Cap.39
Eles não se beijaram, apenas
cumprimentaram-se formalmente.
— Como tem passado? — ele perguntou,
apesar de falar educadamente e manter-se distante.
— Estou bem, obrigada, e você?
— Bem — ele respondeu.
— E seus pais?
— Bem, também. Na verdade, minha mãe
estava pensado se conseguiria convencê-la a ir jantar hoje em Eaton Square.
— Oh, não acho que... — Lua falou,
mas ao lembrar-se do quanto Dona Katia estava sendo gentil,
sentiu-se mal.
— Seria um imenso prazer para eles —
disse Lua, pressionando-a de todas as formas possíveis. — Eu posso ir buscá-la,
se você não quiser permanecer na cidade até a hora do jantar.
— Está bem, eu vou.
— Então podemos nos encontrar em
algum lugar e eu levo você.
— Perfeitamente, obrigada — ela
disse. — Tenho várias coisas para fazer à tarde. Você pode me pegar na Chester
Square.
— Está certo. Às sete.
Arthur pensava no que comeria. O
enjôo passara, mas tinha medo de fazer a escolha errada e ele voltar, e a
última coisa que queria era fazer uma cena. No fim, recusou a entrada e pediu
frango grelhado com legumes.
Arthur ergueu a sobrancelha.
— Não vai querer coquetel de camarão?
Lembro que você gosta.
— Não, obrigada — respondeu Lua,
sentindo-se enjoada só de pensar no prato. — Não estou com muita fome.
— Sei. Você deve cuidar de sua saúde.
Parece um pouco pálida.
— Não é nada. Só uma virose que devo ter
pegado em algum lugar. Vai passar.
Ele olhou para ela de forma
penetrante, mas não fez nenhum comentário.
— Quais são os assuntos que você tem
para conversar comigo? — ela perguntou, dando um gole no champanhe.
Ele franziu o cenho.
— Assuntos? Ah, sim. Bem, há algumas
coisas que você deve saber. Na realidade, se você estiver considerando
participar ativamente das empresas Carvajal, acho que deve passar um tempo no
escritório, se familiarizando com elas. Eu ia trazer alguns arquivos comigo,
mas pensei melhor sobre isso. É mais fácil você ir a Dover Street e olhar todos
eles.
— Sei.
Uma certa agitação tomou o coração
dela e ela olhou para ele. Ele parecia tão frio, tão formal, seu rosto sem
demonstrar nenhuma expressão de afeto e sua cabeça erguida de forma arrogante.
Mas ela não podia deixar de pensar que, talvez, apesar de sua fisionomia, ele
marcara aquele almoço somente como pretexto para vê-la. Esse pensamento fez certa
excitação percorrer seu corpo e ela tomou outro gole de champanhe.
Ela estava adorável, apesar de muito
pálida e com um certo ar de abandono. Lua era uma mulher orgulhosa e Arthur
notara que ferira não somente seus sentimentos, mas sua auto-estima também. Ele
mais do que ninguém sabia como isso era exasperador. A boa notícia era que ela
aparentemente não tinha dado prosseguimento à história de ligar para os
advogados para falar sobre divórcio. Talvez estivesse pensando melhor sobre
isso. Viver sem ela, passando os dias trancado no escritório e as noites
sozinho na cama, em Eaton Square, lembrando como eles faziam amor com tanta
cumplicidade e sentimento, não estava sendo fácil.
Ele observou sua aparência agradável,
calma e controlada e notou que ela era quase uma adversária. Mas estava
determinado a vencer no final.
Mas esses eram pensamentos para si
mesmo.
Continua...

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