- Aqui! - disse, saindo
do caminho. - Coloque na pia.
Ele fez isso, mas não antes que parte da forma tocasse na mão dela. Lua
emitiu um ruído de dor.
- Eu machuquei você? - ele perguntou.
- Só um pouquinho.
Arthur fez uma careta ao pegar sua mão e examinar a queimadura.
- Desculpe. - Ele pôs a ponta do dedo dela na boca.
Atordoada, ela não conseguiu se mexer enquanto ele passava a língua ao
redor da pele sensível de seu dedo. Apesar da sensação de ardor, era bom. Muito
bom.
- Você não está ajudando minha queimadura. - ela sussurrou.
Com o dedo de Lua ainda na boca, ele sorriu com malícia e estendeu a mão
atrás das costas para abrir a torneira.
Passou a língua mais uma vez pelo dedo, antes de mover a mão dela para
baixo da corrente fria. Mantendo-a sob a água, pegou um pedaço de babosa no
vasinho que estava no parapeito.
- Como você sabe sobre a planta? - ela perguntou.
- Seus poderes curativos eram conhecidos antes mesmo de eu nascer.
Arrepios percorreram sua espinha enquanto ele esfregava o gel pegajoso
em seu dedo.
- Melhor?
Ela assentiu. Com um olhar intenso, ele fitou desejosamente seus lábios,
como se pudesse sentir-lhes o gosto.
- Acho que vou deixar você lidar com o forno de agora em diante. - ele
falou.
- Provavelmente, será melhor.
Passando por ele, Lua retirou os pães da forma antes que queimassem. Ela
preparou dois pratos antes de levar Arthur até a sala de estar para comerem
sentados no chão ao lado do sofá enquanto assistiam Matrix.
- Eu adoro esse filme. - ela comentou.
Arthur colocou o prato na mesinha de centro e sentou-se ao lado dela.
- Você sempre come no chão? - ele indagou antes de levar à boca um
pedaço de pão.
Fascinada com a harmonia dos movimentos de Arthur, ela observou o modo
como à mandíbula se flexionava enquanto ele mastigava.
Havia alguma parte daquele corpo másculo que não fosse apetitosamente
linda? Estava começando a compreender por que as outras mulheres que o evocaram
o tinham tratado daquela forma.
A ideia de mantê-lo trancado em um quarto por um mês estava começando a
atraí-la seriamente. E eles ainda tinham aquelas algemas...
- Bem - ela começou a dizer, forçando-se a desviar os pensamentos da
imagem da gloriosa pele dourada nua em seu colchão -, eu tenho uma mesa de
jantar, mas como sou apenas eu na maioria das noites, costumo tomar uma sopa no
sofá.
Com habilidade, ele girou o garfo na concavidade da colher até enrolar o
macarrão.
- Você precisa de alguém para cuidar de você. - disse e levou o talher à
boca.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário