– Obrigada pelo cachorro-quente de pelúcia – agradeci,
apertando a grande salsicha estufada que Jake ganhara ao acertar duas bolas na
boca de um palhaço. – Eu me diverti pra caramba na festa.
– Foi mal não ter conseguido o urso.
– Ah, um cachorro quente é legal. É diferente. Estávamos
sentados na grande picape 4x4 de Jake, estacionada diante da fazenda, tentando
descobrir como nos despedirmos. Eu deveria simplesmente saltar do carro? Será
que ele sairia também?
– Eu já disse que você ficou muito linda nesse vestido? –
perguntou Jake.
Ainda não dissera, mas eu tinha visto a expressão no rosto
dele quando foi me buscar. A mesma admiração demonstrada por Arthur na butique.
Durante toda a noite vários caras me olharam. A princípio me senti meio sem
jeito. Mas foi fácil me acostumar com esse tipo de atenção.
– Gostei do seu
cabelo assim também – acrescentou Jake.
Enrolei um cacho que pendia do coque.
Tinha feito o máximo para imitar o efeito que Arthur havia conseguido torcendo
meu cabelo com os dedos.
– Obrigada.
– Estou feliz por ter me convidado. Curti
muito. Houve uma pausa longa.
– Acho que vou nessa – declarei finalmente, pondo
a mão na maçaneta.
– Ah... hum... é... Eu abro a porta.
Jake desligou o motor e
desceu, vindo para o meu lado. Abriu minha porta e eu tentei descer, quase
caindo com os saltos altos. – Merda! Muito classuda, Ro. Mas Jake me impediu de
cair e de repente estávamos muito perto um do outro. Cara a cara. Foi aí que
ele me beijou. Beijou de verdade. Seus lábios eram mais macios do que eu
esperava e um pouco úmidos. Meus lábios se abriram um pouco, como eu tinha
visto na TV e nos filmes durante anos e anos. Pareceu muito natural enquanto
acontecia – e então nossas línguas se encontraram. Jake empurrou ligeiramente a
língua contra a minha. Então é assim... A sensação não foi elétrica, mas senti
um arrepio de felicidade. Jake me envolveu com os braços, um abraço de urso. Um
abraço de lutador. Nossas línguas roçaram e roçaram e Jake acariciou minha cintura. Legal. E sem dúvida ficaria melhor
com a prática. Talvez eu pegasse emprestado o artigo de Mel sobre “75 truques
sexuais para enlouquecer seu homem”. Foi ele quem se afastou primeiro.
–
Preciso ir ou vou acabar passando da hora. Eu te ligo, beleza? Percebi que
ainda estava apertando o brinquedo de pelúcia.
– Beleza.
Ele se inclinou para
me beijar de novo. Um toque leve, doce, nos lábios.
– Até mais – despediu-se
Jake.
– Tchau.
Continua...

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