sexta-feira, 25 de março de 2016

Prometida a um vampiro - Cap. 40


Houve um momento de silêncio enquanto o pobre Jake tentava pensar numa resposta àquela pergunta, o que, pela expressão dele, era quase tão palatável quanto o leite de soja.


– É... Todas essas coisas? – propôs ele finalmente.

– Estamos lendo a versão resumida – observei, feito idiota. Eu estava acostumada a morar com uma professora: sempre havia algum tipo de questionário durante o jantar. Mas será que mamãe precisava atormentar o coitado do Jake? – Talvez tenham cortado algumas metáforas...

– A baleia representa as forças ocultas da destruição que anseiam romper a superfície de um mundo complacente – intrometeu-se Arthur, falando pela primeira vez e fazendo com que todas as cabeças se virassem na sua direção.

– Hein? – reagiu Jake, claramente desconcertado. Depois se controlou e me lançou um olhar sem graça.

– Eu gosto da baleia – acrescentou Arthur mal-humorado, ainda encarando seu prato. – E de Ahab. Eles sabiam o que era persistência. Sabiam esperar o momento adequado. – Ele ergueu os olhos negros e me lançou um olhar tão afiado quanto suas presas. – E aceitavam seu destino mútuo, por mais desagradável que fosse.


Não. Meu estômago ficou embrulhado. Se Arthur começar a falar do noivado, Jake vai fugir para as montanhas. E por que Arthur está se referindo ao destino comigo como “desagradável”, afinal? Está sugerindo que se casar comigo seria tão ruim quanto ficar amarrado a uma baleia agonizante?

– Ô, Arthur, como foi o treino de basquete? – perguntei, tentando desesperadamente mudar de assunto e deixar a conversa sob controle.

– Vi você na quadra, cara – observou Jake. – Você está, tipo, no nível da NBA. Poderia levar o time para o campeonato estadual com aquele arremesso de três pontos. Acertou todos nos treinos.

– Ah, é, os treinos – disse Arthur, entediado.

– “Treinar é aprimorar” – sugeriu Jake.

– Treinar é se entediar – contrapôs Arthur, sem olhar para Jake. – Prefiro a competição.

– Você pratica luta, não é, Jake? – perguntou papai, passando mais saag para nosso convidado.


 Meus pais estavam na fase da comida indiana. A entrada da noite consistia em espinafre murcho. Só nos meus sonhos a gente receberia as visitas com um churrasco. Jake observou cauteloso o conteúdo verde e mole mas aceitou a tigela.


– É. Sou o capitão do time este ano.

– Que coisa mais greco-romana... – comentou Arthur secamente, levantando um bocado de espinafre e deixando-o pingar do garfo – ficar se embolando num tatame.

Jake me lançou um olhar confuso. Respondi com um dar de ombros que queria dizer “ignore o aluno de intercâmbio ranzinza”.

Mamãe jogou o guardanapo na mesa.


– Arthur, será que posso falar com você na cozinha?


Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71