sábado, 1 de agosto de 2015

De Mentirinha

(Capítulo Quinze — O fim?).
“Ninguém disse que seria fácil
É uma pena nos separarmos
Ninguém disse que seria fácil
Mas também não disseram que seria tão difícil”

— Coldplay
Karina estava de pé na varanda da casa, de costas para porta, por isso não viu quem agarrou sua cintura e lhe beijou, mas sabia que não era Pedro, Karina tentava se soltar de todos os jeitos sem saber como, já que o imbecil imobilizara seus braços. Por qual motivo Zé estava fazendo aquilo?
— Qual foi cara? Tem como soltar a minha namorada ou tá difícil? — Karina sentiu Pedro tirar Zé de cima de si.
— Tem certeza que é a sua namorada? Eu sei desse seu namoro falso, sabia? — Zé riu irônico — Se o namoro não é de verdade, não precisa ter ciúmes.
— Qual é o teu problema? Quem disse que o nosso namoro é falso? — Pedro disse vermelho, o rapaz está com raiva, ódio, tudo de ruim.
— Não gostam de ouvir a verdade? Desde que cheguei aqui eu ouvi vocês comentando, querer que o namoro dure de verdade não esconde que tudo foi criado apenas para mostra o como a Karina está por cima não é mesmo? — Zé disse alto o suficiente para Bianca ouvir.
— Do que cê tá falando, cara? As bombas que tu usa estão fazendo efeito? — Pedro desconversou ao ver Bianca chegando.
— Nem adianta fingir, tô sabendo desse rolo de vocês. — Zé começou a aumentar o tom de voz quando viu Gael e Duca se aproximarem.
— De verdade? Ainda não sei do que você está falando. — Pedro ainda vermelho continuou fingindo.
— Eu não tinha certeza se o seu namoro com a Karina era falso. — Pode perceber que eles também escutaram — Digamos que vocês falam um pouco alto quando estão bêbados, principalmente quando estão vindo de uma festa de casamento. — Zé tinha conseguido atingir aonde queria.
Bianca olhava perplexa de Pedro para Karina, demorando mais olhando para irmã caçula. A morena não tinha reação, uma única lágrima caia do seu olho esquerdo, o que dizem ser o lado da dor. Bianca não podia acreditar que Karina havia feito aquilo com ela.
— Você mentiu pra mim. Você mentiu pro pai, pra Dandara, pro João. Karina, você mentiu pra única família que você tem. — Bianca soltava com raiva as palavras. — E você Pedro, você topou. Qual é o grande problema de vocês?
— Bianca me deixa explicar. — Karina pediu.
— É melhor mesmo, qual a droga do motivo pra fingir ter um namorado? Você ainda gosta do Duca, é isso? Pagou o Pedro pra fingir ser o seu namorado de mentirinha? — Riu irônica.
Bianca e Karina se olhavam chorando, a mais velha tinha fúria no olhar, algo que em todos esses anos nunca sentiu, apesar de todas as brigas, em relação à irmã.
— O que tá acontecendo aqui, eu posso saber? — Gael perguntou chegando junto de Duca.
— É só que a Karina, inventou de namorar o Pedro. Eles combinaram de enganar a todo mundo, porque essa invejosa ainda gosta do Duca. — Bianca soltou o veneno.
— Não é isso. Não fala assim com ela, Bianca. Isso tudo é por culpa sua. — Pedro gritou.
— YO. Karina, Bianca, Pedro e Duca na sala agora. Zé você já pode tomar seu rumo e ir embora, já vi que foi você que começou isso aqui.
— Mestre foi com a melhor das intenções.
— A partir do momento que você tenta separar uma família, não foi com a melhor das intenções. Assim que eu chegar ao Rio, não quero mais nada seu dentro da minha academia.
— Mas mestre, eu não...
— Já disse, some daqui agora. E o que os quatro ainda estão fazendo aqui? Já falei, na sala.
Os cinco acatam a ordem, Zé volta ao quarto em que estava pega sua mala e passa pela sala sorrindo. Karina estava sentada em um sofá com Pedro e no outro estava Bianca e Duca.
— Cuidado hein, Duca. A K, tá pegando todo mundo, já até me beijou hoje. — Zé gargalhou enquanto saiu.
— Pronto. — Gael disse depois de enxotar Zé — Expliquem tudo o que aconteceu.
— A Karina pagou o Pedro pra ele fingir ser namorado dela, só porque ela ainda ama o Duca, mentiu pra todo mundo. — Bianca soltou com raiva.
— Não foi isso, eu já falei, mas como sempre você não ouve ninguém, você não consegue descer da droga desse pedestal e escutar o que eu estou falando. — Karina rebateu.
— As duas caladas. — Gael mandou — Acho que ambas estão bem crescidas para brigarem por homem, principalmente agora. Karina se explica.
— No começo, sim o meu namoro com o Pedro era falso. Eu só não queria aparecer aqui como uma, como uma recalcada. Deixando claro que eu não sinto nada pelo Duca, os quatro anos em São Paulo me mudou, assim que me mudei eu pensei muito mesmo em você, Duca. Eu era apaixonada por ele e ele amava minha irmã? Eu estava chateada sim.
— Isso não quer dizer que você pode vir tentar destruir meu casamento. — Bianca gritou.
— Ninguém veio destruir a merda do seu casamento — Pedro desabafou — Você não viu nenhum de nós dois tentando acabar com ele, tentando destruir alguma coisa. Mas você é egoísta, como sempre foi.
— Tá irritadinho assim só porque a Karina beijou o Zé. Esse namoro é falso, sempre desconfiei que vocês quase nunca ficavam juntos.
— Só porque você age como uma vadia, não significa que sua irmã deva agir também. — Pedro soltou tudo de uma vez — Desculpa Gael, Duca eu não deveria ter xingado ela, eu sei que não foi correto o que fizemos, mentimos, mas não magoamos ninguém. E ninguém mais cai no papo de falsa moralista da Bianca. Estou voltando para Rio, de lá volto para São Paulo.
. . .
Karina observava Pedro guardar suas coisas na mala silenciosamente. Apesar de tê-la defendido, o rapaz não dirigiu a palavra a ela em nenhum instante. Provavelmente ainda estava com raiva.
— Você vai continuar me ignorando, mesmo? — Karina pergunta.
— Vai continuar fingindo que não beijou aquele babaca?
— Você sabe que ele estava me forçando, desculpa se mesmo sabendo lutar ele continua mais forte do que eu.
— Olha, eu tô chateado. Não tô a fim de brigar contigo. Quando você voltar pra São Paulo, a gente se resolve. — Pedro baixou o tom de voz.
— E o nosso namoro?
— Acho melhor a gente dar um tempo.
— Tudo bem, pode ir. — Karina falou.
Pedro sentou do lado dela na cama, apoiou uma mão em seu pescoço e a outra em sua cintura e aproximou seus rostos. Selaram seus lábios, demorando o máximo possível para que o beijo não acabasse. Para aquele momento não acabar. O beijo tinha sabor de saudade antecipada. Ambos estavam tristes por ser verem longe. Coisa que em quatro anos nunca aconteceu.
— Eu amo você, Karina. Mesmo que eu vá, não duvide disso. Eu amo você, demais.
Pedro pegou suas malas e saiu do quarto, passaria na pousada onde seus pais estariam e voltaria para o Rio com eles. O guitarrista nunca se sentira tão mal e ao mesmo tempo tão bem como naquele dia. Ele disse que amava aquela mulher, e estava a deixando. Pedro se sentia um babaca.
Karina estava mil vezes pior, se achava que ficou triste por causa de Duca, aquilo era mil vezes pior. Que grande merda que tinha feito quando teve a ideia de ter um namorado de mentira.

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Prometida a um Vampiro - Cap.71