– Lua.
Seus lábios mal tocaram os meus e uma ânsia me rasgou ao
meio, como o desejo por aquele chocolate luxuriante, irresistível, proibido no
sonho. Não... eu acabei de beijar o Jake... Não quero desejar o Arthur... Ele
era tudo o que eu não queria. O cara achava que era um vampiro. Mesmo assim, eu
pressionava meu corpo contra o dele, sentia minha mão subindo por vontade
própria para acariciar seu queixo, onde estava a cicatriz, um caminho
serrilhado de pele lisa que cortava os tocos de barba áspera. A violência em
sua infância... isso o endureceu. Teria se tornado perigoso? O braço de Arthur
deslizou pelas minhas costas e ele roçou meus lábios de novo, dessa vez com
mais força. Até sua boca era dura. E eu queria provar mais.
– Assim, Lua – murmurou ele. – É assim que deve ser... e
não legal...
Ele estava me tentando a querer mais. A imagem dele
fechando o zíper do meu vestido, seguro, entendido das coisas, atravessou meu
cérebro num relâmpago. Experiente... Mamãe havia me alertado. Não deixe isso
lhe subir à cabeça, Ro... Arthur levou a mão até o meu pescoço, envolvendo
minha nuca com os dedos, o polegar acariciando minha pele.
– Deixe-me
beijá-la, Lua... Beijar de verdade... Como você deve ser beijada.
– Por favor, Arthur...
Eu estava implorando ou protestando?
– Seu lugar é ao
meu lado – disse ele, baixinho.
– Com a nossa espécie. Você sabe... Pare de lutar contra
isso. Pare de lutar contra mim...
Não!
Devo ter gritado, porque Arthur recuou abruptamente.
– Não? – perguntou incrédulo, os olhos cheios de choque e
incerteza. Minha boca estava se mexendo, mas nenhum som saía. Sim? Não?
– Eu... Eu acabei de beijar o Jake – gaguejei. – Há
alguns minutos.
Não era errado ficar com dois caras numa noite só? Não
era coisa de... Vagabunda? O que aquele vestido estava fazendo comigo? E o
lance que ele tinha dito sobre “nossa espécie”... Não. Arthur tirou a mão do
meu pescoço e se inclinou para frente, quase abraçando os joelhos, enfiando as
mãos nos cabelos compridos e pretos com um som que era parte gemido e parte
rosnado.
– Arthur, desculpe...
– Não diga isso.
– Mas eu quero me desculpar...
Só que eu não sabia por quê. Por ter beijado Jake? Por
ter quase beijado Arthur? Por ter feito com que parássemos?
Continua...

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