domingo, 30 de agosto de 2015

Casamento por conveniência


Cap.35


— Arthur está na biblioteca — anunciou Worthing, dois dias depois que Lua finalmente terminou as últimas cartas de agradeci­mento pelos presentes de casamento.


— Mande-o entrar, Worthing — ela disse, engolindo em seco, ciente de que o encontro tinha que acontecer e de que, quanto mais todo falasse com ele sobre sua decisão, melhor.


Um minuto depois Arthur entrou na sala. Apesar de sua resolu­ção, Lua sentiu o coração galopar quando a figura alta e morena trajada num terno cinza de corte impecável adentrou.


— Bom dia — ela disse, o mais formalmente possível, com a cabeça erguida e o corpo rígido.


Arthur podia ver toda a tensão no corpo dela. Ele notou certa rigidez em Lua. Ela tinha levado aquela história do restaurante com tanta graça e dignidade, como as verdadeiras damas fazem. Agora, enquanto ele a observava na sala de estar sentia uma espécie de admiração, e um indefinível algo a mais tão forte que fez com que parasse e hesitasse. Ele ficou sem ar e, por um momento, permaneceu cm silêncio, observando-a, pensando na mulher extraordinária que ela estava se tornando, apesar de ainda tão jovem.


Lua olhou para ele friamente, escondendo a pulsação acelerada por detrás de seus olhos flamejantes.


— Por que você fugiu? — ele perguntou, quebrando o silêncio, com uma pontada de raiva por ela ter desaparecido sem que ele sou­besse ou permitisse.


— Eu pensei que era bastante óbvio — ela respondeu.


— Não sei qual motivo você teria para partir para lugar algum.


— Não? — ela perguntou. — Bem, sinto discordar. Obviamente não havia lugar para mim para sua amante em Buenos Aires. Aparentemente, freqüentamos os mesmos locais — ela atirou. — Infeliz­mente.


— Aquilo foi falta de sorte.


— E mesmo? Bem, sinto dizer que não conheço as regras desse jogo, Arthur, nem pretendo aprendê-las. Agora que você está aqui, podemos discutir os termos do nosso divórcio, pois já consultei meus advogados.


— Divórcio? — Arthur deu um passo para a frente, chocado.


— Sim, divórcio. Você não pode esperar que eu continue casada com você depois do acontecido. E certamente não imaginava que eu aceitaria esse tipo de comportamento.


— Lua, precisamos conversar sobre isso.


— Não, não precisamos. Quanto menos conversarmos, melhor.


— Não seja ridícula.


— Não estou sendo ridícula. Estou sendo realista, algo que apa­rentemente não fui nas últimas semanas — ela acrescentou.


— Lua, mi amor, por favor. Dê-me uma chance de explicar.


— Explicar o quê? — ela exclamou. — Que você mantém uma amante, uma mulher com a qual vem tendo um caso já há alguns anos?


— Está tudo terminado.


Continua...



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