terça-feira, 8 de março de 2016

Amante da fantasia - Cap. 45


- Eu escutei isso? - ela perguntou para a amiga.


- Eros certamente não pode ser irmão de Arthur, pode?


- Como eu vou saber?


Arthur disse algo em grego antigo para Eros. Os olhos de Mel se arregalaram, e o sorriso sumiu de imediato do rosto de Eros.


- Se você não fosse meu irmão, eu o mataria por isso. - Arthur lançou-lhe um olhar zangado. - Se eu não precisasse de você, já o teria matado.


Em vez de ficar bravo, Eros riu.


- Não ouse rir. - a mulher repreendeu-o, irritada. - É melhor lembrar-se de que ele é uma das poucas pessoas capazes de cumprir essa ameaça.


Eros assentiu antes de virar-se para os outros quatro motociclistas.


- Podem ir. - falou para os amigos. - Encontro vocês depois.


- Tem certeza? - perguntou o mais alto, olhando para Arthur com nervosismo. - Podemos ficar por aqui, se precisar de nós.


- Não, está tudo bem. - ele recusou, gesticulando. - Lembra que eu disse que precisava encontrar alguém aqui? Então, meu irmão está apenas bravo comigo, mas vai superar isso.


Lua recuou quando os motociclistas passaram por ela. Todos, exceto a linda mulher. Ela cruzou os braços sobre o peito farto e coberto de couro e olhou para os dois homens com cautela.


Alheio às presenças dela, de Mel e da mulher, Eros andou ao redor de Arthur, avaliando-o dos pés à cabeça.


- Andando na companhia de mortais? - Arthur indagou, deslizando um olhar de escárnio igualmente frio por Eros. - Nossa! Cupido, o Tártaro congelou enquanto eu estive fora?


Eros desconsiderou as palavras raivosas.


- Diabos, garoto! - ele exclamou, descrente. - Você não mudou nada. Achei que você fosse mortal.


- Era para eu ser, seu... - Arthur voltou a soltar uma torrente de imprecações. Os olhos de Eros brilharam.


- Com uma boca como essa, você deveria andar com Ares. Céus, irmãozinho, não achei que você conhecesse o significado de tudo isso!


Arthur agarrou de novo o irmão pela camisa. Porém, antes que pudesse fazer algo mais com Eros, a mulher estendeu o braço e ergueu a mão.


Arthur imobilizou-se. Pelo seu olhar, Lua sabia que ele não estava nada satisfeito.


- Solte-me, Psiquê. - ele resmungou.


O queixo de Lua caiu. Psiquê? Seria possível?


- Só se você prometer não bater mais nele. - Psiquê respondeu. - Sei que vocês dois não têm se dado bem, mas respeite o fato de eu gostar do rosto dele como está e de não tolerar que você o estrague ainda mais.


- Sol... te... me. - Arthur repetiu, enfatizando cada sílaba.


- É melhor soltá-lo, Psiquê. - Eros interferiu. - Ele está sendo amável com você agora, mas pode romper seu controle ainda mais facilmente que eu, graças à mamãe. E, se ele fizer isso, você sairá ferida.


Psiquê abaixou a mão. Arthur soltou Eros.


- Eu não o acho divertido, Cupido. Aliás, não acho nada disso engraçado. Agora, onde está Príapo?


- Inferno, eu não sei! Da última vez que soube algo, ele estava se divertindo no sul da França.


A cabeça de Lua girava com as novas descobertas. Ela olhava do Cupido para Psiquê.


Podia ser? Eles podiam mesmo ser Cupido e Psiquê? E seriam parentes de Arthur? Algo assim seria possível? Supôs, então, que aquilo era tão provável quanto duas mulheres bêbadas evocarem um escravo sexual grego de um livro antigo.


Viu o olhar encantado e ávido de Mel.


- Quem é Príapo? - Lua perguntou para a amiga.


- Um deus fálico da fertilidade, que sempre foi retratado andando por aí com uma ereção. - ela sussurrou.


- Por que Arthur precisa dele?


Mel encolheu os ombros.


- Talvez tenha sido ele quem o amaldiçoou. Mas eis o fato engraçado: Príapo é irmão de Eros, portanto, se Arthur é parente de um, há uma boa chance de ele ser parente do outro.


Amaldiçoado a uma eternidade de escravidão pelo próprio irmão?


O pensamento deixava Lua enjoada.



Continua...

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