sexta-feira, 25 de março de 2016

Amante da fantasia - Cap. 59


Um general em um mundo antigo forjado pelas lutas. Um homem que fora criado em um campo de batalha em condições brutais, que ela nem conseguia imaginar.


- E sua esposa? - ela indagou. A mandíbula dele começou a pulsar.


- Eu menti para ela, eu a traí e a enganei e, no final, eu a matei.


Lua ficou tensa ao ouvir a declaração inesperada.


- Você a matou?


- Posso não ter sido quem tirou a vida dela, mas eu a matei da mesma forma. Se eu não... - a voz falhou e ele fechou os olhos.


- O quê? - ela indagou. - O que aconteceu?


- Eu manipulei o meu destino e o dela e, no fim, as Parcas me puniram.


Lua não deixaria aquilo passar.


- Como ela morreu?


- Ela enlouqueceu ao saber o que eu tinha feito com ela. O que Eros tinha feito... - Arthur enterrou o rosto nas mãos enquanto as lembranças o assolavam. - Eu fui um tolo em ter acreditado que Eros podia fazer alguém me amar.


Lua acariciou-lhe o rosto com gentileza e ele a encarou.


Ela estava tão bonita sentada ali... A ternura naquele olhar o maravilhou. Nenhuma mulher o fitara daquela forma. Nem mesmo Penélope.


Sempre faltava algo quando sua esposa olhava para ele. Faltava algo no toque dela. O coração, ele percebeu de repente.


Lua estivera certa. Havia diferença quando o coração não estava envolvido.


Era sutil, mas ele sempre sentira a falsidade das carícias de Penélope, escutara o vazio das palavras dela, o que o marcara profundamente, atingindo sua alma enegrecida.


De súbito, Cupido materializou-se ao lado de Mel e lançou para ele um olhar embaraçado.


- Eu esqueci uma coisa.


Arthur suspirou com irritação.


- Parece que vocês estão sempre esquecendo alguma coisa e, normalmente, é a coisa mais importante. O que você se esqueceu desta vez?


Cupido recusou-se a encará-lo.


- Como você bem sabe, está condenado a sentir-se compelido a... digamos... satisfazer a mulher que o evocar.


Arthur olhou para Lua e sua virilha se contraiu violentamente em resposta.


- Estou bastante ciente desse fato.


- Mas você está ciente do fato de que, a cada dia que ficar sem possuí-la, mais de sua sanidade vai se esvair? Ao final do mês, você será um maluco alucinado devido à privação de sexo, e a única cura é ceder. Se não fizer isso, meu irmão vai sentir tanta dor que fará a punição de Prometeu parecer à eternidade passada nos Campos Elíseos.


Mel ofegou.


- Prometeu não é o deus que, supostamente, deu o fogo para a humanidade? - perguntou Lua.


- Sim. - Cupido respondeu.


Nervosa, ela se virou para Arthur e perguntou:


- Aquele que foi acorrentado a uma pedra e tinha uma águia comendo suas vísceras todos os dias?


- E todas as noites ele se recuperava para que a ave de rapina comesse outra vez. - Arthur completou.


Os deuses certamente sabiam punir aqueles que os desagradavam. Uma raiva amarga percorreu-o enquanto ele encarava Cupido.


- Eu odeio todos vocês.



Continua...

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