Arthur e Lua ajudaram Mel a fechar o estande e a entrar no jipe, antes de se dirigirem para casa no trânsito de sexta-feira à noite.
- Você está quieto. - ela comentou ao parar em um farol vermelho.
Observou a forma como Arthur olhava para os outros carros na rodovia.
Ele parecia perdido, como alguém preso entre o sonho e a realidade.
- Não sei o que dizer. - ele respondeu após uma breve pausa.
- Diga-me como se sente.
- A respeito de quê?
Lua riu.
- Você, definitivamente, é um homem. Sabe, os homens são muito difíceis
durante as consultas. Eles vão até lá e gastam 125 dólares por hora para,
basicamente, não dizer nada. Nunca vou entender.
O olhar dele voltou-se para seu colo, e Lua viu-o esfregar
distraidamente o anel de general.
- Você disse que era terapeuta sexual. O que exatamente é isso?
Ela pôs de novo o carro em movimento.
- Você e eu de alguma forma estamos no mesmo ramo. Eu ajudo pessoas que
têm problemas de relacionamento. Mulheres que temem relacionar-se intimamente
com homens, ou que amam com um entusiasmo exagerado.
- Ninfomaníacas?
Ela anuiu.
- Eu conheci algumas dessas. - disse ele, com um suspiro.
- Aposto que sim.
- E os homens?
- Eles não são tão fáceis. Como eu disse, não falam muito. Tenho alguns
casos de homens que têm ansiedade em relação ao desempenho...
- O que é isso?
- Algo que certamente você nunca terá- - ela respondeu, pensando no modo
arrogante como ele a perseguia constantemente. Pigarreando, explicou: - São
homens que temem que as parceiras riam deles quando estiverem na cama.
- Oh.
- Também atendo alguns que têm comportamento verbalmente abusivo com as
esposas e namoradas. Alguns que querem trocar de sexo...
- Podem fazer isso? - Arthur indagou, chocado.
- Ah, sim. - respondeu, com um aceno da mão. - Você ficaria surpreso com
o que os médicos podem fazer hoje em dia.
Lua virou na direção de casa.
Arthur ficou em silêncio por tanto tempo que ela estava prestes a
mostrar-lhe o rádio, quando ele perguntou de repente:
- Por que você quer ajudar essas pessoas?
Continua...

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