Cap, 19
Por um momento, Lua prendeu a respiração e ficou completamente tensa, presa nas garras dele, sem querer acordá-lo. Depois, ouvindo a respiração regular e certa de que ele estava dormindo, ela relaxou, fechou os olhos novamente e desejou que a realidade permanecesse distante pelo maior tempo possível.
Sentiu-se estranhamente aquecida e protegida nos braços do marido. Pode ser que ele tenha falado a outra mulher que a adorava, e talvez aquilo tudo fosse mentira, ela admitia, mas agora, naquele momento, precisava da companhia e do carinho que ele estava oferecendo, ainda que adormecido.
Às dez horas, Dona Katia decidiu ver como estava Lua. Dando uma olhadela pela porta, surpreendeu-se ao vê-la deitada abraçada a Arthur. Os dois dormiam profundamente. Seu rosto abrigou um sorriso suave, amenizando um pouco da tensão das últimas horas. Ela fechou a porta e desceu a escada para encontrar o marido.
Havia tanto a ser feito: velório, funeral, missa... Lua seria incapaz de lidar com tanta coisa em seu estado atual, e com sua graça natural, Dona Katia cuidara de tudo. Os empregados se dirigiam a ela para receber instruções, dobrando-se instintivamente ao automático senso de comando que ela detinha.
E foi assim que, quando Lua e Arthur finalmente acordaram e se encararam, tudo já estava organizado lá embaixo.
Assim que se conscientizou da situação, Lua se contorceu e tentou se esquivar.
— Não vá — disse Arthur, puxando o cabelo desgrenhado dela. — Você está muito cansada para levantar, precisa descansar, Lua.
— Tenho que levantar. Tenho muita coisa para fazer, muita coisa para cuidar. Meu avô esperaria que eu estivesse no comando, independentemente dos meus sentimentos — ela respondeu, sentindo os braços dormentes com a tensão e tentando esticá-los.
— Volte aqui, deixe-me fazer uma massagem. — Sem precisar de uma resposta, Arthur a virou e começou a massagear seus ombros.
— Eu...
— Cale-se e relaxe — ele ordenou, em tom autoritário. — Você não ajudará ninguém se estiver tão cansada. E, como você mesma disse, há muita, muita coisa para ser resolvida.
Cansada demais para discutir, Lua deixou-se levar, sentindo um arrepio de excitação quando seus músculos começaram a relaxar. Ela fechou os olhos e deixou que ele trabalhasse nas costas dela, mais para baixo, incapaz de fazer algo além de suspirar de vez em quando, expirando e permitindo que a tensão se dissipasse enquanto as mãos dele pressionavam exatamente os pontos de pressão, aqueles que estavam doendo. Então, de repente a massagem virou carícia, e ainda assim ela não se moveu. Quando as mãos dele passaram das costas para as nádegas, ela ficou totalmente parada, permitindo que ele seguisse as curvas sinuosas sem um som de protesto.
Lentamente, Arthur passou a mão por baixo da camisola dela, apertando ligeiramente suas coxas, relaxando-as, incapaz de resistir à tentação ou à poderosa atração que o levava àquela mulher, ao seu corpo, sua mente e sua alma. Precisava estar dentro dela, senti-la, deixá-la saber que não estava sozinha, que ele estava ali, para cuidar dela e protegê-la, para ajudar a aliviar a dor. Afinal, não foi isso que ele prometera fazer?
A mão dele continuou, até que ele abriu as pernas dela e deixou seu polegar passear. Uma onda de prazer engolfou-o quando ele sentiu a umidade deliciosa que contava mais do que palavras poderiam dizer o quanto ela precisava dele. Inclinando-se, ele beijou a base do pescoço dela e a acariciou no âmago de seu ser, sentindo suas nádegas arquearem ao encontro dele.
Lua soltou um longo suspiro. Parte dela protestava, enquanto outra parte suplicava por mais. E pouco mais podia ela fazer do que submeter-se às carícias dele. E, momentos depois, quando ela soltou um gemido involuntário de prazer e sentiu a mesma liberação maravilhosa que sentira dias antes, Arthur virou-a na cama.
Ela viu a paixão bruta nos olhos dele e gemeu, sentindo quando sua camisola foi arrancada e, então, curvou o corpo para trás ao ser penetrada profundamente, unindo-se a ele em um encontro tempestuoso, com ritmo perfeito, um bailado intuitivo que os dois pareciam conhecer muito e há muito tempo. Ele agarrava a estreita cintura dela, empurrava seus quadris para baixo, aprofundando-se em sua essência, determinado a acabar com a dor, o sofrimento e a angústia das horas anteriores, fazendo a vida prevalecer. E após alguns intensos minutos mais uma vez seus corpos se encontraram naquela dança exuberante, antes de caírem abraçados entre os lençóis em mais um justo e merecido sono.
*******************
— Talvez devêssemos voltar a Buenos Aires — disse Arthur, alguns dias depois.
— Não acho uma boa idéia — protestou Lua, pensando de repente na mulher a quem ele disse que adorava. Certamente ela estaria em Buenos Aires esperando por ele. Talvez, ela refletiu, essa fosse a razão da pressa dele.
Um pensamento obscuro fez com que ela se lembrasse claramente dos últimos dias de sexo. Arthur não deixou a cama dela, insistira que os dois dormissem juntos. Uma vez que ela estava ainda muito abalada com os acontecimentos e — embora detestasse admitir — ansiasse pelo reconfortante abraço dele e como sentir o corpo dele ao lado e dentro dela era incrivelmente tranqüilizador, ela cedera.
Agora, a verdade batia à sua porta, e ela sentou-se ereta na cadeira, olhando para o chão.
— Por que você não vai para Buenos Aires, Arthur? Não tenho nada para fazer lá. E depois, preciso arrumar tanta coisa aqui... ver pessoas, cuidar de algumas coisas do vovô. Não consegui falar com vários amigos dele no funeral, então preciso escrever notas de agradecimento e...
— Lua, isso é ridículo e você sabe. Encontramos todos os consultores do seu avô ontem. Cuidarei pessoalmente dos interesses da Carvajal de agora em diante. E quanto às notas de agradecimento... bem, temos papéis em Buenos Aires também.
— Não sei por que temos que ir — ela disse resoluta, a idéia da volta para a Argentina perturbada por tudo que lá a aguardava, incluindo Luísa, o que talvez fosse mais do que ela pudesse lidar.
Continua...

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