sábado, 22 de agosto de 2015

Casamento por conveniência


Cap.34


— Essa é uma decisão muito radical — respondeu Katia.


— Não vejo futuro para nós diante dessas circunstâncias.


— É claro. Mas me diga, Lua, quais são as atuais circunstâncias?


Lua hesitou. O que poderia dizer? Que pensava que amava um ho­mem que obviamente a via como um artigo de conveniência? Que saber que ele a deixara para ver outra mulher a estava quase matando?

— Lua, sou muito mais velha do que você, e talvez possa ter uma idéia melhor do que está acontecendo — disse Dona Katia. — Por favor, corrija-me se eu estiver errada, querida, mas eu estou certa se disser que você sente alguma coisa por meu filho?


Engolindo em seco mais uma vez, Lua assentiu.


— E por isso que seria impossível suportar — ela murmurou. — Totalmente impossível. Sei que algumas mulheres conseguem, mas eu não poderia vê-lo sair todos os dias sem saber se... ele estaria indo vê-la.


— E nem deveria passar por uma coisa dessas — respondeu Katia.


— O melhor é pôr logo um fim em tudo — disse Lua, suspirando. — Jamais deveríamos ter sido forçados a essa situação. Não é natural. Creio que Arthur também tenha sido muito pressionado.


— Tolice. Vocês dois sabiam o que estavam fazendo e acho que devem uma chance um ao outro. Um divórcio ao primeiro sinal de crise é para os covardes, Lua, e tenho a impressão de que este não é o seu caso — ela terminou.


— Não quero fugir, se é o que a senhora quer dizer — respondeu Lua. Ela ainda não pensara no problema sob essa perspectiva.


Dona Katia pensou em dizer a Lua o que o filho dissera a ela por telefone, que o caso com Luísa estava definitivamente terminado. Mas depois de refletir por um momento, decidiu não contar. Eles mesmos deveriam resolver seus assuntos. Achava que era hora de Arthur aparecer e lutar por aquilo que ela tinha certeza que ele real­mente desejava. Mal podia esperar para ver a reação dele quando Lua pedisse o divórcio. Não lhe faria mal perceber que as coisas não estavam se encaminhando do jeito que ele gostaria.


Não lhe faria mal nem um pouco, na verdade.

Continua...

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