Cap. 18
Sempre vou adorá-la.
As palavras martelaram como címbalos em seus ouvidos. Como ele podia? Como podia amá-la, chamando-a pelos nomes mais queridos em uma noite e no dia seguinte dizer a outra mulher que a amava?
Lua se jogou miseravelmente na cama. Aquele era o momento mais triste, mais horrível de toda sua ainda jovem vida. Seu avô não melhorava e aos poucos ela estava tomando consciência do que estava por acontecer. E exatamente no momento em que vinha dizendo a si mesma que talvez houvesse algo por trás da insistência de seu avô para ela se casar e não ficar sozinha no mundo, ela ouvia essas tão dolorosas palavras.
Bem, ela se consolou, julgando que talvez tivesse sido melhor saber a verdade e não se deixar fazer totalmente de boba novamente, como na noite anterior.
Mas esse era o problema.
De agora em diante, insistiria para que dormissem separados. Arthur era um ator muito talentoso. Mas agora ela tinha sido muito bem alertada. E, ela refletiu, faria o possível para sempre lembrar o que inadvertidamente tivera o privilégio de ouvir.
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Três dias depois, às três e trinta e oito da manhã, Billy faleceu. Lua, que não saíra de seu lado nas últimas 72 horas, finalmente desabou com a exaustão emocional e, com a cabeça deitada no peito para sempre imóvel de seu avô, chorou todas as suas tristezas. Não era apenas a perda dele, mas também tudo o que mudara, tudo o que mudaria para sempre em sua vida. No espaço de três semanas, ela fora jogada de cabeça em um turbilhão e agora seu centro de gravidade — seu avô — estava partindo.
Foi assim que Arhtur a encontrou quando entrou no quarto, duas horas mais tarde.
— Lua... oh, Deus — ele murmurou, correndo para o lado dela e colocando a mão em sua cabeça para pegar seu cabelo. — Sinto muito, amor mio, realmente sinto muito.
Vários minutos se passaram até que ele conseguisse fazê-la sentar-se, mover os braços retesados e tirar os olhos da figura pálida deitada sem movimento sobre a cama.
A enfermeira, que se ausentara discretamente até que Lua tivesse dado o adeus final a seu avô, aproximou-se. Arthur segurou firmemente os ombros de Lua e a levou para fora do quarto.
— Você precisa descansar — ele insistiu, guiando-a na direção do quarto. Então, vendo que ela mal conseguia andar devido à exaustão, tomou-a nos braços e a carregou, depositando-a na cama.
— Agora, deixe-me cobri-la — ele murmurou, puxando as cobertas e empurrando as pernas dela para baixo do lençol, antes de aconchegá-la e sentar-se na beirada da cama. Os olhos dela estavam desprovidos de qualquer vida e seus braços flácidos e soltos. Mas ele sabia que naquele momento tudo o que poderia fazer era tentar acalmá-la e pô-la para dormir.
Os olhos de Lua se fecharam e depois de um bom tempo ela finalmente caiu em um sono de pura exaustão. Em algum lugar nas profundezas de sua mente e de sua alma, o movimento suave dos dedos de Arthur massageando seu pescoço e acariciando seus cabelos a atingia. Mas ela mal o registrava. Só quando acordou, horas depois, e o viu sentado ao lado dela, com a mão em seu ombro, adormecido sobre o travesseiro, ela tomou consciência de sua presença.
Lua sentou-se com cuidado para não o acordar. Apesar de sua antipatia, de sua raiva e das palavras que ouvira na outra noite, não podia deixar de sentir-se tocada diante daquela demonstração altruísta de solidariedade. Uma onda de afeição repentina a atingiu e tentou acomodá-lo melhor.
Arthur se virou na direção do centro da cama e, instintivamente, moveu as pernas. Então, tão naturalmente quanto se eles dormissem juntos por anos, ele passou o braço por cima dela e a aproximou, murmurando algo indecifrável enquanto dormia.
Continua...

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