Cap. 37
Lua hesitou.
— Não confio em você.
Arthur se afastou e seu rosto foi tomado
por uma expressão rígida e dura.
— Sei. Então realmente não há muito
para conversarmos. Espero que você tenha um bom dia. — Curvando-se ligeiramente
numa irônica saudação, ele virou-se e caminhou para fora da sala, deixando Lua
sozinha, totalmente aturdida.
Não era aquilo que ela queria dizer.
Bem, não exatamente. Talvez tivesse se expressado mal. O que fizera, ela
pensou, lembrando da expressão proibitiva dele quando partiu. Não queria
insultá-lo ou machucá-lo. E agora era tarde demais.
Um soluço subiu em sua garganta e ela
se atirou no sofá, onde se entregou a um choro longo e tempestuoso, que pouco
alívio lhe trouxe.
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— Quero um relatório completo sobre
as empresas de petróleo Carvajal — disse Arthur a Morton, o último secretário
pessoal de Billy na Carvajal, que agora trabalhava como assistente dele nos
escritórios das empresas. — E peça uma auditoria nas empresas de importação e
exportação também, por favor.
— Sim, senhor. Só isso?
— Por enquanto, sim. Obrigado,
Morton. O sr. Wilfred já chegou?
— Ele deve chegar por volta das dez
horas, senhor. Devo dizer que o senhor quer conversar com ele?
— Por favor. E com Andrew Trenton
também. Eles sempre chegam tão tarde?
— Normalmente chegam às dez —
respondeu Morton com desconforto, sentindo desaprovação no tom do novo chefe.
— Ah, bem. Por favor, avise-os que
preciso falar com eles, certo?
— É claro, senhor.
Depois disso, Morton se retirou e Arthur
começou a trabalhar em alguns arquivos. Tinha que se familiarizar com todas as
empresas Carvajal, sua movimentação financeira, seu gerenciamento. Além disso,
era uma excelente maneira de tentar tirar Lua da cabeça.
Depois da conversa desastrosa no
outro dia, ele voltara para Londres e encontrara a mãe sozinha na sala de
estar de Eaton Square.
— E então, querido? Encontrou Lua? —
ela perguntou.
— Sim.
— E?
— É uma pena, mas as coisas não foram
bem. Ela está falando em divórcio. — Ele sentou-se no sofá. — Não sei qual é o
problema com ela. Não foi tão terrível assim.
— Mesmo? Você acha que o fato de uma
moça recém-casada encontrar a amante do marido com ele em um restaurante é algo
rotineiro que ela não deveria considerar?
— Não foi isso que eu disse —
respondeu Arthur, irritado. Ele sabia muito bem que parecia estar errado e não
precisava de ninguém cutucando a ferida.
— Hum-hum. Então o que você disse?
— Que não há necessidade de fazer
tanto alvoroço por causa disso. Ela nem me deixou explicar.
Dona Katia olhou para ele de forma inquiridora.
— Você já pensou em como essa moça
deve ter se sentido?
— Claro que sim.
— Aqui está ela, atirada em um
casamento arranjado, logo depois de ter perdido o avô que adorava lançada em
uma sociedade formada por pessoas que jamais vira antes, consideravelmente mais
velhas e mais sofisticadas do que ela, e de uma cultura diferente. E para piorar,
ainda tem que saber lidar com uma situação dessas? Você não acha que está
esperando demais?
— Na verdade, ela lidou com a
situação brilhantemente — ele disse, olhando para o chão. — Foi tão digna e
tranqüila que se poderia pensar que sempre lidou com coisas assim.
— Bom para ela. Isso não quer dizer
que esteja preparada para lidar com seu estilo de vida.
— Nunca pretendi manter Luísa na
minha vida.
— Você já me falou isso — disse Katia.
— O problema é que não esclareceu isso para Lua.
— Ela não quer me ouvir.
— Se eu fosse você — falou Dona Katia
—, daria um tempo e esperaria a poeira baixar. A vida tem uma forma engraçada
de cuidar das coisas.
Arthur observou a mãe sair da sala.
Ele não agüentaria esperar. Mas... sua mãe tinha uma misteriosa forma de estar
sempre correta, que ficaria em Londres e se familiarizaria com os assuntos de Billy.
Afinal, tinha uma obrigação moral. Dera a ele sua palavra, e independentemente
do curso de seu casamento, não renegaria isso.
Continua...

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