A
voz veio de alguém atrás de nós dois.
Epa.
Arthur
e eu nos viramos e vimos Faith Crosse, curiosa e meio confusa, observando nossa
discussão. Seus braços levemente bronzeados estavam cruzados sobre a camiseta
justa de líder de torcida e o rabo de cavalo louro balançava, brilhando à luz
fraca, enquanto ela inclinava a cabeça.
–
Você chamou Arthur de vampiro?
Gaguejei,
procurando uma explicação.
–
Ele... ele está sugando toda a minha energia vital – respondi finalmente.
–
Roberta vive me dando apelidos. – Arthur sorriu, sem graça. E estendeu a mão. –
É um prazer vê-la fora da sala de aula, Faith.
Ah, meu pai.
Faith
pareceu um tanto surpresa, mas estendeu a mão também.
–
Ah... Você também, Arthur.
Arthur
não apertou a mão dela. Beijou-a de leve.
–
Encantado, como sempre.
–
Uau. Isso foi diferente. – Faith puxou a mão de volta, dirigindo-se a mim, a
cavalariça, como se só agora me notasse. – Oi, Jo.
–
É Ro.
–
Certo. – Mas a atenção de Faith havia se desviado de novo, para o animal sem nome.
– Que égua linda. Vi quando você a trouxe para dentro. Mas parece perigosa.
Arthur
soltou a outra corda, libertando seu novo bicho de estimação.
–
Acredito que os cavalos, como as pessoas, são maçantes quando totalmente
domados. Prefiro um pouco de determinação.
O
animal sacudiu a cabeça, mas Arthur o tranquilizou:
–
Calma, calma. – Então se dirigiu a Faith e a mim: – Ela foi maltratada,
coitadinha. Teve uma infância desagradável.
–
Desagradável? – perguntou Faith, inclinando a cabeça.
–
Nunca chegue perto dela com um chicote – alertou Arthur. – Foi o que o antigo
dono recomendou com muita ênfase. Parece que o primeiro proprietário tinha a mão
muito pesada.
Criada no chicote.
Pensei na confissão de Arthur sobre levar surras dos tios.
Repetidamente.
Imaginei se teria escolhido aquela égua de propósito, por
causa
da conexão cruel que compartilhavam. Parecia típico dele.
Faith
e eu recuamos, abrindo caminho enquanto Arthur guiava a égua para fora da baia.– Você vai montar nela? –
indaguei, incrédula.
Arthur
franziu a testa.
–
É o que nós fazemos com os cavalos, certo?
–
Eu tenho uma sela extra. – ofereceu Faith.
Olhei-a
furiosa.
–
Não! – gritei. – Está falando sério? – Faith não era o tipo de pessoa que a
gente podia questionar, mas não pude acreditar que ela achava que Arthur
deveria tentar montar naquela égua que tinha uma expressão diabólica nos olhos
e a mania de morder. – Arthur, nem pense nisso.
Continua...

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