- Perseguidor de um hospital psiquiátrico? O que é isso?
Ao ouvir a explicação, Arthur ficou pasmo.
- Vocês deixam essas pessoas soltas na sua sociedade?
- Bem, sim. A ideia é ajudá-las.
Arthur estava horrorizado. Que tipo de mundo era esse em que os homens
se recusavam a proteger suas mulheres e crianças de algo assim?
- De onde eu venho, nós não deixávamos essas pessoas perto de nossas
famílias. E, com certeza, não permitíamos que ficassem soltas em nossas ruas.
- Bem-vindo ao século XXI. - disse Lua, amargamente. - Aqui, fazemos as
coisas de um jeito um pouco diferente.
Arthur meneou a cabeça ao pensar a respeito de todas as coisas nesta
época que lhe eram estranhas. Não conseguia compreender aquelas pessoas e a
forma como viviam.
- Eu realmente não pertenço a este lugar. - ele murmurou.
- Arthur... - Ele se afastou quando Lua estendeu a mão para tocá-lo.
- Lua, você sabe que é verdade. Vamos dizer que nós consigamos romper a
maldição. Que bem isso me fará? O que eu vou fazer aqui? Não sei ler sua
língua, não sei dirigir seu carro, nem trabalhar. Há tantas coisas que eu não
entendo. Estou perdido aqui.
Lua encolheu-se ante a angústia que ele se esforçava em ocultar.
- É coisa demais. Mas nós vamos dar um passo pequeno de cada vez. Eu
posso ensiná-lo a dirigir e a ler. Quanto ao trabalho... Sei que existem coisas
que você pode fazer.
- Tais como?
- Não sei. Além de ser um soldado, o que mais você fazia na Macedônia?
- Eu era um comandante, Lua. Tudo o que eu sei fazer é conduzir um
exército da Antiguidade para a batalha.
- É isso. - Ela lhe envolveu o rosto com as mãos, fitando-o com firmeza.
- Não ouse desistir. Você disse que não tinha medo da batalha. Então, como pode
ter medo disso?
- Eu apenas tenho.
Algo estranho aconteceu, quando Lua percebeu que ele se abrira um pouco.
Não muito, mas ela sabia pela expressão de Arthur, que ele ficara
vulnerável ao admitir aquilo. Sabia, em seu coração, que ele não era o tipo de
homem que admitia tais coisas com frequência.
- Eu vou ajudá-lo.
A dúvida nos olhos verdes a fez sentir um aperto no peito.
- Por quê?
- Nós somos amigos. - ela falou suavemente, tocando-o no rosto. - Não
foi o que você disse a Cupido?
- E você escutou a resposta. Não tenho amigos.
- Agora, você tem.
Ele se inclinou e a beijou na testa, antes de puxá-la para um abraço
apertado.
Lua sentiu o aroma de sândalo e escutou o coração dele batendo com força
sob sua face, enquanto os bíceps bronzeados flexionavam-se perto de seu rosto.
O abraço terno teve um alcance muito maior do que o de um gesto físico
momentâneo tocou-a profundamente.
Continua...

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