Pela primeira vez, estava mais do que grata pela presença de Arthur.
Caso ele não estivesse ali, teria ido para a casa de Mel e Chay abusar da
hospitalidade deles pelo resto do fim de semana.
- Venha.
Apagou a luz da cozinha.
- Por que não subimos e eu começo a ensiná-lo a ler?
Ele meneou a cabeça.
- Você não desiste mesmo, não é?
- Não.
- Está bem. - ele concordou, seguindo-a. - Vou deixá-la me ensinar, mas
apenas se colocar seu baby-doll vermelho...
- Não, não e não. - Ela parou na escada e voltou-se para fitá-lo. - Acho
que não.
Ele estendeu a mão e afastou o cabelo de seu ombro.
- Você não sabe que eu preciso de uma musa para me inspirar a aprender?
E que musa melhor do que você em seu...
Ela colocou os dedos sobre os lábios de Arthur, interrompendo-o.
- Se eu colocar aquilo, duvido que você vá aprender alguma coisa que já
não saiba.
Ele acariciou seus dedos com os dentes.
- Prometo que vou me comportar.
Mesmo sabendo que era uma péssima ideia, deixou que ele a persuadisse.
- É melhor você se comportar. - ela avisou por sobre o ombro e continuou
subindo a escada até seu quarto.
Lua entrou no closet grande, que seu pai transformara em uma pequena
biblioteca anos atrás, e procurou entre os livros nas prateleiras até encontrar
uma cópia antiga de Peter Pan.
Arthur vasculhou as gavetas até achar o maldito traje. Eles trocaram os
itens no centro do quarto.
Lua correu para o banheiro e mudou de roupa, mas, assim que se viu no
baby-doll vermelho, imobilizou-se.
Ai! Se Arthur a visse naquilo, sairia correndo do quarto. Incapaz de
suportar a humilhação de vê-lo desapontado com seu corpo, ela tirou o
baby-doll, pôs sua camiseta cor-de-rosa e enrolou-se no grosso robe antes de
retornar para o quarto.
Arthur meneou a cabeça ao avistá-la.
- Por que você está usando isso?
- Veja, eu não sou uma idiota. Não tenho o tipo de corpo que faz os
homens babarem.
- O que está tentando me dizer? Você é um homem?
Ela franziu o cenho ante aquela lógica.
- Não.
- Então, como sabe o que os homens querem olhar?
Continua...

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