de choque e incerteza. Minha boca estava se mexendo, mas nenhum som saía. Sim? Não?

– Eu... Eu acabei de beijar o Jake – gaguejei. – Há alguns minutos.

Não era errado ficar com dois caras numa noite só? Não era coisa de... Vagabunda? O que aquele vestido estava fazendo comigo? E o lance que ele tinha dito sobre “nossa espécie”... Não. Arthur tirou a mão do meu pescoço e se inclinou para frente, quase abraçando os joelhos, enfiando as mãos nos cabelos compridos e pretos com um som que era parte gemido e parte rosnado.

– Arthur, desculpe...

 – Não diga isso.

– Mas eu quero me desculpar...

Só que eu não sabia por quê. Por ter beijado Jake? Por ter quase beijado Arthur? Por ter feito com que parássemos?



Continua...

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