A garçonete serviu-lhes a comida. Alfonso deu uma mordida na estranha
carne no pão, mas não sentia vontade de comer. Perdera o apetite.
Anahí pôs algo vermelho sobre a carne antes de colocar o pão de volta e
mordê-lo, enquanto Maite comia uma salada ensopada em um molho branco.
Olhando para cima, Anahí notou que Alfonso franzia o cenho enquanto a
observava comer. Com o rosto ainda mais atormentado do que antes, havia tanta
dureza em sua mandíbula que era óbvio que ele estava cerrando os dentes.
- Qual é o problema? - perguntou Anahí. Ele estreitou os olhos com
desconfiança.
- Você está realmente disposta a fazer o que Eros disse?
Anahí pôs o hambúrguer no prato e limpou a boca com o guardanapo.
Na verdade, ela não gostava da ideia de Alfonso usar seu corpo para
conquistar a liberdade. Um ato sexual de uma noite, sem compromissos ou
promessas. Não duvidava de que ele iria embora assim que terminassem.
Por que um homem como Alfonso iria querer ficar com ela, quando podia
ter qualquer mulher do mundo comendo em sua mão? Ainda assim, não podia
condená-lo a viver a eternidade em um livro.
Não quando ela podia libertá-lo.
- Eu quero saber toda a história de como você foi parar naquele livro. E
o que aconteceu com a sua mulher. - disse com calma.
Anahí não achou que fosse possível, mas a mandíbula de Alfonso ficou
ainda mais tensa. Ele estava tentando esconder-se de novo.
Contudo, recusou-se a deixá-lo fugir. Estava na hora de ele entender
exatamente por que a ideia de fazer sexo com ele a perturbava.
- Alfonso, você está pedindo muito de mim. Eu não tive muita experiência
com homens em situações sociais.
Ele franziu a testa.
- Você é virgem?
- Quem me dera. - ela sussurrou.
Alfonso identificou a dor nos olhos de Anahí, antes que ela desviasse o
olhar para o chão, envergonhada.
Não! Sua mente bramiu. Com certeza, ela não enfrentara aquilo que ele
estava suspeitando. Alfonso sentiu uma onda de fúria assolá-lo com a ideia.
- Você foi estuprada?
- Não. - ela murmurou. - Não... Exatamente.
A confusão dispersou sua raiva.
- Então, o que aconteceu?
- Eu era jovem e estúpida. - ela falou baixinho.
- O porco se aproveitou do fato de ela estar de luto pela morte dos
pais. - disse Maite, com rispidez. - Ele era um daqueles cretinos mentirosos
que dizem querer cuidar de você, mas que a usam e a abandonam assim que
conseguem o que querem.
- Ele a machucou? - Alfonso quis saber.
Anahí anuiu. Outra onda de raiva percorreu-o.
Não sabia por que se importava com o que acontecera com ela, mas, por
alguma razão indecifrável, ele se importava. E desejou vingar-se por ela.
Vendo que a mão de Anahí tremia, cobriu-a com a sua e acariciou
gentilmente os nós dos dedos com o polegar.
- Eu dormi com ele só uma vez. - ela prosseguiu em voz baixa. - Sei que
a primeira vez deve doer, mas não daquele jeito. E, mesmo tendo doído
fisicamente, a pior dor foi provocada pelo fato de ele não se importar. Senti
que eu estava lá apenas para servi-lo. Era como se eu não fosse nem mesmo uma
pessoa para ele.
O estômago de Alfonso se contraiu. Conhecia bem aquela sensação.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário