Um general em um mundo antigo forjado pelas lutas. Um homem que fora
criado em um campo de batalha em condições brutais, que ela nem conseguia
imaginar.
- E sua esposa? - ela indagou. A mandíbula dele começou a pulsar.
- Eu menti para ela, eu a traí e a enganei e, no final, eu a matei.
Lua ficou tensa ao ouvir a declaração inesperada.
- Você a matou?
- Posso não ter sido quem tirou a vida dela, mas eu a matei da mesma
forma. Se eu não... - a voz falhou e ele fechou os olhos.
- O quê? - ela indagou. - O que aconteceu?
- Eu manipulei o meu destino e o dela e, no fim, as Parcas me puniram.
Lua não deixaria aquilo passar.
- Como ela morreu?
- Ela enlouqueceu ao saber o que eu tinha feito com ela. O que Eros
tinha feito... - Arthur enterrou o rosto nas mãos enquanto as lembranças o
assolavam. - Eu fui um tolo em ter acreditado que Eros podia fazer alguém me
amar.
Lua acariciou-lhe o rosto com gentileza e ele a encarou.
Ela estava tão bonita sentada ali... A ternura naquele olhar o
maravilhou. Nenhuma mulher o fitara daquela forma. Nem mesmo Penélope.
Sempre faltava algo quando sua esposa olhava para ele. Faltava algo no
toque dela. O coração, ele percebeu de repente.
Lua estivera certa. Havia diferença quando o coração não estava
envolvido.
Era sutil, mas ele sempre sentira a falsidade das carícias de Penélope,
escutara o vazio das palavras dela, o que o marcara profundamente, atingindo
sua alma enegrecida.
De súbito, Cupido materializou-se ao lado de Mel e lançou para ele um
olhar embaraçado.
- Eu esqueci uma coisa.
Arthur suspirou com irritação.
- Parece que vocês estão sempre esquecendo alguma coisa e, normalmente,
é a coisa mais importante. O que você se esqueceu desta vez?
Cupido recusou-se a encará-lo.
- Como você bem sabe, está condenado a sentir-se compelido a...
digamos... satisfazer a mulher que o evocar.
Arthur olhou para Lua e sua virilha se contraiu violentamente em
resposta.
- Estou bastante ciente desse fato.
- Mas você está ciente do fato de que, a cada dia que ficar sem
possuí-la, mais de sua sanidade vai se esvair? Ao final do mês, você será um
maluco alucinado devido à privação de sexo, e a única cura é ceder. Se não fizer
isso, meu irmão vai sentir tanta dor que fará a punição de Prometeu parecer à
eternidade passada nos Campos Elíseos.
Mel ofegou.
- Prometeu não é o deus que, supostamente, deu o fogo para a humanidade?
- perguntou Lua.
- Sim. - Cupido respondeu.
Nervosa, ela se virou para Arthur e perguntou:
- Aquele que foi acorrentado a uma pedra e tinha uma águia comendo suas
vísceras todos os dias?
- E todas as noites ele se recuperava para que a ave de rapina comesse
outra vez. - Arthur completou.
Os deuses certamente sabiam punir aqueles que os desagradavam. Uma raiva
amarga percorreu-o enquanto ele encarava Cupido.
- Eu odeio todos vocês.
Continua...

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