Cap.26
— Ah, e não esqueça o molho chimi churri, certo?
— ele disse ao garçom com um sorriso sardônico que traía sua fúria interna.
Pensou em Lua. Ele dissera que voltaria hoje, mas
não afirmou a que horas. Estaria ela no hotel esperando por
ele?, pensou, impacientemente. Maldição, Luísa podia realmente ser geniosa
quando queria. E agora ele podia enxergar claramente, todos os defeitos dela
lhe apareciam gritantes. Como não os percebera antes?
— Ah, ele vai voltar tarde — Elisa garantiu a Lua,
enquanto elas saíam de uma loja. — Vamos almoçar e depois disso eu a deixo no
Alvear, quando for para casa.
— Está bem — respondeu Lua com um sorriso.
Ela sentia-se bem em sua nova calça, sua blusa pólo
de caxemira, um colete de camurça bordado de pele e óculos escuros Chanel. Tinha
ido ao Carlos, cabeleireiro de Elisa, e sentia-se mais como uma das mulheres
sofisticadas daquela cidade. E, apesar de seu avô jamais estar longe de seus pensamentos,
sua proposta nessa nova etapa da vida era superar a tristeza que sentia.
Mas sentia falta de Arthur.
Era extraordinário pensar que apenas um mês atrás
ela sequer conhecia o homem que imprimira tamanha marca em sua vida, sem o
qual não imaginava viver.
— Santi`s, como sempre? — Elisa perguntou,
sorrindo.
Ela gostava muito de Lua, estava contente por Arthur
ter finalmente encontrado alguém tão perfeito para ele, e tinha dado asas a Lua,
apresentado-a a amigos. E sabia que, entre todos os locais que a levara, o
requintado Santi`s tinha sido seu favorito.
— Se você não se importar em voltar lá, eu adoraria
— respondeu Lua, rindo. — Lá é sempre tão divertido. E adoro as empanadas.
— Só espero que Franco tenha uma mesa decente para
nós. Na pior das hipóteses, podemos tomar uma taça de champanhe ou alguma
bebida no bar, enquanto esperamos.
Mas quando elas chegaram no restaurante lotado,
Franco não hesitou em oferecer-lhes uma pequena mesa para dois em um canto que
acabara de ser liberado, e as moças caminharam para lá entre as mesas
ocupadas. Lua já até tinha algumas pessoas para cumprimentar,e todos pareciam
contentes em vê-la.
Foi Elisa quem captou os primeiros olhares vindos
de cima, da direção do mezanino. Os olhares e os sorrisos extremamente radiantes.
Ela franziu a testa, seu radar imediatamente captando as mensagens silenciosas
sendo enviadas. Mas era tarde demais. Dulce logo olhou para cima.
Não é possível descrever o calafrio, a sensação
horrorosa que teve ao ver os dois — a mulher, Luísa, da revista, se inclinando
na direção de Arthur, tocando o queixo dele de uma forma que demonstrava total
intimidade.
Primeiramente, Lua mal conseguiu se mover, pois uma
dor indescritível a percorria por dentro. Depois, por algum milagre do
destino, ela se recompôs no espaço de segundos e continuou conversando como
se nada estivesse acontecendo. Mas pareceu demorar horas até que elas chegassem
na mesa, onde sentou-se na beira da cadeira, mal conseguindo
respirar.
Continua...

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