- Não sei. - ela respondeu de forma honesta. - Acho que é algo que
remete à minha infância, quando eu era muito insegura. Meus pais me amavam, mas
eu não sabia me relacionar com as outras crianças. Meu pai era professor de
história e minha mãe era dona de casa...
- Dona de casa?
- Sim, ela ficava em casa e fazia coisas de mãe. Na verdade, eles nunca
me trataram como criança. Então, quando eu me aproximava das outras crianças,
não sabia o que fazer, o que dizer. Eu ficava tão assustada que tremia. Por fim,
meu pai começou a me levar a um psicólogo e, depois de um tempo, eu melhorei
muito.
- Exceto perto de homens.
- Essa é outra história. - Ela suspirou. - Eu era uma adolescente
desajeitada e os garotos da minha escola nunca se aproximavam muito, a menos
que quisessem zombar de mim.
- Zombar como?
Lua deu de ombros com indiferença.
Pelo menos agora, as antigas lembranças haviam deixado de incomodá-la.
Aceitara aquilo muito tempo atrás.
- Porque eu sou uma tábua, minhas orelhas se sobressaem e tenho sardas
no corpo inteiro.
- É uma tábua?
- Não tenho seios.
Ela jurava que podia sentir o olhar prolongado e quente em seu peito.
Virando o rosto para o lado, confirmou a sensação. De fato, ele a fitava como
se ela estivesse sem camisa e no meio de...
- Você tem seios muito bonitos.
- Obrigada. - disse desajeitadamente. De alguma forma, o elogio incomum
agradou-a. - E você?
- Eu não tenho seios.
Arthur disse aquilo em um tom tão sério que ela começou a gargalhar.
- Sabe que não foi isso o que eu quis dizer. Como você era quando
adolescente?
- Eu já disse.
Ela lhe lançou um olhar ameaçador.
- Sem brincadeira.
- Sem brincadeira. Eu lutava, comia, bebia, fazia sexo e tomava banho.
Normalmente nessa ordem.
- Nós ainda estamos lidando com essa questão da intimidade, não é? - ela
perguntou retoricamente. Então, assumindo seu papel de psicóloga, passou para
um assunto sobre o qual talvez ele falasse com mais facilidade. - Por que não
me conta como se sentiu na primeira vez que participou de uma batalha?
- Não senti nada.
- Não teve medo?
- Do quê?
- De ser morto ou mutilado?
- Não.
A sinceridade daquela única palavra desconcertou-a.
- Como é possível que não tivesse medo?
- Você não pode temer a morte quando não tem motivo para viver.

faz maratona de prometida a um vampiro bjs
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