sábado, 23 de abril de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 51


– Entre, Roberta. – Arthur ainda estava curvado sobre os joelhos, os dedos cruzados no cabelo. – Agora, por favor.

E então a porta da frente se abriu.

 – Achei ter escutado vozes aqui fora – disse papai, fingindo não perceber a tensão óbvia.

– Papai – falei esganiçada, ficando de pé. – Acabei de chegar em casa. Arthur e eu estávamos conversando.

– Está ficando tarde – avisou papai, puxando-me para o seu lado. – E, Arthur, acho que podemos dizer que a distribuição de doces acabou. Você deveria ir para a cama.

– Claro senhor – respondeu Arthur, educado. Ele se aprumou lentamente e ficou de pé também. Parecia cansado enquanto entregava a tigela ao meu pai.

– Feliz Dia das Bruxas.

 Então, entrei correndo, subi para o quarto e arranquei o vestido, jogando-o no fundo do armário. Puxei o cabelo, que caiu sobre os ombros. Tudo de volta ao normal. Após vestir uma camiseta e uma calça de moletom para dormir, fui de mansinho até a janela e olhei para a garagem. Mas a luz do quarto de Arthur estava apagada. Ele tinha ido dormir. Ou talvez tivesse saído. Mamãe bateu à minha porta.

 – Roberta? Você está bem?

– Estou ótima, mamãe – menti.

– Quer conversar?

– Não. – Fiquei observando a janela de Arthur, sem saber o que estava procurando. – Só quero dormir.

– Bem, então, boa noite, querida. 

Os passos de mamãe recuaram pelo corredor e me deitei na cama, fechando os olhos com força. Não queria – não iria – pensar no que atrairia Arthur para a escuridão. A julgar pelo humor em que eu o havia deixado, temia que não fosse algo “legal”.


Continua...

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