Ele tinha ido ajudar a um
de seus atribuídos que estava doente. Devido a sua enfermidade, seus sonhos
eram extremamente vivos e emocionais—tanto que um dos Skoti ficou preso a ela.
Tal coisa era comum e inclusive tolerada. Os Skoti se alimentavam de emoções
humanas, sempre e quando se mantivessem sob controle e não conduzissem os
sonhos ou se intrometessem na vida dos humanos, tinham permissão para drenar
aos humanos. Só quando o Skoti começava a voltar repetidas vezes e tomavam o
controle do anfitrião eram castigados.
Os humanos possuíam mentes frágeis. A volta contínua de um
Skoti poderia facilmente tornar louco ao humano ou convertê-lo em um homicida.
No pior dos casos, um Skotos poderia inclusive matar o humano, essa sendo a
razão pelo que os Oneroi os monitoravam. Se um Skoti passava muito tempo com
seu anfitrião, era então era à hora dos Oneroi entrar e expulsá-los.
Se tudo isso falhava, o Oneroi mataria o Skotos.
Uma vez, a vida do Thur tinha estado dedicada a proteger aos
humanos. Para não sentir nada e seguir tão somente as ordens da elite dos
Oneroi. Nessa época, ele tinha vencido a numerosos Skoti sem entender ou
preocupar-se de por que eles procuravam os humanos da maneira como o faziam.
Por que eles sentiam uma imperiosa necessidade de arriscar suas vidas por essa
busca.
E então uma noite… não, um encontro tinha mudado isso e
trouxe junto uma clarividência que ainda ressonava nele.
Nascido de uma mãe humana e do deus dos sonhos Phobetor,
Solin vivia na Terra, mas de noite ele corria incontido nos sonhos de outros
humanos. Completamente amoral, não lhe importava o que fazia a outros sempre e
enquanto obtivesse sua própria satisfação.
Durante séculos os Oneroi tinham estado tentando deter e
apanhar ao Solin. Ele era um dos poucos Skoti que tinham sido condenados a
sentença de morte. Seus vorazes apetites e suas habilidades na luta eram
legendárias entre os Oneroi que tinham sido o bastante desafortunados para
enfrentar-se a ele.
E Thur tinha sido um deles.
Ainda jovem àquela época, Thur tinha pensado em agarrar o Solin por acaso
mesmo.
A maioria dos Skoti sentiam a aproximação de um Oneroi. Os
Oneroi tinham completamente carta branca pelos outros deuses para fazer o que
tivessem que fazer para controlar aos Skoti. Dado que um Skotos podia drenar as
emoções de quase qualquer humano, eles normalmente se foram sem demora e não
perdiam o tempo lutando quando simplesmente podiam ir a algum outro lugar.
Mas Solin era mais forte que a maioria. Mais duro. Em vez de
fugir como Thur tinha esperado, Solin tinha voltado contra o pobre humano.
Devido às suas leis, a Thur era proibido ferir aos humanos, e Solin sabia. Thur
tinha tentado afastá-lo dele sem fazer dano, mas no momento em que os lábios
dela tocaram os seus e provou sua luxúria, algo no interior dele se rompeu.
Ele tinha sentido prazer e tinha despertado pela primeira
vez em sua vida.
E quando a humana caiu de joelhos e tomou-o em sua boca,
tinha sabido que sua guerra estava perdida e sua convicção feita pedaços. Em um
só pulsado de coração, tinha-se voltado Skoti.
Ele tinha sido um Skoti após.
Oscilando de um sonho ao seguinte, ele tinha estado
procurando todos esses séculos a alguém que elevasse suas emoções ao nível
dessa primeira noite. Mas ninguém se aproximou.
Ninguém até a Lua.
Só ela era capaz de alcançar o vazio em seu interior e lhe
fazer ver vívidas cores outra vez. Fazer com que ele sentisse suas emoções.
Depois de todos esses séculos, ele finalmente entendia por que os Skoti se
negavam a deixar seus companheiros.
Por que estavam dispostos a arriscar-se a morrer.
Devido à Lua, ele queria saber como era o mundo através dos
olhos dela. Como ela era. Como se sentia. E sua habilidade para manter-se
afastada dele estava começando a afetá-lo seriamente.
Mas o que podia fazer? Inclusive se ele fosse a terra para
estar perto dela, ele não poderia realmente senti-la ou a seu ambiente.
Ele queria sua paixão. Sua força vital.
Possivelmente houvesse uma maneira de tocá-la…
Thur se deteve ante esse pensamento. Era verdade que ambos,
Oneroi e Skoti podiam tomar forma humana no reino mortal, mas por causa de sua
maldição, eles ainda careciam de emoções. Assim qual seria a diferença? Eles
eram frios e estéreis, e incapazes de sentir em sua forma humana como o eram em
sua própria forma de deuses.
Isso não era o que ele
queria.
Não, ele queria ser
humano. Queria sentimentos e emoções de maneira que ele pudesse senti-la ao
máximo.
Isso é impossível.
Ou não era? Havia deuses, com poderes de Deus. Por que
deveria tal coisa ser inalcançável?
Seus poderes não eram
capazes de tal coisa. Zeus tinha se assegurado disso quando os castigou por
tratar de forçar seus sonhos.
Por outra parte, Thur não
tinha esses poderes. Mas havia outros deuses cujos poderes superavam com
acréscimo aos seus. Deuses que podiam fazê-lo humano se assim queriam.
Zeus nunca faria tal
coisa, pois odiava muito aos deuses do Sonho. Seus filhos lhe tinham muito medo
para tentá-lo. Mas seus irmãos… Eles
eram um assunto completamente diferente.
E Thur sabia com qual fazer o trato.
Hades. O deus do Inframundo não tinha medo de ninguém nem de
nada. Seus poderes eram mais que comparáveis aos dos outros, e o melhor de
tudo, ele odiava aos outros deuses tanto como eles o odiavam.
Continua...

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