Assombrada com a resposta, Lua avançou pela entrada para veículos de sua
casa.
Decidindo que era melhor desistir de discutir um assunto sério como
aquele no momento, ela parou o carro e abriu o porta-malas. Arthur pegou as
sacolas e seguiu-a para dentro de casa.
Subiram as escadas e Lua pegou seu jeans confortável na primeira gaveta
da cômoda. Depois, abriu algum espaço no móvel para as roupas dele.
- Bem - disse ela, pegando as sacolas vazias e jogando-as no cesto de
lixo de vime perto do closet -, é sexta-feira à noite. O que gostaria de fazer?
Quer sair ou prefere passar uma noite tranquila em casa?
O olhar desejoso percorreu seu corpo, aquecendo-a de imediato.
- Você sabe a resposta.
- Certo. Um voto a favor de sexo e um voto contra. Posso escutar outra
opção?
- Que tal uma noite agradável e tranquila em casa, então?
- Está bem. - Ela foi até o telefone no criado-mudo. - Vou verificar
meus recados e depois podemos começar a fazer o jantar.
Arthur guardou suas roupas enquanto ela entrava em contato com o serviço
de mensagens. Acabara de ajeitar a última peça, quando percebeu o tom alarmado
na voz de Lua.
- Ele disse o que queria?
Virou-se para ela. Os olhos de Lua estavam levemente dilatados, e ela
agarrava o fone com força.
- Por que você deu este número a ele? - ela indagou, zangada. - Meus
pacientes nunca devem ter acesso ao meu telefone residencial. Você tem um
supervisor com quem eu possa falar?
Arthur foi até ela.
- Há algo errado? - Lua ergueu a mão, sinalizando para que ele
aguardasse enquanto ela escutava a pessoa do outro lado da linha.
- Certo. - disse após uma longa pausa. - Precisarei trocar o número de
novo. Obrigada.
Ela desligou o telefone e colocou-o no lugar, com a expressão
preocupada.
- O que aconteceu? - ele indagou.
Suspirando, irritada, ela esfregou o pescoço.
- O serviço de mensagens contratou essa garota nova que se enganou e deu
o número do meu telefone de casa para um dos meus pacientes hoje. - Ela falava
tão depressa que Arthur mal conseguia acompanhá-la. - Bem, ele não é realmente
um dos meus pacientes. Eu nunca teria aceitado um homem como ele como paciente,
mas Luanne, a Dra. Jenkins, não é tão exigente. E ela teve de sair às pressas
da cidade semana passada, por causa de alguma emergência pessoal. Então, Beth e
eu fomos obrigadas a dividir os pacientes com consulta marcada enquanto ela
estivesse fora. Eu não queria esse sujeito assustador, mas Beth não trabalha às
sextas-feiras e ele precisa de consultas às quartas e sextas, por causa do
programa de liberdade. - Ela o fitou, com pânico nos olhos azuis. - Mesmo assim,
eu não queria atendê-lo, mas o assistente social jurou que não haveria
problemas. Ele disse que o homem não era uma ameaça para ninguém.
Arthur sentia a cabeça doer com toda aquela informação que ela
despejava, e as palavras que Lua usava não faziam sentido.
- Isso é um problema?
- É um pouco assustador. - ela falou, com a mão trêmula. - Ele é um
perseguidor que foi solto do hospital psiquiátrico.
Continua...

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