quarta-feira, 20 de abril de 2016

Amante da fantasia - Cap. 64


Assombrada com a resposta, Lua avançou pela entrada para veículos de sua casa.


Decidindo que era melhor desistir de discutir um assunto sério como aquele no momento, ela parou o carro e abriu o porta-malas. Arthur pegou as sacolas e seguiu-a para dentro de casa.


Subiram as escadas e Lua pegou seu jeans confortável na primeira gaveta da cômoda. Depois, abriu algum espaço no móvel para as roupas dele.


- Bem - disse ela, pegando as sacolas vazias e jogando-as no cesto de lixo de vime perto do closet -, é sexta-feira à noite. O que gostaria de fazer? Quer sair ou prefere passar uma noite tranquila em casa?


O olhar desejoso percorreu seu corpo, aquecendo-a de imediato.


- Você sabe a resposta.


- Certo. Um voto a favor de sexo e um voto contra. Posso escutar outra opção?


- Que tal uma noite agradável e tranquila em casa, então?


- Está bem. - Ela foi até o telefone no criado-mudo. - Vou verificar meus recados e depois podemos começar a fazer o jantar.


Arthur guardou suas roupas enquanto ela entrava em contato com o serviço de mensagens. Acabara de ajeitar a última peça, quando percebeu o tom alarmado na voz de Lua.


- Ele disse o que queria?


Virou-se para ela. Os olhos de Lua estavam levemente dilatados, e ela agarrava o fone com força.


- Por que você deu este número a ele? - ela indagou, zangada. - Meus pacientes nunca devem ter acesso ao meu telefone residencial. Você tem um supervisor com quem eu possa falar?


Arthur foi até ela.


- Há algo errado? - Lua ergueu a mão, sinalizando para que ele aguardasse enquanto ela escutava a pessoa do outro lado da linha.


- Certo. - disse após uma longa pausa. - Precisarei trocar o número de novo. Obrigada.


Ela desligou o telefone e colocou-o no lugar, com a expressão preocupada.


- O que aconteceu? - ele indagou.


Suspirando, irritada, ela esfregou o pescoço.


- O serviço de mensagens contratou essa garota nova que se enganou e deu o número do meu telefone de casa para um dos meus pacientes hoje. - Ela falava tão depressa que Arthur mal conseguia acompanhá-la. - Bem, ele não é realmente um dos meus pacientes. Eu nunca teria aceitado um homem como ele como paciente, mas Luanne, a Dra. Jenkins, não é tão exigente. E ela teve de sair às pressas da cidade semana passada, por causa de alguma emergência pessoal. Então, Beth e eu fomos obrigadas a dividir os pacientes com consulta marcada enquanto ela estivesse fora. Eu não queria esse sujeito assustador, mas Beth não trabalha às sextas-feiras e ele precisa de consultas às quartas e sextas, por causa do programa de liberdade. - Ela o fitou, com pânico nos olhos azuis. - Mesmo assim, eu não queria atendê-lo, mas o assistente social jurou que não haveria problemas. Ele disse que o homem não era uma ameaça para ninguém.


Arthur sentia a cabeça doer com toda aquela informação que ela despejava, e as palavras que Lua usava não faziam sentido.


- Isso é um problema?


- É um pouco assustador. - ela falou, com a mão trêmula. - Ele é um perseguidor que foi solto do hospital psiquiátrico.



Continua...

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