Cap.25
Ele decidiu que
veria Luísa pela última vez e que resolveria tudo, esse era certamente o melhor
e mais honesto caminho a seguir.
Satisfeito por ter
encontrado a solução correta, Arthur desmontou do cavalo e caminhou para a
adorável casa colonial que pertencia a sua família há várias gerações, desde
que uma carta regia da Espanha a entregara a seus ancestrais. Não via a hora de
levar Lua para lá, de mostrar a ela o local e deixar que ela o decorasse
novamente. A casa estava precisando disso. A mãe dele raramente ia a Santa
Clara, em razão do clima um tanto agreste para sua idade, mas ele tinha a sensação
de que Lua gostaria de cavalgar pelos pampas e dividir aquele lugar com ele,
algo que jamais fizera com outra mulher antes. Aquele sempre fora seu
território secreto. Agora, para sua surpresa, ele não tinha qualquer problema
em compartilhá-lo.
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— Eu sei que devia ter contado — Arthur repetia, olhando para Luísa. — Reconheço totalmente minha culpa, Luísa.
— Então você
continua afirmando — respondeu Luísa, olhando para ele em dúvida, agora que
eles estavam cara a cara e imaginando se haveria alguma forma de lidar com ele
apesar do casamento com a menina que vira ainda outro dia no Santi`s. Era
verdade, a nova esposa dele era jovem e bonita. Mas será que aquela juventude
e falta de experiência não o incomodariam com o tempo? E quando a novidade
acabasse, ele não iria querer dar um tempo nos braços dela de vez em quando?
Luísa pensou sobre
isso cautelosamente. Precisava ter cuidado para não pressioná-lo. Conhecia Arthur
bem o bastante para reconhecer aquela contração nos lábios como sinal de
teimosia, sabia que quando ele se comprometia com alguma coisa ia até o fim.
Mesmo assim, pisando em ovos, não havia como prever o que aconteceria, ela
podia reverter aquela situação a seu favor. É claro, jamais seria a mesma
coisa, mas e daí?
Ela suspirou.
Tinha sentimentos fortes por Arthur e de repente se deu conta de que não estava
disposta a simplesmente deixá-lo sumir de sua vida. Inicialmente, ficara com
muita raiva, insultada e ferida. Agora, a dor permanecia, mas o senso comum
prevalecia.
— Estou faminta! —
ela exclamou, se esticando e procurando tocar o braço dele. — Por que não vamos
a um daqueles nossos locais favoritos, em nome dos velhos tempos? — Ela sorriu
para ele, vitoriosa.
Arthur não tinha o
menor desejo de ser visto em público com Luísa, mas recusar aquele convite
depois de ela ter demonstrado tanta maturidade, de ter aceitado a rejeição de
uma forma tão tranqüila, seria grosseiro.
— Está bem — ele
concordou, disfarçando sua relutância. — Só não vou poder ficar até tarde.
— Claro que não —
ela disse em tom de deboche, enquanto dava o braço a ele, deixando que ele
sentisse seu perfume. — Você é um homem casado agora e tem
suas obrigações.
— Sim. — Ele riu
com desconforto enquanto Luísa se certificava de roçar a coxa ligeiramente na
dele ao caminharem para o corredor.
— Vamos ao
Santi`s. Não deve ter muito movimento na hora do almoço numa quinta-feira — ela
propôs, colocando sua grande bolsa de couro no ombro.
— Está certo.
Grande idéia — ele respondeu, tudo em favor de um local que não estivesse
repleto de amigos e conhecidos.
Mas o prognóstico
de Luísa estava errado. O Santi`s estava cheio do tipo de gente que Arthur
queria evitar e eles demoraram cerca de dez minutos para caminhar da porta até
a mesa, de tantos amigos para cumprimentar.
— Olá, Arthur. Que
bom vê-lo de volta, vamos ficar juntos.
Os cumprimentos
eram intermináveis, assim como os olhares curiosos e os murmúrios de interesse
que os seguiam.
Luísa sorriu,
satisfeita. Afinal, seu plano funcionara. Ela fingia não prestar atenção no
movimento que eles estavam provocando, nas especulações sobre o que estava
acontecendo na vida de Arthur. Quanto mais, melhor, concluiu Luísa, enquanto
olhava o cardápio.
Arthur sentou-se
furiosamente em silêncio, mas não podia fazer nada sem começar uma cena. Já
percebera o jogo de Luísa e estava irritado consigo mesmo por ter caído tão
facilmente. Bem, que o jogo prosseguisse, ele decidiu, enquanto pedia seu
prato.
Continua...

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