domingo, 30 de agosto de 2015

Casamento por conveniência



Cap. 37

 Lua hesitou.

— Não confio em você.

Arthur se afastou e seu rosto foi tomado por uma expressão rígida e dura.


— Sei. Então realmente não há muito para conversarmos. Espero que você tenha um bom dia. — Curvando-se ligeiramente numa irô­nica saudação, ele virou-se e caminhou para fora da sala, deixando Lua sozinha, totalmente aturdida.


Não era aquilo que ela queria dizer. Bem, não exatamente. Talvez tivesse se expressado mal. O que fizera, ela pensou, lembrando da expressão proibitiva dele quando partiu. Não queria insultá-lo ou ma­chucá-lo. E agora era tarde demais.


Um soluço subiu em sua garganta e ela se atirou no sofá, onde se entregou a um choro longo e tempestuoso, que pouco alívio lhe trouxe.

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— Quero um relatório completo sobre as empresas de petróleo Carvajal — disse Arthur a Morton, o último secretário pessoal de Billy na Carvajal, que agora trabalhava como assistente dele nos escritórios das empresas. — E peça uma auditoria nas empresas de importação e exportação também, por favor.


— Sim, senhor. Só isso?


— Por enquanto, sim. Obrigado, Morton. O sr. Wilfred já chegou?


— Ele deve chegar por volta das dez horas, senhor. Devo dizer que o senhor quer conversar com ele?


— Por favor. E com Andrew Trenton também. Eles sempre che­gam tão tarde?


— Normalmente chegam às dez — respondeu Morton com des­conforto, sentindo desaprovação no tom do novo chefe.


— Ah, bem. Por favor, avise-os que preciso falar com eles, certo?


— É claro, senhor.


Depois disso, Morton se retirou e Arthur começou a trabalhar em alguns arquivos. Tinha que se familiarizar com todas as empresas Carvajal, sua movimentação financeira, seu gerenciamento. Além disso, era uma excelente maneira de tentar tirar Lua da cabeça.


Depois da conversa desastrosa no outro dia, ele voltara para Lon­dres e encontrara a mãe sozinha na sala de estar de Eaton Square.


— E então, querido? Encontrou Lua? — ela perguntou.


— Sim.


— E?


— É uma pena, mas as coisas não foram bem. Ela está falando em divórcio. — Ele sentou-se no sofá. — Não sei qual é o problema com ela. Não foi tão terrível assim.


— Mesmo? Você acha que o fato de uma moça recém-casada encontrar a amante do marido com ele em um restaurante é algo rotineiro que ela não deveria considerar?


— Não foi isso que eu disse — respondeu Arthur, irritado. Ele sabia muito bem que parecia estar errado e não precisava de ninguém cutucando a ferida.


— Hum-hum. Então o que você disse?


— Que não há necessidade de fazer tanto alvoroço por causa dis­so. Ela nem me deixou explicar.


Dona Katia  olhou para ele de forma inquiridora.


— Você já pensou em como essa moça deve ter se sentido?


— Claro que sim.


— Aqui está ela, atirada em um casamento arranjado, logo depois de ter perdido o avô que adorava lançada em uma sociedade formada por pessoas que jamais vira antes, consideravelmente mais velhas e mais sofisticadas do que ela, e de uma cultura diferente. E para pio­rar, ainda tem que saber lidar com uma situação dessas? Você não acha que está esperando demais?


— Na verdade, ela lidou com a situação brilhantemente — ele disse, olhando para o chão. — Foi tão digna e tranqüila que se pode­ria pensar que sempre lidou com coisas assim.


— Bom para ela. Isso não quer dizer que esteja preparada para lidar com seu estilo de vida.


— Nunca pretendi manter Luísa na minha vida.


— Você já me falou isso — disse Katia. — O problema é que não esclareceu isso para Lua.


— Ela não quer me ouvir.


— Se eu fosse você — falou Dona Katia —, daria um tempo e esperaria a poeira baixar. A vida tem uma forma engraçada de cuidar das coisas.


Arthur observou a mãe sair da sala. Ele não agüentaria esperar. Mas... sua mãe tinha uma misteriosa forma de estar sempre correta, que ficaria em Londres e se familiarizaria com os assuntos de Billy. Afinal, tinha uma obrigação moral. Dera a ele sua palavra, e independentemente do curso de seu casamento, não renegaria isso.

Continua...



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