sexta-feira, 25 de março de 2016

Amante da fantasia - Cap. 50


- Sabem - Mel começou a falar e, pela expressão da amiga, Lua entendeu que ela tentava elevar os ânimos -, estou com um pouco de fome. Por que não comemos um hambúrguer no Hard Rock?


Arthur ergueu as sobrancelhas.


- Por que eu constantemente sinto que vocês estão falando uma língua estrangeira? O que comer um hambúrguer no Hard Rock significa?


Lua riu.


- O Hard Rock Café é um restaurante.


Ele pareceu espantado.


- Vocês comem em um lugar que anuncia que a comida é dura como pedra?


Ela riu ainda mais. Como sempre associara o nome do lugar à música rock, nunca imaginara uma interpretação como aquela!


- É muito bom. Venha, vou lhe mostrar.


Eles saíram do shopping e atravessaram o estacionamento rumo ao Hard Rock Café. Por sorte, não precisaram esperar muito até que a recepcionista os chamasse para uma mesa.


- Ei! - disse um sujeito quando eles se aproximaram da moça. - Chegamos aqui primeiro.


Ela olhou para o homem de forma cortante.


- A sua mesa ainda não está pronta. - Então, virou-se com um par de olhos melosos para Arthur e abriu um enorme sorriso. - Se puder me seguir, por favor...


A mulher balançava exageradamente os quadris ao andar. Lua lançou para Mel um olhar zombeteiro, enquanto indicava em silêncio as ações da garota.


- Não critique. Isso nos colocou na frente de dez outras pessoas.


A recepcionista os conduziu até um lugar nos fundos do restaurante.


- Agora pode ficar aqui - disse ela, tocando Arthur de leve no braço -, eu vou garantir que seu pedido chegue logo.


- O que nós somos, invisíveis? - Lua indagou, quando a moça afastou-se.


- Estou começando a achar que sim. - respondeu Mel ao acomodar-se no assento virado para a parede dos fundos.


Lua deslizou no assento oposto. Como esperado, Arthur sentou-se ao seu lado. Ela lhe entregou o cardápio.


- Eu não consigo ler isto. - disse ele, devolvendo-o.


- Oh! - Lua ficou embaraçada por não ter pensado nisso. - Acho que eles não ensinavam soldados da Antiguidade a ler.


Ele passou a mão no queixo, parecendo um pouco aborrecido com o comentário.


- Na verdade, ensinavam, sim. O problema é que me ensinaram a ler e a escrever em grego antigo, latim, sânscrito, hieróglifos egípcios e outras línguas mortas há muito tempo. 
Em suas próprias palavras, este cardápio é grego para mim.


Lua encolheu-se.


- Você não vai me deixar esquecer que escutou tudo o que eu disse a seu respeito antes que aparecesse, não é?


- Provavelmente não.


Quando ele colocou o braço sobre a mesa, Mel ofegou.


- Isso é o que eu penso que é? - indagou, tocando-lhe a mão.


Para surpresa de Lua, Arthur permitiu que Mel pegasse sua mão direita e olhasse o anel em seu dedo.


- Lu, você viu isto? - Lua inclinou-se para frente, a fim de olhar o anel.


- Na verdade, não. Eu estive um pouco distraída.


Um pouco distraída, sim! Isso seria como dizer que o Monte Everest era uma lombada.


Mesmo sob a luz fraca, o ouro reluzia. Na parte de cima, que era plana, estava gravada uma espada cercada por folhas de louro, incrustada com o que pareciam ser rubis e esmeraldas.


- É lindo. - disse Lua.


- É um anel de general, não é? - Mel indagou. - Você não era apenas um soldado comum. Você era um maldito general!


Continua...





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