- Eu escutei isso? - ela perguntou para a amiga.
- Eros certamente não pode ser irmão de Arthur, pode?
- Como eu vou saber?
Arthur disse algo em grego antigo para Eros. Os olhos de Mel se
arregalaram, e o sorriso sumiu de imediato do rosto de Eros.
- Se você não fosse meu irmão, eu o mataria por isso. - Arthur
lançou-lhe um olhar zangado. - Se eu não precisasse de você, já o teria matado.
Em vez de ficar bravo, Eros riu.
- Não ouse rir. - a mulher repreendeu-o, irritada. - É melhor lembrar-se
de que ele é uma das poucas pessoas capazes de cumprir essa ameaça.
Eros assentiu antes de virar-se para os outros quatro motociclistas.
- Podem ir. - falou para os amigos. - Encontro vocês depois.
- Tem certeza? - perguntou o mais alto, olhando para Arthur com
nervosismo. - Podemos ficar por aqui, se precisar de nós.
- Não, está tudo bem. - ele recusou, gesticulando. - Lembra que eu disse
que precisava encontrar alguém aqui? Então, meu irmão está apenas bravo comigo,
mas vai superar isso.
Lua recuou quando os motociclistas passaram por ela. Todos, exceto a
linda mulher. Ela cruzou os braços sobre o peito farto e coberto de couro e
olhou para os dois homens com cautela.
Alheio às presenças dela, de Mel e da mulher, Eros andou ao redor de Arthur,
avaliando-o dos pés à cabeça.
- Andando na companhia de mortais? - Arthur indagou, deslizando um olhar
de escárnio igualmente frio por Eros. - Nossa! Cupido, o Tártaro congelou
enquanto eu estive fora?
Eros desconsiderou as palavras raivosas.
- Diabos, garoto! - ele exclamou, descrente. - Você não mudou nada.
Achei que você fosse mortal.
- Era para eu ser, seu... - Arthur voltou a soltar uma torrente de
imprecações. Os olhos de Eros brilharam.
- Com uma boca como essa, você deveria andar com Ares. Céus, irmãozinho,
não achei que você conhecesse o significado de tudo isso!
Arthur agarrou de novo o irmão pela camisa. Porém, antes que pudesse
fazer algo mais com Eros, a mulher estendeu o braço e ergueu a mão.
Arthur imobilizou-se. Pelo seu olhar, Lua sabia que ele não estava nada
satisfeito.
- Solte-me, Psiquê. - ele resmungou.
O queixo de Lua caiu. Psiquê? Seria possível?
- Só se você prometer não bater mais nele. - Psiquê respondeu. - Sei que
vocês dois não têm se dado bem, mas respeite o fato de eu gostar do rosto dele
como está e de não tolerar que você o estrague ainda mais.
- Sol... te... me. - Arthur repetiu, enfatizando cada sílaba.
- É melhor soltá-lo, Psiquê. - Eros interferiu. - Ele está sendo amável
com você agora, mas pode romper seu controle ainda mais facilmente que eu,
graças à mamãe. E, se ele fizer isso, você sairá ferida.
Psiquê abaixou a mão. Arthur soltou Eros.
- Eu não o acho divertido, Cupido. Aliás, não acho nada disso engraçado.
Agora, onde está Príapo?
- Inferno, eu não sei! Da última vez que soube algo, ele estava se
divertindo no sul da França.
A cabeça de Lua girava com as novas descobertas. Ela olhava do Cupido
para Psiquê.
Podia ser? Eles podiam mesmo ser Cupido e Psiquê? E seriam parentes de Arthur?
Algo assim seria possível? Supôs, então, que aquilo era tão provável quanto
duas mulheres bêbadas evocarem um escravo sexual grego de um livro antigo.
Viu o olhar encantado e ávido de Mel.
- Quem é Príapo? - Lua perguntou para a amiga.
- Um deus fálico da fertilidade, que sempre foi retratado andando por aí
com uma ereção. - ela sussurrou.
- Por que Arthur precisa dele?
Mel encolheu os ombros.
- Talvez tenha sido ele quem o amaldiçoou. Mas eis o fato engraçado:
Príapo é irmão de Eros, portanto, se Arthur é parente de um, há uma boa chance
de ele ser parente do outro.
Amaldiçoado a uma eternidade de escravidão pelo próprio irmão?
O pensamento deixava Lua enjoada.
Continua...

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