– Você... você está incrível.
Arthur ficou de pé, atrás de mim,
jamais afastando o olhar.
– Sério?
– Linda, Lua – murmurou ele. – Linda.
Antes que eu pudesse lembrá-lo de não
me chamar por aquele nome, Arthur chegou mais perto ainda, passou a mão por
baixo do meu cabelo comprido e revolto e puxou o zíper até em cima.
– As mulheres sempre precisam de ajuda
nos últimos centímetros.
Engoli em seco. Até que ponto ele
era experiente?
– Ah, obrigada.
– O prazer foi meu. – Depois, para
minha surpresa total, Arthur passou os dedos pelos meus cachos e puxou-os num
coque torcido, grande e frouxo, no topo da minha cabeça. De repente meu pescoço
pareceu muito comprido. – É essa a aparência que uma princesa romena deve ter –
disse, aproximando-se para sussurrar no meu ouvido. – Nunca mais diga que você
não é inestimável, Lua. Ou que não é linda. Ou, pelo amor de Deus, que é “gorda”.
Quando sentir vontade de cair nessa autocrítica ridícula e sem sentido,
lembre-se de si mesma neste momento.
Ninguém nunca tinha me elogiado dessa
maneira. Por um minuto ficamos ali, me admirando. Encontrei o olhar de Arthur
no espelho. Naquela fração de segundo quase pude nos visualizar... Juntos. Então
ele soltou meu cabelo, que caiu pelas costas. E o feitiço se quebrou quando
olhei a etiqueta de preço.
– Minha nossa! Preciso tirar isso.
Agora mesmo. Antes que eu sue nele ou sei lá o quê.
Arthur revirou os olhos.
– Se você precisa falar em “suar” em
referência a si mesma, algo que desencorajo
enfaticamente, use a palavra perspirar.
– É sério, Arthur. Vou começar a perspirar só por causa do preço.
Arthur se curvou para olhar os números
na etiqueta e deu de ombros. Entrei correndo de volta no provador, colocando
minha calça jeans e amarrando o tênis
velho. O efeito princesa desaparecera.
Com relutância, entreguei o vestido à vendedora, que aguardava, segurando uma
linda echarpe de caxemira.
– Vou colocar na caixa para vocês.
Olhei em volta procurando Arthur e o
encontrei parado no balcão, batendo um cartão de crédito no tampo de vidro.
– É caro demais – sussurrei, indo
depressa até ele.
– Considere um agradecimento pelas
orientações nas compras de hoje. Meu presente para sua noite de gala.
Procurei ironia ou sarcasmo nos olhos
dele e não vi nada. O
que isso significava? Que
Arthur Vladescu estava desistindo de me cortejar? Duvido. Será?
– Obrigada – falei em dúvida.
Leigh Ann colocou cuidadosamente o
vestido e a echarpe em duas caixas e as entregou a mim.
– Sucesso com o vestido.
Ela ficou bem mais calorosa depois que
o cartão de crédito foi aprovado.
– Tenha um bom dia, Leigh Ann – disse Arthur,
enlaçando minha cintura e me guiando para fora da loja.
– Realmente não sei o que dizer –
gaguejei quando estávamos do lado de fora. – É um presente absurdo. Só o vestido
custa uma fortuna e a echarpe é de caxemira.
– Sem dúvida vai fazer frio à noite e
você não pode usar uma jaqueta jeans com aquele vestido.
– Bem, obrigada.
– Eu lhe disse que toda mulher merece
coisas bonitas. Só espero que o Atarracado aprecie você nessa roupa. – Ele
parou do lado de fora, examinando as lojas ao redor. – Não gostaria de um
Morango Julius agora?
Continua...

Faz maratona
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