sábado, 23 de abril de 2016

Amante da fantasia - Cap. 72


Pela primeira vez, estava mais do que grata pela presença de Arthur. Caso ele não estivesse ali, teria ido para a casa de Mel e Chay abusar da hospitalidade deles pelo resto do fim de semana.


- Venha.


Apagou a luz da cozinha.


- Por que não subimos e eu começo a ensiná-lo a ler?


Ele meneou a cabeça.


- Você não desiste mesmo, não é?


- Não.


- Está bem. - ele concordou, seguindo-a. - Vou deixá-la me ensinar, mas apenas se colocar seu baby-doll vermelho...


- Não, não e não. - Ela parou na escada e voltou-se para fitá-lo. - Acho que não.


Ele estendeu a mão e afastou o cabelo de seu ombro.


- Você não sabe que eu preciso de uma musa para me inspirar a aprender? E que musa melhor do que você em seu...


Ela colocou os dedos sobre os lábios de Arthur, interrompendo-o.


- Se eu colocar aquilo, duvido que você vá aprender alguma coisa que já não saiba.


Ele acariciou seus dedos com os dentes.


- Prometo que vou me comportar.


Mesmo sabendo que era uma péssima ideia, deixou que ele a persuadisse.


- É melhor você se comportar. - ela avisou por sobre o ombro e continuou subindo a escada até seu quarto.


Lua entrou no closet grande, que seu pai transformara em uma pequena biblioteca anos atrás, e procurou entre os livros nas prateleiras até encontrar uma cópia antiga de Peter Pan.


Arthur vasculhou as gavetas até achar o maldito traje. Eles trocaram os itens no centro do quarto.


Lua correu para o banheiro e mudou de roupa, mas, assim que se viu no baby-doll vermelho, imobilizou-se.


Ai! Se Arthur a visse naquilo, sairia correndo do quarto. Incapaz de suportar a humilhação de vê-lo desapontado com seu corpo, ela tirou o baby-doll, pôs sua camiseta cor-de-rosa e enrolou-se no grosso robe antes de retornar para o quarto.


Arthur meneou a cabeça ao avistá-la.


- Por que você está usando isso?


- Veja, eu não sou uma idiota. Não tenho o tipo de corpo que faz os homens babarem.


- O que está tentando me dizer? Você é um homem?


Ela franziu o cenho ante aquela lógica.


- Não.


- Então, como sabe o que os homens querem olhar?



Continua...

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