terça-feira, 1 de março de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 37



– Anda, Arthur... – chamei e fui andando para a porta.

– Estamos com um pouco de pressa, portanto você poderia pegá-lo agora, por favor? –
pediu Arthur, sem sair do lugar. De repente ficou muito fácil vê-lo dando ordens aos
serviçais num castelo.

A vendedora estreitou os olhos, avaliando Arthur. Aparentemente sentiu o cheiro de
dinheiro no perfume dele, ouviu-o em seu sotaque ou viu-o em sua pose.

– Tudo bem – bufou ela. – Já que você insiste. – Em seguida se arrastou para a vitrine e
voltou alguns minutos depois com o vestido. – Aqui – disse, despejando-o nos meus braços.

– Os provadores ficam no fundo.

– Obrigado – disse Arthur.

– Disponha.

Leigh Ann foi para trás do balcão e passou a nos ignorar. Arthur me acompanhou em
direção aos provadores. Fiz com que ele parasse na entrada, pondo uma das mãos firme sobre o peito dele.

– Espera aqui.

– Mas deixe-me ver como fica.

Na privacidade do provador, chutei meu tênis, tirei a calça jeans e a camiseta e pus o
vestido, desejando estar com um sutiã mais bonito. Um sutiã que fizesse jus ao vestido. Mesmo parecendo delicado, o tecido era mais pesado e macio do que qualquer coisa que eu já houvesse provado. Fechei o zíper nas costas até onde pude. O vestido se ajustou em volta de mim e de repente todas as partes que eu mais odiava no meu corpo se transformaram nas melhores. Meus seios preencheram o corpete de um jeito ainda melhor do que os volumes angulosos e pequenos do manequim. Ao me olhar no espelho, lembrei o que Arthur falara sobre garotas “pontudas” e a vantagem de ter curvas. Naquele vestido, entendi o que ele queria dizer. A bainha fazia redemoinhos em volta dos meus joelhos e dei uma rodadinha, olhando a parte da frente. As costas. O tecido descia justo pelos meus quadris largos e folgava perfeitamente sobre a bunda. Arthur estava certo. Eu fiquei deslumbrante.

Era como um vestido mágico.

– E então? – gritou Arthur do outro lado do provador. – Como ficou?

– É bonito – admiti, entendendo como me sentia de verdade. Linda.

– Então saia.

– Ah, não sei...

Eu estava meio sem graça de mostrar a ele. Olhei para o meu peito. A pele que geralmente era coberta por blusas estava exposta. O volume dos seios, que eu sempre tentava esconder, estava visível para o mundo inteiro ver. Para Arthur ver. Não era obsceno, de jeito nenhum.

Mas, para mim, era revelador.

– Roberta, você prometeu.

– Ah, tá bom. – Tentei puxar o corpete um pouco para cima, mas não adiantava. Minhas curvas se recusavam a se esconder. – Tente não rir. Nem ficar olhando demais.

– Não vou rir – prometeu Arthur. – Não haverá motivo para rir. Mas talvez eu fique
olhando.

Respirando fundo, empurrei a cortina de lado.

Arthur estava sentado na cadeira posta ali para os maridos entediados, as pernas
compridas esticadas à frente do corpo. Mas, quando me viu, ficou de pé em um salto, como se eu tivesse lhe dado um choque. E juro que vi admiração em seus olhos negros.

– E aí? – Resisti à ânsia de cruzar os braços sobre o peito quando girei para me olhar no
espelho. – O que acha?


Continua...

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