- Arthur? - ela o chamou, tirando-o de seu devaneio. - Como o Cupido usa
isto?
- Ele pode encolher até ficar do tamanho desse arco ou pode aumentar o
arco para adaptar-se aos seus propósitos.
- É mesmo? - Mel indagou. - Eu não sabia disso.
A garçonete apressou-se até eles, pegando o bloquinho enquanto olhava
para Arthur com cobiça, como se ele fosse o prato do dia. De forma
imperceptível, ele deslizou o arco sobre a mesa e colocou-o de volta no bolso.
- Desculpe ter feito você esperar. Se eu soubesse que não tinha sido
atendido, eu teria vindo até aqui no minuto em que se sentou.
Lua franziu o cenho para a moça.
Diabos, Arthur não podia ficar cinco segundos sem que alguma mulher se
atirasse nele?
Isso inclui você? O pensamento a fez refletir.
Ela era como todas as outras. Admirando o traseiro firme, babando ante o
corpo perfeito. Era um milagre que Arthur suportasse permanecer perto dela.
Afundando-se no assento, Lua prometeu a si mesma que não o trataria
daquela forma.
Ele não era um pedaço de carne. Era uma pessoa e merecia ser tratado com
respeito e dignidade.
Ela fez os pedidos dos três e, quando a garçonete voltou com as bebidas,
serviu-lhes uma porção de asinhas de frango fritas.
- Não pedimos isso. - disse Mel.
- Eu sei. - a garota respondeu e sorriu para Arthur. - Estamos muito
ocupados na cozinha, e a comida vai demorar alguns minutos a mais para ficar
pronta. Achei que podia estar com fome e trouxe isto. Se não gostar, posso
pegar outra coisa. Mas não se preocupe, é por conta da casa. Então, você
prefere outra coisa?
Oh, o duplo sentido era óbvio e fez Lua querer agarrar os cabelos
loiro-avermelhados e arrancá-los pela raiz.
- Está ótimo, obrigado. - Arthur respondeu.
- Oh, meu Deus, você poderia falar algo mais para mim? - a garota pediu,
praticamente desfalecendo. - Oh, diga o meu nome! É Mary.
- Obrigado, Mary.
- Oh... - a garota murmurou. - Isso me dá arrepios.
Com um último olhar desejoso para Arthur, ela se afastou.
- Não acredito nisso. - disse Lua. - As mulheres sempre fazem isso com
você?
- Sim. - respondeu Arthur, em tom raivoso. - É por isso que odeio ir a
lugares públicos.
- Não reclamem. - Mel pegou uma asinha de frango. - Isso é bem
conveniente. Na verdade, acho que deveríamos levá-lo para sair com mais
frequência.
Lua emitiu um ruído de escárnio.
- Sim, bem, se aquela criatura rabiscar o nome e o telefone na conta
antes de entregá-la, eu serei obrigada a machucá-la.
Mel gargalhou.
Antes que Lua pudesse dizer algo, o Cupido entrou no restaurante e se
aproximou da mesa.
O lado esquerdo de seu rosto revelava uma clara contusão onde Arthur o
acertara. Ele tentava parecer despreocupado, mas Lua sentia a tensão, como se
ele estivesse preparado para fugir a qualquer momento.
Ele franziu o cenho ao avistar os cabelos curtos de Arthur, mas, sem
dizer nada, sentou-se ao lado de Mel.
- E então? - Arthur indagou.
Cupido suspirou.
- Você quer as notícias más ou as piores?
Continua...

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