segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Casamento por conveniência



Cap.29

— Hola — ele disse, colocando a mão no ombro de Elisa e beijan­do sua mão. Seu olhar cruzou com o de Lua, no outro lado da mesa. — Lua, eu...


— Olá, Arthur. — Ela lançou um sorriso amarelo, produto de uma tremenda força de vontade. Queria poder se levantar dali e golpeá-lo com toda a força. Em vez disso, quietamente colocou as mãos sobre a mesa. — Que coincidência nos encontrarmos aqui. Pensei que você fosse voltar mais tarde.


— Eu ia — ele murmurou. — Quando você volta para o hotel? — perguntou.


— Não tenho idéia — ela disse. — Veja, é melhor você correr. Sua amiga está esperando na porta.


— Está certo — ele disse. — Vemo-nos no Alvear, mais tarde.


Lua balançou a cabeça e sorriu para ele, para o bem de todos, disfarçando o olhar arregalado. Em toda a sua curta existência, ja­mais fora tão humilhada e, cheia de raiva percorrendo seu corpo, decidiu que era o bastante.


— Bravo, Lua — Elisa sussurrou em polvorosa, quando Arthur partiu. — Você foi simplesmente maravilhosa. Admiro a forma como se comportou. Luísa deve tê-lo trazido aqui para provar para as pes­soas que eles ainda estão juntos.


— Bem, pelo jeito ela estava apenas provando a verdade — res­pondeu Lua, disfarçando com o tom neutro da voz o turbilhão que sentia internamente. Podia matar aquele homem, quase estrangulá-lo, pela dor que sentia, pela humilhação e pela angústia de vê-lo tão intimamente ao lado de uma mulher.


E especificamente de Luísa.


Ela também poderia arrancar os olhos de Luísa, se tivesse a opor­tunidade. Notou que, de repente, uma nova emoção que reconhecia como ciúme a atingia como uma flecha incandescente.


Enquanto elas voltavam para o hotel, a cabeça de Lua dava voltas e voltas. Ela imaginava quando Arthur apareceria. Se eleja estaria lá quando chegasse ou se viria mais tarde. Mas o que importava? Não tinha qualquer intenção de ficar.

Continua...

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