Arthur encarou-a, sentindo-se atordoado conforme as palavras de Lua o
atingiam.
Seria possível? Ousaria acreditar naquilo? Poderia atrever-se a ter
esperança, após todo aquele tempo?
- Seu sobrenome é Blanco? - ele indagou descrente.
- Sim. - ela respondeu, com um sorriso lento e encorajador surgindo em
seu rosto.
Cupido lançou a Arthur um olhar aguçado.
- E as partes íntimas de vocês dois já se conheceram?
- Não. - Arthur retrucou.
E pensar que ele estivera bravo por causa disso. Lua o salvara de
cometer o terceiro maior erro de sua vida. Naquele momento, ele poderia
beijá-la.
O irmão sorriu.
- Bem, eu serei amaldiçoado. Ou você se livrará da maldição, eu diria.
Nunca conheci uma mulher que pudesse estar perto de você por mais de dez
minutos sem...
- Cupido - Arthur interrompeu-o antes que ele começasse a discorrer
longamente sobre o número de mulheres com quem dormira -, você tem mais alguma
informação para dar?
- Apenas isso. O rompimento da maldição que mamãe descobriu depende de
Príapo não descobrir. Caso fique sabendo, ele poderia frustrar tudo com um de
seus horríveis feitiços.
Arthur cerrou os punhos ao lembrar-se claramente de algumas das maldades
do meio-irmão.
Por algum motivo que ele nunca chegara a compreender, Príapo o odiara
desde que nascera. E, ao longo dos anos, havia conferido um novo significado à
rivalidade entre irmãos.
Arthur tomou um gole de sua bebida.
- Ele não vai descobrir, a não ser que você conte.
- Não olhe para mim. - disse Cupido. - Eu não ando com a turma dele.
Você me confundiu com o primo Dion. E, falando nisso, preciso ir encontrar meus
companheiros. Planejamos fazer um grande tributo ao velho Baco esta noite. -
Ele estendeu a mão com a palma para cima e pediu: - Meu arco, por favor.
Com cuidado para não ser atingido, Arthur pegou-o no bolso e devolveu-o.
Foi então que ele avistou um raro e honesto olhar de afeição do irmão mais
velho.
- Estarei por perto se precisar de mim. É só dizer meu nome... Aquele
que não é Cupido. E, por favor, deixe de lado a parte do bastardo imprestável.
Minha nossa! - ele sorriu com malícia. - Eu devia ter percebido que era você.
Arthur não disse nada, lembrando-se do que acontecera da última vez em
que ele aceitara a oferta do irmão.
Cupido levantou-se, olhou para Lua e Mel e sorriu para Arthur.
- Boa sorte ao conquistar sua liberdade. Que a força de Ares e a
sabedoria de Atena o ajudem.
- E que Hades asse a sua velha alma.
Cupido riu.
- Tarde demais. Ele fez isso no terceiro século, e não foi tão ruim. Até
mais, irmãozinho.
Arthur ficou em silêncio enquanto Cupido saía do restaurante como um ser
humano quase normal.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário