Cap. 17
A percepção repentina levou-a a planejar como conseguir alguns momentos livres para ligar para ela. Como pudera ser tão imprevidente e descuidado? Arthur olhou para Lua e notou que, para sua surpresa, ela ocupara todo seu pensamento desde o momento em que sobre ela pousara os olhos, e que desde esse dia ele mal pensara em Luísa. Mas seria descortês e insensível de sua parte permitir que a mulher com a qual passara a melhor parte de seu tempo livre nos últimos dois anos soubesse de seu casamento pela imprensa.
Estranhamente, a ideia inicial de manter Luísa como amante parecia fora de cogitação após a noite anterior. Ele cruzou as pernas. Só de lembrar dos acontecimentos da noite passada, houve uma alteração constrangedora em seu estado físico.
Pare, ele ordenava a si mesmo. Pare de agir como um adolescente com overdose de hormônios. Ele tentou pensar em coisas que amenizassem seu ardor. Mas nada era o bastante para ajudá-lo.
Eles passaram aquela noite em Thurston Manor. Lua deixou claro que eles dormiriam em quartos separados. Arthur estava prestes a protestar, mas rapidamente percebeu que ela podia estar precisando ficar sozinha naquele momento difícil, então calou-se.
Os pensamentos de Lua estavam concentrados em seu avô, lá em cima, onde ela passara boa parte da tarde, sentada quieta na cadeira ao lado da cama, abraçando a mão frágil de Billy e rezando para que um milagre o salvasse.
Apesar de seu desejo inicial de transferi-lo para um hospital, ela ouviu as palavras da sogra, que sugeriu que Billy talvez estivesse mais feliz ali.
Depois, Arthur conversou com ela nos mesmos termos, e ainda que tivesse um profundo desejo de ignorá-lo — já que o julgava de certa forma responsável pela ausência dela — e de colocar seu avô em um helicóptero em direção a um hospital, ela ouviu a verdade dolorosa.
— Lua, sei o quanto é difícil para você aceitar, mas acredito que você deva encarar o fato de que o fim está chegando — disse Arthur, quando eles estavam sozinhos no corredor. Ele não tentou pegar a mão dela ou se aproximar, e manteve-se afastado. Mas ele não pode estar tão doente. Tem que haver uma solução — ela repetia pela centésima vez. — Certamente alguma coisa pode ser feita.
— Você ouviu o médico, querida — ele disse, gentilmente, mas com firmeza. — Não há muito a ser feito, a não ser deixá-lo o mais confortável possível.
Então Lua virou com os olhos cheios de lágrimas e correu pela escada, enquanto ele a observava, com a mão apoiada no corrimão, sentindo que era melhor deixá-la só.
Novamente Arthur quis questionar os quartos separados. Não por seu desejo, mas porque queria abraçá-la, tomá-la em seus braços e oferecer-lhe o conforto que lhe sabia necessário. Mas percebendo que ela ficaria distante, ele preferiu manter-se quieto. Haveria tempo suficiente para consolá-la quando do passamento de Billy, quando ela percebesse que tudo aquilo era real. Como o velho cavalheiro fora sábio ao prever toda a situação tão claramente, ele refletiu. Logo seria sua vez de dar à esposa o tipo de suporte de que ela precisaria.
Além disso, a noite sozinho daria a ele a oportunidade de fazer o necessário telefonema para Luísa. E quando chegou em seu quarto, Arthur preparou-se, pegou o telefone celular e esperou que atendessem em Buenos Aires.
— Diga-me.
Ele ouviu a voz musical de Luísa ao telefone e, surpreendentemente, não teve a reação costumeira.
— Luísa, sou eu — ele disse.
— É mesmo, querido? E onde você está?
— Na Inglaterra.
— Sei. Se os rumores forem verdadeiros, você tem estado bastante ocupado. — A voz dela era fria como umiceberg.
— Olhe, Luísa, eu devia ter ligado antes, contar o que estava acontecendo. Mas por muitas razões não me foi possível. — Ele fechou os olhos e fez uma careta, imaginando o rosto de Luísa.
— Então é verdade — ela falou, depois de hesitar.
— Sim, é verdade.
— E você nem ao menos teve a decência de ligar para mim e me contar pessoalmente?
— Sinto muito, mas esqueci.
— Esqueceu. Bem, Artur , isso é maravilhoso. Passamos dois anos tendo um caso fervoroso, coberto por toda a imprensa, e você "se esquece" de me dizer que vai casar. Parabéns — ela disse.
— Luísa, é culpa minha, Eu sei, eu devia ter contado... claro que devia. Eu podia me punir por não ter ligado, mas...
— Mas o quê? Sua noiva adolescente está tomando muito de sua atenção? — ela perguntou.
— Não seja ridícula. E ela não é adolescente, ela é...
— Ah, cale a boca, Arthur Nem sei por que ainda estou falando com você. Você merece morrer e ser pisoteado. E acredite, se você estivesse perto daqui, eu faria algo muito pior.
Arthur estremeceu e então sorriu.
— Luísa — ele disse, em tom adulador —, você sabe que mesmo que as coisas tenham acabado entre nós, sempre vou adorá-la.
— Hum. Não tente me paparicar com sua língua afiada, Arthur. — Mas ela se acalmou um pouco e riu da mesma forma. Afinal, eles eram do mesmo tipo: socialites sofisticados que conheciam as regras do jogo, e podiam manter-se amigos.
O resto da conversa foi bastante mais trivial e, quando terminou, Arthur estava aliviado. Depois de ler um pouco, ele apagou as luzes e foi dormir.
Continua..?

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