segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Casamento por conveniência


Cap.26

— Ah, e não esqueça o molho chimi churri, certo? — ele disse ao garçom com um sorriso sardônico que traía sua fúria interna.


Pensou em Lua. Ele dissera que voltaria hoje, mas não afirmou a que horas. Estaria ela no hotel esperando por ele?, pensou, impacientemente. Maldição, Luísa podia realmente ser geniosa quando queria. E agora ele podia enxergar claramente, todos os defeitos dela lhe apareciam gritantes. Como não os percebera antes?


— Ah, ele vai voltar tarde — Elisa garantiu a Lua, enquanto elas saíam de uma loja. — Vamos almoçar e depois disso eu a deixo no Alvear, quando for para casa.


— Está bem — respondeu Lua com um sorriso.


Ela sentia-se bem em sua nova calça, sua blusa pólo de caxemira, um colete de camurça bordado de pele e óculos escuros Chanel. Ti­nha ido ao Carlos, cabeleireiro de Elisa, e sentia-se mais como uma das mulheres sofisticadas daquela cidade. E, apesar de seu avô jamais estar longe de seus pensamentos, sua proposta nessa nova etapa da vida era superar a tristeza que sentia.


Mas sentia falta de Arthur.


Era extraordinário pensar que apenas um mês atrás ela sequer co­nhecia o homem que imprimira tamanha marca em sua vida, sem o qual não imaginava viver.

— Santi`s, como sempre? — Elisa perguntou, sorrindo.

Ela gostava muito de Lua, estava contente por Arthur ter final­mente encontrado alguém tão perfeito para ele, e tinha dado asas a Lua, apresentado-a a amigos. E sabia que, entre todos os locais que a levara, o requintado Santi`s tinha sido seu favorito.

— Se você não se importar em voltar lá, eu adoraria — respondeu Lua, rindo. — Lá é sempre tão divertido. E adoro as empanadas.


— Só espero que Franco tenha uma mesa decente para nós. Na pior das hipóteses, podemos tomar uma taça de champanhe ou algu­ma bebida no bar, enquanto esperamos.


Mas quando elas chegaram no restaurante lotado, Franco não he­sitou em oferecer-lhes uma pequena mesa para dois em um canto que acabara de ser liberado, e as moças caminharam para lá entre as me­sas ocupadas. Lua já até tinha algumas pessoas para cumprimentar,e todos pareciam contentes em vê-la.


Foi Elisa quem captou os primeiros olhares vindos de cima, da direção do mezanino. Os olhares e os sorrisos extremamente radian­tes. Ela franziu a testa, seu radar imediatamente captando as mensa­gens silenciosas sendo enviadas. Mas era tarde demais. Dulce logo olhou para cima.


Não é possível descrever o calafrio, a sensação horrorosa que teve ao ver os dois — a mulher, Luísa, da revista, se inclinando na direção de Arthur, tocando o queixo dele de uma forma que demonstrava total intimidade.


Primeiramente, Lua mal conseguiu se mover, pois uma dor in­descritível a percorria por dentro. Depois, por algum milagre do des­tino, ela se recompôs no espaço de segundos e continuou conversan­do como se nada estivesse acontecendo. Mas pareceu demorar horas até que elas chegassem na mesa, onde sentou-se na beira da cadeira, mal conseguindo respirar.


Continua...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71