sexta-feira, 25 de março de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 43



– Oi, Bela. – Eu sorri, dando um tapinha firme no pescoço musculoso da minha égua appaloosa. – Pronta para se exercitar? Faltam poucas sessões de treino antes da apresentação. – Meu sorriso sumiu de repente. O concurso do Clube da Juventude seria dali a apenas algumas semanas e tinha parecido uma boa ideia quando me inscrevi, mas agora eu estava sofrendo sérios ataques de nervosismo.

Bom, era tarde demais para desistir. Não era?

Quando estendi a mão para pegar as rédeas, tirando-as de um prego da parede, ouvi uma picape parar do lado de fora do estábulo. Olhei para a porta e vi um estranho caminhar em minha direção. Um homem baixo, de macacão sujo, segurando uma prancheta.

– Pois, não? – perguntei.

– Você conhece um tal de... – Ele olhou a prancheta. – Um tal de Lou Vlad... aqui. – Ele estendeu a lista de nomes em minha direção. – Não consigo entender esse nome.
– Ah, não. – Meu coração afundou. Eu nem precisava olhar. – Vladescu. O que ele fez agora? Encomendou alguma coisa?

– É. E precisa receber esse monstro que está arrebentando meu trailer de tanto chutar.

Quero essa coisa fora de lá agora mesmo.

– Monstro?

– Estão me procurando?

Como se captasse a deixa da palavra monstro, Arthur apareceu das sombras, pegou a prancheta e uma caneta e assinou o papel.

– Espero que saiba o que está fazendo – disse o entregador, balançando a cabeça.

– Ah, mas é claro que sei.

Fui atrás enquanto Arthur e o homem passavam pela arena interna de montaria, indo na direção da porta.

– Arthur, o que você comprou?

O homem de macacão gritou por cima do ombro, respondendo por ele:– Seu amigo comprou uma égua assassina. Esse bicho devia ser sacrificado.

– Arthur?!

Todos passamos pela porta do estábulo e chegamos ao caminho de terra, onde vi um trailer usado para transportar cavalos. Sacudindo-se. Sons de pancadas fortes vinham lá de dentro.

– Você tira esse bicho de lá, garoto – insistiu o sujeito. – Não vou tocar nele de novo.

Sem hesitar, Arthur se aproximou da traseira do trailer, destrancou sua porta e a abriu.

– Ah... Arthur? Será que você deveria mesmo entrar aí?

– O garoto está morto – observou o baixinho.

Houve um som de luta, depois escutei a voz de Arthur acalmando o animal e cascos batendo em metal. Em seguida, silêncio. Um longo silêncio. Finalmente, Arthur voltou, puxando um animal muito arisco e muito forte. A égua mais negra que eu tinha visto na vida. Devia medir uns dois metros de altura. Seus olhos se reviravam enlouquecidos, mostrando a parte branca em contraste com o focinho de ébano. Recuei quando passaram, mas ela se assustou e tentou me morder.

– Fique calma – tranquilizou-a Arthur. E gritou para mim: – Desculpe -me, ela está um tanto agitada.

O entregador partiu, murmurando algo sobre crânios partidos, e eu acompanhei Arthur, que estava convencendo sua nova montaria a entrar numa baia. Ao lado da de Bela.

– Quero que elas sejam vizinhas – sorriu Arthur.

Foi minha vez de revirar os olhos.

– Maravilha.

– Calma – disse Arthur à égua de novo, enquanto ela tentava morder seus dedos. Ele apertou o focinho do animal, lutando com ela enquanto prendia seu cabresto nos dois lados da baia. Quando estava amarrada, ele a soltou e ela deu um grande salto sobre Arthur, mordendo seu antebraço. – Droga!

Firmei os pés no chão e cruzei os braços.

– Você comprou uma égua? Essa égua?


Continua...

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