sexta-feira, 25 de março de 2016

Amante da fantasia - Cap. 55




Arthur encarou-a, sentindo-se atordoado conforme as palavras de Lua o atingiam.


Seria possível? Ousaria acreditar naquilo? Poderia atrever-se a ter esperança, após todo aquele tempo?


- Seu sobrenome é Blanco? - ele indagou descrente.


- Sim. - ela respondeu, com um sorriso lento e encorajador surgindo em seu rosto.


Cupido lançou a Arthur um olhar aguçado.


- E as partes íntimas de vocês dois já se conheceram?


- Não. - Arthur retrucou.


E pensar que ele estivera bravo por causa disso. Lua o salvara de cometer o terceiro maior erro de sua vida. Naquele momento, ele poderia beijá-la.


O irmão sorriu.


- Bem, eu serei amaldiçoado. Ou você se livrará da maldição, eu diria. Nunca conheci uma mulher que pudesse estar perto de você por mais de dez minutos sem...


- Cupido - Arthur interrompeu-o antes que ele começasse a discorrer longamente sobre o número de mulheres com quem dormira -, você tem mais alguma informação para dar?


- Apenas isso. O rompimento da maldição que mamãe descobriu depende de Príapo não descobrir. Caso fique sabendo, ele poderia frustrar tudo com um de seus horríveis feitiços.


Arthur cerrou os punhos ao lembrar-se claramente de algumas das maldades do meio-irmão.


Por algum motivo que ele nunca chegara a compreender, Príapo o odiara desde que nascera. E, ao longo dos anos, havia conferido um novo significado à rivalidade entre irmãos.


Arthur tomou um gole de sua bebida.


- Ele não vai descobrir, a não ser que você conte.


- Não olhe para mim. - disse Cupido. - Eu não ando com a turma dele. Você me confundiu com o primo Dion. E, falando nisso, preciso ir encontrar meus companheiros. Planejamos fazer um grande tributo ao velho Baco esta noite. - Ele estendeu a mão com a palma para cima e pediu: - Meu arco, por favor.


Com cuidado para não ser atingido, Arthur pegou-o no bolso e devolveu-o. Foi então que ele avistou um raro e honesto olhar de afeição do irmão mais velho.


- Estarei por perto se precisar de mim. É só dizer meu nome... Aquele que não é Cupido. E, por favor, deixe de lado a parte do bastardo imprestável. Minha nossa! - ele sorriu com malícia. - Eu devia ter percebido que era você.


Arthur não disse nada, lembrando-se do que acontecera da última vez em que ele aceitara a oferta do irmão.


Cupido levantou-se, olhou para Lua e Mel e sorriu para Arthur.


- Boa sorte ao conquistar sua liberdade. Que a força de Ares e a sabedoria de Atena o ajudem.


- E que Hades asse a sua velha alma.


Cupido riu.


- Tarde demais. Ele fez isso no terceiro século, e não foi tão ruim. Até mais, irmãozinho.


Arthur ficou em silêncio enquanto Cupido saía do restaurante como um ser humano quase normal.


Continua...

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