sexta-feira, 4 de março de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 38


– Você... você está incrível.

Arthur ficou de pé, atrás de mim, jamais afastando o olhar.

– Sério?

– Linda, Lua – murmurou ele. – Linda.

Antes que eu pudesse lembrá-lo de não me chamar por aquele nome, Arthur chegou mais perto ainda, passou a mão por baixo do meu cabelo comprido e revolto e puxou o zíper até em cima.

– As mulheres sempre precisam de ajuda nos últimos centímetros.

Engoli em seco. Até que ponto ele era experiente?

– Ah, obrigada.

– O prazer foi meu. – Depois, para minha surpresa total, Arthur passou os dedos pelos meus cachos e puxou-os num coque torcido, grande e frouxo, no topo da minha cabeça. De repente meu pescoço pareceu muito comprido. – É essa a aparência que uma princesa romena deve ter – disse, aproximando-se para sussurrar no meu ouvido. – Nunca mais diga que você não é inestimável, Lua. Ou que não é linda. Ou, pelo amor de Deus, que é “gorda”. Quando sentir vontade de cair nessa autocrítica ridícula e sem sentido, lembre-se de si mesma neste momento.

Ninguém nunca tinha me elogiado dessa maneira. Por um minuto ficamos ali, me admirando. Encontrei o olhar de Arthur no espelho. Naquela fração de segundo quase pude nos visualizar... Juntos. Então ele soltou meu cabelo, que caiu pelas costas. E o feitiço se quebrou quando olhei a etiqueta de preço.

– Minha nossa! Preciso tirar isso. Agora mesmo. Antes que eu sue nele ou sei lá o quê.

Arthur revirou os olhos.

– Se você precisa falar em “suar” em referência a si mesma, algo que desencorajo
enfaticamente, use a palavra perspirar.

– É sério, Arthur. Vou começar a perspirar só por causa do preço.

Arthur se curvou para olhar os números na etiqueta e deu de ombros. Entrei correndo de volta no provador, colocando minha calça jeans e amarrando o tênis
velho. O efeito princesa desaparecera. Com relutância, entreguei o vestido à vendedora, que aguardava, segurando uma linda echarpe de caxemira.

– Vou colocar na caixa para vocês.

Olhei em volta procurando Arthur e o encontrei parado no balcão, batendo um cartão de crédito no tampo de vidro.

– É caro demais – sussurrei, indo depressa até ele.

– Considere um agradecimento pelas orientações nas compras de hoje. Meu presente para sua noite de gala.

Procurei ironia ou sarcasmo nos olhos dele e não vi nada. O que isso significava? Que Arthur Vladescu estava desistindo de me cortejar? Duvido. Será?

– Obrigada – falei em dúvida.

Leigh Ann colocou cuidadosamente o vestido e a echarpe em duas caixas e as entregou a mim.

– Sucesso com o vestido.

Ela ficou bem mais calorosa depois que o cartão de crédito foi aprovado.

– Tenha um bom dia, Leigh Ann – disse Arthur, enlaçando minha cintura e me guiando para fora da loja.

– Realmente não sei o que dizer – gaguejei quando estávamos do lado de fora. – É um presente absurdo. Só o vestido custa uma fortuna e a echarpe é de caxemira.

– Sem dúvida vai fazer frio à noite e você não pode usar uma jaqueta jeans com aquele vestido.

– Bem, obrigada.

– Eu lhe disse que toda mulher merece coisas bonitas. Só espero que o Atarracado aprecie você nessa roupa. – Ele parou do lado de fora, examinando as lojas ao redor. – Não gostaria de um Morango Julius agora?



Continua...

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