Cap.30
Depois de se despedir
de Elisa, Lua correu para a suíte e, com as mãos trêmulas, destrancou a porta.
Aliviada, notou
que não havia sinal de Arthur e jogou suas bolsas na cama, indo direto para o closet, de
onde retirou duas grandes malas.
E então, pegou o
telefone.
— Recepção? Sim.
Eu gostaria que vocês reservassem uma passagem para Londres hoje à noite, por
favor. Sim, primeira classe. Na janela. Obrigada.
Ela desligou e
engoliu em seco. Tinha sido uma tola em acompanhá-lo a Buenos Aires, mas ainda
não era tarde para remediar a situação.
Determinada a não
extravasar a raiva que sentia, Lua dobrou cada peça de roupa cuidadosamente
antes de colocá-la na mala. Não daria a ele a satisfação de vê-la despedaçada,
não deixaria que ele soubesse o quanto afetara seus sentimentos, o quanto os
últimos dias haviam significado para ela. Obviamente, eles representaram muito
pouco para ele, então, por que se preocupar?
Meia hora mais
tarde estava de malas arrumadas e pronta para partir. As lágrimas que lutavam
para descer teriam que esperar até que estivesse sozinha. Bem longe de Arthur e
daquele local.
********************
Arhur dirigiu
furiosamente de volta para o hotel. A despedida de Luísa
fora fria e indiferente. Ela jogara com ele e por isso jamais teria seu perdão.
Talvez não soubesse que Lua estivesse realmente no restaurante, mas ela devia
ter calculado que haveria muitos curiosos lá. E ele era ainda mais culpado,
pois deveria ter imaginado isso.
Agora teria que
explicar para a esposa o que estava fazendo almoçando com a ex-amante. Não
precisava ser um gênio para calcular o que se passava na cabeça de Lua. É claro
que alguém, provavelmente Elisa, contara a ela quem era Luísa. Ele nem podia
culpar a esposa do primo. Pela forma como Luísa se comunicava com ele, era
óbvio que havia mais que uma simples amizade entre os dois.
— Droga, droga,
droga! — ele exclamou, enquanto ia para o quarto, olhando para o relógio e
desejando que pudesse ter cancelado o compromisso com o presidente,
na Casa Rosada. Mas isso, é claro, teria sido impossível. E naturalmente o
presidente se atrasara e a reunião durara mais do que ele previra.
E justamente
quando tudo ia tão bem, quando Lua estava se abrindo para ele como uma flor
desabrochando em plena primavera, tudo isso tinha que acontecer.
Ele abriu a porta
cuidadosamente.
A sala de estar da
suíte estava vazia e escura. Então ele se dirigiu para o quarto e
ficou parado perto da porta. Mas o quarto estava vazio também, com todas as
luzes apagadas e nenhum som vindo de lugar algum. Correndo na direção do closet, abriu
as portas do armário apenas para confirmar suas suspeitas, ao encarar todos os
cabides vazios na penumbra. Ela partira, ele pensou, olhando novamente para o
relógio para calcular se haveria tempo de impedir que ela pegasse o avião.
Dois minutos
depois ele confirmou tudo com a recepção. Ela partira para Londres. Bem, pelo
menos ela estava indo para seu território e seria fácil para ele saber onde
encontrá-la. Ainda assim, a brecha que se abria entre eles agora seria difícil
de fechar.
Continua...

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