segunda-feira, 11 de abril de 2016

Amante da fantasia - Cap.62



Arthur e Lua ajudaram Mel a fechar o estande e a entrar no jipe, antes de se dirigirem para casa no trânsito de sexta-feira à noite.


- Você está quieto. - ela comentou ao parar em um farol vermelho.


Observou a forma como Arthur olhava para os outros carros na rodovia. Ele parecia perdido, como alguém preso entre o sonho e a realidade.


- Não sei o que dizer. - ele respondeu após uma breve pausa.


- Diga-me como se sente.


- A respeito de quê?


Lua riu.


- Você, definitivamente, é um homem. Sabe, os homens são muito difíceis durante as consultas. Eles vão até lá e gastam 125 dólares por hora para, basicamente, não dizer nada. Nunca vou entender.


O olhar dele voltou-se para seu colo, e Lua viu-o esfregar distraidamente o anel de general.


- Você disse que era terapeuta sexual. O que exatamente é isso?


Ela pôs de novo o carro em movimento.


- Você e eu de alguma forma estamos no mesmo ramo. Eu ajudo pessoas que têm problemas de relacionamento. Mulheres que temem relacionar-se intimamente com homens, ou que amam com um entusiasmo exagerado.


- Ninfomaníacas?


Ela anuiu.


- Eu conheci algumas dessas. - disse ele, com um suspiro.


- Aposto que sim.


- E os homens?


- Eles não são tão fáceis. Como eu disse, não falam muito. Tenho alguns casos de homens que têm ansiedade em relação ao desempenho...


- O que é isso?


- Algo que certamente você nunca terá- - ela respondeu, pensando no modo arrogante como ele a perseguia constantemente. Pigarreando, explicou: - São homens que temem que as parceiras riam deles quando estiverem na cama.


- Oh.


- Também atendo alguns que têm comportamento verbalmente abusivo com as esposas e namoradas. Alguns que querem trocar de sexo...


- Podem fazer isso? - Arthur indagou, chocado.


- Ah, sim. - respondeu, com um aceno da mão. - Você ficaria surpreso com o que os médicos podem fazer hoje em dia.


Lua virou na direção de casa.


Arthur ficou em silêncio por tanto tempo que ela estava prestes a mostrar-lhe o rádio, quando ele perguntou de repente:



- Por que você quer ajudar essas pessoas?



Continua...

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