Caro Tio Vasile,
Que confusão por aqui. Que confusão!
Seria bem mais fácil de explicar se o senhor
experimentasse usar um e-mail. Está disponível em toda parte hoje em dia. Pense
nisso, por favor, pelo menos enquanto eu estiver aqui. Até lá tenho a difícil
tarefa de lhe informar via correio que todo o pacto parece cambalear,
interminável e irrevogavelmente, na direção do esquecimento.
Esta noite... Por onde começar? O que dizer? Se aquele
não era o momento, não sei o que mais posso fazer. Se Lua não sentiu o que eu
senti naquele instante, se ela teve a presença de espírito de recuar, na
verdade de gritar “Não!” para mim quando eu iria admitir que já estava
totalmente perdido por ela, não sei mais o que fazer. Tenho certeza de que o
senhor pode deduzir, pelas linhas acima, o que se passou entre nós, num sentido
geral. Não vou me rebaixar – nem desonrar Lua – entrando em detalhes. Fazer
isso seria não só humilhante, mas também pouco cavalheiresco.
E certamente o senhor me entende. Será que fui mesmo
superado por um camponês? Um camponês atarracado, tapado, parasita? Talvez de
manhã a situação pareça menos desagradável. Só podemos esperar. Enquanto isso
será que o senhor poderia me oferecer alguma informação sobre o castigo que
enfrentarei caso venha a fracassar? Gostaria de começar a me preparar
mentalmente, sobretudo se for enfrentar o pior. Sempre preferi encarar o
destino de cabeça erguida, como me ensinou. E poderei fazer isso melhor se
tiver oportunidade de me preparar. Seu sobrinho, com dúvidas, incertezas e
preocupações que não são de pouca monta,
Arthur

Nenhum comentário:
Postar um comentário