domingo, 30 de agosto de 2015

Casamento por conveniência


Cap.36


— É mesmo? Bem, você podia ter me enganado. Posso parecer jovem e idiota, Arthur, mas tenho neurônios. Acho impossível acre­ditar que você abandonaria uma mulher com a qual foi fotografado pela revista Hola! E com a qual você ainda consegue marcar um al­moço no restaurante mais badalado da cidade, apesar do fato pouco importante de você ser casado — ela respondeu.


— Lua, isso é um absurdo — ele disse, agarrando os braços dela. — Não é como você pensa. Eu tinha que ver Luísa, explicar a ela. Não tinha falado com ela sobre o nosso casamento. Eu devia a ela uma despedida adequada.


— No Santi`s. — O olhar dela incendiava na direção dele. — Como você ousa me tratar como uma tola? — ela disparou, esquivan­do-se dele e com as lágrimas queimando os olhos, apesar de todo o esforço para sufocá-las. — Como você ousa Arthur? — Antes que pudesse perceber o que estava fazendo, Lua deu um tapa no rosto dele, para num momento depois afastar-se, chocada com a própria falta de controle.

Arthur ficou absolutamente imóvel e em seguida levou a mão à face. O rosto dele se abriu em um sorriso de pesar.


— Eu creio que merecia isso. Mas agora, por favor, deixe-me explicar.


— Não. — Ela caiu em prantos. — Não quero ouvir mais uma palavra sobre isso. Vá embora, volte para ela. Ela obviamente satisfaz todas as suas necessidades. Eu fui uma boba de pensar que nós... Que eu... — Ela se voltou para a janela, os ombros a tremer, incapaz de conter as lágrimas que caíam por seu rosto.


— Mi niña — ele disse, caminhando por trás dela e abraçando seu corpo trêmulo. — Não há a menor necessidade de tanta agitação. Se você me ouvisse, me deixasse falar o que está acontecendo...


— Não quero saber — ela disse, tentando se livrar dos braços dele. Não acredito em nenhuma palavra que você diga. Você só está ten­tando me acalmar. Mas não vou me iludir.


Ele virou-a e a encarou, com o rosto marcado por determinação.


— Não sou um mentiroso, Lua. O que aconteceu foi horrível, mas não vou deixar que minha esposa questione minha palavra.


— Eu não disse que...


— Sim, você disse. Disse que não acreditava em mim, não quer nem ouvir minha versão dos fatos e fala de divórcio com uma enorme facilidade. É assim que você encara o casamento?


Ele lançou um olhar fuzilante para ela e agarrou seus braços.


— Eu repito: é assim que você encara o casamento? Algo do qual você foge assim que ocorre um problema?


— Eu... — Lua foi desarmada pela mudança repentina de atitude de Arthur e pela raiva real expressa pelos olhos dele.


— Responda-me! — ele ordenou, com a voz fria e calma. — Que­ro ouvir da sua boca.


Lua engoliu em seco.


— N-não. Não é assim que acho que um casamento deve ser. É que...


— É que o quê? Que você me viu com outra mulher e supôs que eu ainda dormia com ela?


Lua sentiu calor no rosto.


— Sim.


— Está certo. E tem algo mais que você gostaria de compartilhar?

Continua...



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