sexta-feira, 22 de abril de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 49


– Algo assim. É. – O brilho ficou mais forte. – Por Deus. Eu moro numa garagem, longe de tudo o que conhecia. Fui mandado aqui para cortejar uma mulher que me despreza em favor de um camponês...

– Jake é um cara perfeitamente legal, Arthur.

 Arthur bufou.

– É isso o que você quer da vida? Algo legal? Tudo precisa ser legal?

– Legal é... legal – protestei. Arthur balançou a cabeça.

 – Ah, Lua. Eu poderia lhe mostrar coisas tão além do legal que fariam sua linda cabecinha girar.

Sua voz tinha mudado subitamente, ficando mais baixa ainda e mais gutural. Havia nela uma qualidade que eu nunca escutara mas que reconheci por instinto. Ímpeto sexual. Luxúria. Desejo. Um desejo tenso, exasperado, frustrado.

– Arthur, acho que seria bom a gente entrar.

 Mas ele apenas chegou mais perto e falou com mais suavidade, porém ainda com a sugestão de uma frustração mal contida.

 – Eu poderia lhe mostrar coisas que fariam você se esquecer de tudo o que conhece aqui, em sua vidinha segura...


Engoli em seco. O que ele pode me mostrar? Que tipo de coisas? Estou interessada? Sim. Não. Talvez.

 – Arthur...

 – Lua...

Ele se aproximou ainda mais e notei que ele ofegava. Eu também. Inalando a força que ele sempre exalava, eu compartilhava seu ar rarefeito.

– Você nunca pensa nessa sua parte? Na parte que é Lua?

 – Lua é só um nome.

– Não. Lua é uma pessoa. Uma parte de você.

Então Arthur acariciou meu rosto, tocando-o com o polegar, e eu me peguei fechando os olhos, oscilando de leve, como se fosse uma serpente sob o feitiço de um encantador. Sabia que deveria parar o que quer que estivesse acontecendo, mas não fiz nada.

 – A outra metade de você não se contentaria com o “legal” – disse Arthur, baixinho. Ele envolveu meu queixo com uma das mãos e pude sentir sua respiração na minha boca. Fria e próxima.

 – Eu finalmente vi essa parte do seu ser, do seu espírito, quando experimentou essa roupa. Você fica tão linda nesse vestido! Ele a transforma...

Meu vestido. Tive uma sensação de poder enquanto os caras me olhavam durante a festa e gostei disso. Mas, ao lado de Arthur, sentia esse poder fugir ao meu controle e passar para suas mãos. Ele segurava as rédeas com tanta segurança quanto fizera com sua égua selvagem. E isso era aterrorizante. Lambi os lábios. Minha barriga estava retesada com aquela mistura de fome, ódio e medo que senti na primeira vez em que ele me mostrou aqueles dentes.


Será que vai fazer isso de novo? Será? Será que deveria?



Continua...

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