– Anda, Arthur... – chamei e fui andando para
a porta.
– Estamos com um pouco de pressa, portanto
você poderia pegá-lo agora, por favor? –
pediu Arthur, sem sair do lugar. De repente
ficou muito fácil vê-lo dando ordens aos
serviçais num castelo.
A vendedora estreitou os olhos, avaliando Arthur.
Aparentemente sentiu o cheiro de
dinheiro no perfume dele, ouviu-o em seu
sotaque ou viu-o em sua pose.
– Tudo bem – bufou ela. – Já que você
insiste. – Em seguida se arrastou para a vitrine e
voltou alguns minutos depois com o vestido. –
Aqui – disse, despejando-o nos meus braços.
– Os provadores ficam no fundo.
– Obrigado – disse Arthur.
– Disponha.
Leigh Ann foi para trás do balcão e passou a
nos ignorar. Arthur me acompanhou em
direção aos provadores. Fiz com que ele parasse
na entrada, pondo uma das mãos firme sobre o peito dele.
– Espera aqui.
– Mas deixe-me ver como fica.
Na privacidade do provador, chutei meu tênis,
tirei a calça jeans e a camiseta e pus o
vestido, desejando estar com um sutiã mais
bonito. Um sutiã que fizesse jus ao vestido. Mesmo parecendo delicado, o tecido
era mais pesado e macio do que qualquer coisa que eu já houvesse provado.
Fechei o zíper nas costas até onde pude. O vestido se ajustou em volta de mim e
de repente todas as partes que eu mais odiava no meu corpo se transformaram nas
melhores. Meus seios preencheram o corpete de um jeito ainda melhor do que os
volumes angulosos e pequenos do manequim. Ao me olhar no espelho, lembrei o que
Arthur falara sobre garotas “pontudas” e a vantagem de ter curvas. Naquele
vestido, entendi o que ele queria dizer. A bainha fazia redemoinhos em volta
dos meus joelhos e dei uma rodadinha, olhando a parte da frente. As costas. O
tecido descia justo pelos meus quadris largos e folgava perfeitamente sobre a
bunda. Arthur estava certo. Eu fiquei deslumbrante.
Era como um vestido mágico.
– E então? – gritou Arthur do outro lado do
provador. – Como ficou?
– É bonito – admiti, entendendo como me
sentia de verdade. Linda.
– Então saia.
– Ah, não sei...
Eu estava meio sem graça de mostrar a ele.
Olhei para o meu peito. A pele que geralmente era coberta por blusas estava
exposta. O volume dos seios, que eu sempre tentava esconder, estava visível
para o mundo inteiro ver. Para Arthur ver. Não era obsceno, de jeito nenhum.
Mas, para mim, era revelador.
– Roberta, você prometeu.
– Ah, tá bom. – Tentei puxar o corpete um
pouco para cima, mas não adiantava. Minhas curvas se recusavam a se esconder. –
Tente não rir. Nem ficar olhando demais.
– Não vou rir – prometeu Arthur. – Não haverá
motivo
para
rir. Mas talvez eu fique
olhando.
Respirando fundo, empurrei a cortina de lado.
Arthur estava sentado na cadeira posta ali
para os maridos entediados, as pernas
compridas esticadas à frente do corpo. Mas,
quando me viu, ficou de pé em um salto, como se eu tivesse lhe dado um choque.
E juro que vi admiração em seus olhos negros.
– E aí? – Resisti à ânsia de cruzar os braços
sobre o peito quando girei para me olhar no
espelho. – O que acha?
Continua...

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