quarta-feira, 16 de março de 2016

Amante da fantasia - Cap. 48


- Devo estar sonhando. - ela sussurrou. - Ou assisti a episódios demais de Xena, a princesa guerreira. - Ela ficou imóvel enquanto se esforçava para digerir tudo aquilo. - Isso não pode ter sido real. Deve ter sido algum tipo de alucinação.



Arthur deu um suspiro cansado.



- Gostaria de ter a opção de acreditar nisso.



- Meu Deus, aquele era Cupido! - Mel exclamou excitadamente.



- Cupido! O verdadeiro. O pequeno e gracioso querubim que parte corações. - Arthur zombou dessas palavras. - Cupido é qualquer coisa, exceto gracioso. Quanto aos corações, é mais provável que ele os arranques.



- Mas ele pode fazer as pessoas se apaixonarem.



- Não. - Arthur apertou o colar com mais força. - O que ele oferece é uma ilusão. Nenhum poder do além pode fazer um humano amar outro. O amor vem de dentro do coração.



Havia um tom assombrado na voz dele. Lua encarou-o.



- Você diz isso como se soubesse.



- Eu sei.



Ela sentia a dor de Arthur como se fosse a sua. Tocou-o de leve no braço.



- Foi isso o que aconteceu com Penélope? - perguntou baixinho.



Com uma expressão torturada, ele desviou o olhar.



- Há algum lugar onde eu possa cortar o meu cabelo? - ele indagou inesperadamente.



- O quê? - Lua perguntou, sabendo que ele mudava de assunto para evitar responder sua pergunta. - Por quê?



- Não quero nada que me lembre deles.



O pesar e o ódio naquele rosto eram tangíveis. Com relutância, ela assentiu.



- Há um lugar no shopping.



- Por favor, me leve até lá.



Lua conduziu Arthur e Mel até o salão de beleza no Jackson Brewery. Ninguém falou mais nada até que a cabeleireira o acomodou na cadeira.



- Tem certeza de que quer que eu corte isto? - a mulher perguntou, passando as mãos com adoração pelos longos cachos negros. - São deslumbrantes. A maioria dos homens fica horrível com cabelos compridos, mas eles caem muito bem em você e são tão bonitos e macios! Eu adoraria saber o que usa para condicioná-los.



A face de Arthur permaneceu impassível.



- Corte-os.



A delicada morena olhou para Lua por sobre o ombro.



- Sabe, se eu pudesse passar a minha mão nestes cabelos, ficaria um pouco aborrecida por ele querer decepá-los.



Lua sorriu para si mesma. Se a mulher soubesse...




Continua...

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