Cap.36
— É mesmo? Bem, você podia ter me
enganado. Posso parecer jovem e idiota, Arthur, mas tenho neurônios. Acho
impossível acreditar que você abandonaria uma mulher com a qual foi
fotografado pela revista Hola! E com a qual você ainda consegue
marcar um almoço no restaurante mais badalado da cidade, apesar do fato pouco
importante de você ser casado — ela respondeu.
— Lua, isso é um absurdo — ele disse,
agarrando os braços dela. — Não é como você pensa. Eu tinha que ver Luísa,
explicar a ela. Não tinha falado com ela sobre o nosso casamento. Eu devia a
ela uma despedida adequada.
— No Santi`s. — O olhar dela
incendiava na direção dele. — Como você ousa me tratar como uma tola? — ela
disparou, esquivando-se dele e com as lágrimas queimando os olhos, apesar de
todo o esforço para sufocá-las. — Como você ousa Arthur? — Antes que pudesse
perceber o que estava fazendo, Lua deu um tapa no rosto dele, para num momento
depois afastar-se, chocada com a própria falta de controle.
Arthur ficou absolutamente imóvel e
em seguida levou a mão à face. O rosto dele se abriu em um sorriso de pesar.
— Eu creio que merecia isso. Mas
agora, por favor, deixe-me explicar.
— Não. — Ela caiu em prantos. — Não
quero ouvir mais uma palavra sobre isso. Vá embora, volte para ela. Ela
obviamente satisfaz todas as suas necessidades. Eu fui uma boba de pensar que
nós... Que eu... — Ela se voltou para a janela, os ombros a tremer, incapaz de
conter as lágrimas que caíam por seu rosto.
— Mi niña — ele
disse, caminhando por trás dela e abraçando seu corpo trêmulo. — Não há a menor
necessidade de tanta agitação. Se você me ouvisse, me deixasse falar o que está
acontecendo...
— Não quero saber — ela disse,
tentando se livrar dos braços dele. Não acredito em nenhuma palavra que você
diga. Você só está tentando me acalmar. Mas não vou me iludir.
Ele virou-a e a encarou, com o rosto
marcado por determinação.
— Não sou um mentiroso, Lua. O que
aconteceu foi horrível, mas não vou deixar que minha esposa questione minha
palavra.
— Eu não disse que...
— Sim, você disse. Disse que não
acreditava em mim, não quer nem ouvir minha versão dos fatos e fala de divórcio
com uma enorme facilidade. É assim que você encara o casamento?
Ele lançou um olhar fuzilante para
ela e agarrou seus braços.
— Eu repito: é assim que você encara
o casamento? Algo do qual você foge assim que ocorre um problema?
— Eu... — Lua foi desarmada pela
mudança repentina de atitude de Arthur e pela raiva real expressa pelos olhos
dele.
— Responda-me! — ele ordenou, com a
voz fria e calma. — Quero ouvir da sua boca.
Lua engoliu em seco.
— N-não. Não é assim que acho que um
casamento deve ser. É que...
— É que o quê? Que você me viu com
outra mulher e supôs que eu ainda dormia com ela?
Lua sentiu calor no rosto.
— Sim.
— Está certo. E tem algo mais que
você gostaria de compartilhar?
Continua...

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