Cap.35
— Arthur está na biblioteca —
anunciou Worthing, dois dias depois que Lua finalmente terminou as últimas
cartas de agradecimento pelos presentes de casamento.
— Mande-o entrar, Worthing — ela
disse, engolindo em seco, ciente de que o encontro tinha que acontecer e de
que, quanto mais todo falasse com ele sobre sua decisão, melhor.
Um minuto depois Arthur entrou na
sala. Apesar de sua resolução, Lua sentiu o coração galopar quando a figura
alta e morena trajada num terno cinza de corte impecável adentrou.
— Bom dia — ela disse, o mais
formalmente possível, com a cabeça erguida e o corpo rígido.
Arthur podia ver toda a tensão no
corpo dela. Ele notou certa rigidez em Lua. Ela tinha levado aquela história do
restaurante com tanta graça e dignidade, como as verdadeiras damas fazem.
Agora, enquanto ele a observava na sala de estar sentia uma espécie de
admiração, e um indefinível algo a mais tão forte que fez com que parasse e
hesitasse. Ele ficou sem ar e, por um momento, permaneceu cm silêncio,
observando-a, pensando na mulher extraordinária que ela estava se tornando,
apesar de ainda tão jovem.
Lua olhou para ele friamente,
escondendo a pulsação acelerada por detrás de seus olhos flamejantes.
— Por que você fugiu? — ele
perguntou, quebrando o silêncio, com uma pontada de raiva por ela ter
desaparecido sem que ele soubesse ou permitisse.
— Eu pensei que era bastante óbvio —
ela respondeu.
— Não sei qual motivo você teria para
partir para lugar algum.
— Não? — ela perguntou. — Bem, sinto
discordar. Obviamente não havia lugar para mim e para sua
amante em Buenos Aires. Aparentemente, freqüentamos os mesmos locais — ela
atirou. — Infelizmente.
— Aquilo foi falta de sorte.
— E mesmo? Bem, sinto dizer que não
conheço as regras desse jogo, Arthur, nem pretendo aprendê-las. Agora que você
está aqui, podemos discutir os termos do nosso divórcio, pois já consultei meus
advogados.
— Divórcio? — Arthur deu um passo
para a frente, chocado.
— Sim, divórcio. Você não pode
esperar que eu continue casada com você depois do acontecido. E certamente não
imaginava que eu aceitaria esse tipo de comportamento.
— Lua, precisamos conversar sobre
isso.
— Não, não precisamos. Quanto menos
conversarmos, melhor.
— Não seja ridícula.
— Não estou sendo ridícula. Estou
sendo realista, algo que aparentemente não fui nas últimas semanas — ela
acrescentou.
— Lua, mi amor, por
favor. Dê-me uma chance de explicar.
— Explicar o quê? — ela exclamou. —
Que você mantém uma amante, uma mulher com a qual vem tendo um caso já há
alguns anos?
— Está tudo terminado.
Continua...

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