O irmão assentiu.
- Eu sei. Gostaria apenas de nunca ter feito o que você me pediu. Sinto
muito por isso. Acredite ou não, mamãe e eu sentimos muito.
Com as emoções conturbadas, Arthur não conseguiu dizer mais nada,
abatido pela desolação.
O rosto de Penélope surgiu em sua mente, fazendo-o estremecer. Uma coisa
era seus familiares o terem punido, mas outra, bem diferente, era terem ido
atrás dos inocentes. Nunca deveriam ter feito isso.
Cupido colocou uma pequena caixa na mesa, à sua frente.
- Se você tiver alguma esperança de conseguir a liberdade, vai precisar
disto aqui.
- Devo tomar cuidado com os presentes dos deuses. - Arthur falou com
amargura ao abrir a caixa e encontrar dois pares de grandes algemas prateadas e
um conjunto de chaves sobre um fundo de cetim azul-escuro. - Hefesto?
Cupido assentiu.
- Nem mesmo Zeus pode abri-las. Quando você sentir que está perdendo o
controle, eu o aconselharia a prender-se a algo sólido e - olhou para Lua -,
mantê-la à distância.
Arthur inspirou fundo.
Teria rido da ironia, mas não tinha forças para tanto. De uma forma ou
de outra, durante suas encarnações, ele sempre parecia encontrar-se algemado a
algo.
- É desumano. - Lua sussurrou.
Cupido lançou-lhe um olhar agressivo.
- Querida, acredite em mim, se você não acorrentá-lo, vai se arrepender.
- Quanto tempo eu tenho? - Arthur indagou.
O irmão encolheu os ombros.
- Não sei. Depende muito de quanto autocontrole você tem. - Cupido
bufou. - No entanto, como se trata de você, talvez consiga passar por isso sem
usá-las.
Arthur fechou a caixa.
Ele era forte, mas não era tão otimista quanto Eros. Seu otimismo tinha
sido vítima de uma morte longa e dolorosa, muito tempo atrás.
Eros deu um tapinha em suas costas.
- Boa sorte.
Arthur manteve-se em silêncio enquanto Eros ia embora. Fitou a caixa,
analisando as palavras do irmão.
Se ele aprendera algo ao longo dos séculos, era que as Parcas conseguiam
o que queriam. Era estupidez até mesmo pensar que tinha uma chance de
libertar-se.
Aquela era sua sina, e ele a aceitaria. Era um escravo, e assim
permaneceria.
- Arthur? - Lua chamou-o. - O que foi?
- Não podemos fazer isso. Apenas me leve para casa, Lua, e deixe que eu
faça amor com você. Vamos acabar com isso antes que alguém, provavelmente você,
saia machucada.
- Mas esta é a sua chance de conseguir a liberdade. Pode muito bem ser
sua única oportunidade. Você alguma vez já foi evocado por uma mulher que
tivesse Blanco no nome?
- Não.
- Então precisamos fazer isso.
- Você não entende. - ele afirmou por entre os dentes cerrados. - Se o
que Eros disse é verdade, quando a última noite chegar, eu não serei mais eu
mesmo.
- Quem você será?
- Um monstro.
Continua...

Muito boa continue postando eu as webs😍
ResponderExcluir