segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Casamento por conveniência



Cap.30


Depois de se despedir de Elisa, Lua correu para a suíte e, com as mãos trêmulas, destrancou a porta.


Aliviada, notou que não havia sinal de Arthur e jogou suas bolsas na cama, indo direto para o closet, de onde retirou duas grandes malas.


E então, pegou o telefone.


— Recepção? Sim. Eu gostaria que vocês reservassem uma passa­gem para Londres hoje à noite, por favor. Sim, primeira classe. Na janela. Obrigada.


Ela desligou e engoliu em seco. Tinha sido uma tola em acompa­nhá-lo a Buenos Aires, mas ainda não era tarde para remediar a situação.


Determinada a não extravasar a raiva que sentia, Lua dobrou cada peça de roupa cuidadosamente antes de colocá-la na mala. Não daria a ele a satisfação de vê-la despedaçada, não deixaria que ele soubesse o quanto afetara seus sentimentos, o quanto os últimos dias haviam significado para ela. Obviamente, eles representaram muito pouco para ele, então, por que se preocupar?


Meia hora mais tarde estava de malas arrumadas e pronta para partir. As lágrimas que lutavam para descer teriam que esperar até que estivesse sozinha. Bem longe de Arthur e daquele local.

********************

Arhur dirigiu furiosamente de volta para o hotel. A despedida de Luísa fora fria e indiferente. Ela jogara com ele e por isso jamais teria seu perdão. Talvez não soubesse que Lua estivesse realmente no restaurante, mas ela devia ter calculado que haveria muitos curiosos lá. E ele era ainda mais culpado, pois deveria ter imaginado isso.


Agora teria que explicar para a esposa o que estava fazendo almo­çando com a ex-amante. Não precisava ser um gênio para calcular o que se passava na cabeça de Lua. É claro que alguém, provavelmen­te Elisa, contara a ela quem era Luísa. Ele nem podia culpar a esposa do primo. Pela forma como Luísa se comunicava com ele, era óbvio que havia mais que uma simples amizade entre os dois.


— Droga, droga, droga! — ele exclamou, enquanto ia para o quar­to, olhando para o relógio e desejando que pudesse ter cancelado o compromisso com o presidente, na Casa Rosada. Mas isso, é claro, teria sido impossível. E naturalmente o presidente se atrasara e a reunião durara mais do que ele previra.


E justamente quando tudo ia tão bem, quando Lua estava se abrindo para ele como uma flor desabrochando em plena primavera, tudo isso tinha que acontecer.


Ele abriu a porta cuidadosamente.


A sala de estar da suíte estava vazia e escura. Então ele se dirigiu para o quarto e ficou parado perto da porta. Mas o quarto estava vazio também, com todas as luzes apagadas e nenhum som vindo de lugar algum. Correndo na direção do closet, abriu as portas do armário apenas para confirmar suas suspeitas, ao encarar todos os cabides vazios na penumbra. Ela partira, ele pensou, olhando novamente para o relógio para calcular se haveria tempo de impedir que ela pegasse o avião.


Dois minutos depois ele confirmou tudo com a recepção. Ela par­tira para Londres. Bem, pelo menos ela estava indo para seu território e seria fácil para ele saber onde encontrá-la. Ainda assim, a brecha que se abria entre eles agora seria difícil de fechar.

Continua...

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