domingo, 30 de agosto de 2015

Casamento por conveniência


Cap.39
Eles não se beijaram, apenas cumprimentaram-se formalmente.


— Como tem passado? — ele perguntou, apesar de falar educada­mente e manter-se distante.


— Estou bem, obrigada, e você?


— Bem — ele respondeu.


— E seus pais?


— Bem, também. Na verdade, minha mãe estava pensado se con­seguiria convencê-la a ir jantar hoje em Eaton Square.


— Oh, não acho que... — Lua falou, mas ao lembrar-se do quan­to Dona Katia estava sendo gentil, sentiu-se mal.


— Seria um imenso prazer para eles — disse Lua, pressionando-a de todas as formas possíveis. — Eu posso ir buscá-la, se você não quiser permanecer na cidade até a hora do jantar.


— Está bem, eu vou.


— Então podemos nos encontrar em algum lugar e eu levo você.


— Perfeitamente, obrigada — ela disse. — Tenho várias coisas para fazer à tarde. Você pode me pegar na Chester Square.


— Está certo. Às sete.


Arthur pensava no que comeria. O enjôo passara, mas tinha medo de fazer a escolha errada e ele voltar, e a última coisa que queria era fazer uma cena. No fim, recusou a entrada e pediu frango grelhado com legumes.


Arthur ergueu a sobrancelha.


— Não vai querer coquetel de camarão? Lembro que você gosta.


— Não, obrigada — respondeu Lua, sentindo-se enjoada só de pensar no prato. — Não estou com muita fome.


— Sei. Você deve cuidar de sua saúde. Parece um pouco pálida.


— Não é nada. Só uma virose que devo ter pegado em algum lugar. Vai passar.


Ele olhou para ela de forma penetrante, mas não fez nenhum co­mentário.


— Quais são os assuntos que você tem para conversar comigo? — ela perguntou, dando um gole no champanhe.


Ele franziu o cenho.


— Assuntos? Ah, sim. Bem, há algumas coisas que você deve saber. Na realidade, se você estiver considerando participar ativa­mente das empresas Carvajal, acho que deve passar um tempo no escritório, se familiarizando com elas. Eu ia trazer alguns arquivos comigo, mas pensei melhor sobre isso. É mais fácil você ir a Dover Street e olhar todos eles.


— Sei.


Uma certa agitação tomou o coração dela e ela olhou para ele. Ele parecia tão frio, tão formal, seu rosto sem demonstrar nenhuma ex­pressão de afeto e sua cabeça erguida de forma arrogante. Mas ela não podia deixar de pensar que, talvez, apesar de sua fisionomia, ele marcara aquele almoço somente como pretexto para vê-la. Esse pen­samento fez certa excitação percorrer seu corpo e ela tomou outro gole de champanhe.


Ela estava adorável, apesar de muito pálida e com um certo ar de abandono. Lua era uma mulher orgulhosa e Arthur notara que ferira não somente seus sentimentos, mas sua auto-estima também. Ele mais do que ninguém sabia como isso era exasperador. A boa notícia era que ela aparentemente não tinha dado prosseguimento à história de ligar para os advogados para falar sobre divórcio. Talvez estivesse pensando melhor sobre isso. Viver sem ela, passando os dias tranca­do no escritório e as noites sozinho na cama, em Eaton Square, lem­brando como eles faziam amor com tanta cumplicidade e sentimento, não estava sendo fácil.


Ele observou sua aparência agradável, calma e controlada e notou que ela era quase uma adversária. Mas estava determinado a vencer no final.


Mas esses eram pensamentos para si mesmo.


Continua...

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