sexta-feira, 22 de abril de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 48



Fiquei parada olhando a picape se afastar.

Quando as luzes traseiras haviam quase desaparecido na escuridão, caminhei para a entrada de casa, ouvindo o farfalhar da bainha do vestido contra os joelhos. Meu primeiro beijo de verdade.

– E então, como foi?

A voz profunda que vinha da escuridão me assustou, fazendo com que eu parasse na mesma hora. Olhei para as sombras.

– Arthur?

– Estou bem aqui.

Acompanhei sua voz até os degraus do terraço, onde ele estava sentado em meio às sombras, perto de uma abóbora de Halloween que tremeluzia. Cheguei mais perto.

– Você estava me espionando.

 Arthur estendeu uma tigela.

– Estou de serviço na distribuição de doces. Quer? As crianças não ficaram felizes com a oferenda, mas acho que só restam saquinhos de soja caramelada.

 Aceitei um saquinho e me sentei perto dele, num degrau.

– Não costumam aparecer muitas crianças pedindo doces. Ninguém mora a menos de um quilômetro daqui.

– Ah. – Arthur deu de ombros. – Então fui eu que odiei o doce. – Ele tomou o cachorro quente de pelúcia dos meus braços. – Seus pais não vão gostar disso em casa. Brinquedo imitando carne. O Atarracado ganhou isso com algum feito de proeza física? – Em seguida jogou o brinquedo por cima do ombro, numa cadeira do terraço.

Ignorei a provocação.

 – Você estava me esperando?

Arthur olhou para a escuridão distante.

– Como foi?

– Como foi o quê?

 – Ele a beijou. Como foi?

 Sorri, lembrando.

– Legal.

– Legal? – Arthur deu uma fungadela curta, de desprezo. – Digo e repito: o “legal” é superestimado.

– Por favor, não comece – pedi.

Não estrague isso.

– Quando você beijar a pessoa certa vai ser muitíssimo melhor do que legal – resmungou Arthur

– Você não tem o direito de dizer isso.

 Eu me levantei para entrar, alisando o vestido. Ele não estragaria esse momento. Isso não iria acontecer. Para minha surpresa, Arthur cedeu.

 – Você tem razão. Fui grosseiro. Eu não tinha o direito. – Ele deu um tapinha no degrau. – Por favor, faça-me companhia. Acho que estou melancólico esta noite.

– Você devia ter ido à festa – falei, sentando-me de novo. Arthur inspirou fundo e soltou o ar.

– Não havia nada lá para mim.

– Até que foi divertido. Havia jogos e a gente...

– Alguma vez, ao menos por um minuto, você analisou minha vida pela minha perspectiva? – interrompeu Arthur, um tanto ríspido. – Já pensou em como eu me sinto? – Ele se virou para me encarar, os olhos reluzindo fracamente, como os da abóbora. – Alguma vez você olha para além de si mesma?

 – Qual é o problema? Você está com saudade de casa ou algo assim?


Continua...

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