Cap.38
Dias se passaram, mas Lua ainda não
ligara para os advogados, ela sabia que era o que devia fazer e se repreendia
por não o fazer. Mas de alguma forma, sempre que estava prestes a procurar o
número deles na agenda, algo inexplicável a interrompia e ela não conseguia
parar de pensar em Arthur, naquelas noites maravilhosas e inesquecíveis que
passara em seus braços.
Era um absurdo pensar naquilo quando
sabia muito bem que não poderia continuar. Não conseguiria viver com ele
sabendo que ele persistia fazendo as mesmas coisas em outra cama com outra
mulher. Ela se arrepiou, com a mesma mistura de dor e raiva a acometendo. Por
que, em nome dos céus, se deixara envolver tanto?
Lua sentou-se à escrivaninha e
preencheu uns formulários para concorrer a vagas em várias universidades. Devia
pensar em levar a vida adiante, em estudar, em vez de ficar fantasiando sobre
um homem que tinha provado ser desonesto e não valer a pena. Mas os prospectos
das faculdades que antes pareciam tão empolgantes já não provocavam mais o
mesmo entusiasmo. Além disso, nos últimos dias ela sentira-se muito cansada e
sem disposição. Talvez devesse tomar algumas vitaminas ou algo do gênero para
dar uma melhorada no metabolismo...
Mas na manhã seguinte, quando contava
que com uma boa noite de sono certamente iria sentir-se melhor, aconteceu
justamente o oposto. Mal se levantou da cama e teve que correr para o banheiro
para vomitar.
A sensação de náusea passou e Lua
inclinou-se para trás, olhando para seu rosto pálido no espelho. Estava
horrível. Mas o que importava? Talvez tivesse sido picada por algum inseto na
Argentina causador de alguma doença que ficara incubada por um tempo e agora
resolvera se manifestar. Como se o lugar já não a tivesse deixado doente o
bastante... Além disso, a imagem da sofisticada e luxuriosa Luísa olhando
possessivamente para Arthur ficava indo e voltando a todo momento. Não era à
toa que estava passando mal, ela refletiu, voltando para o quarto e se atirando
na cama.
Naquele momento, o telefone tocou.
Ela quase deixou que atendessem lá embaixo, mas pensou melhor.
— Alô.
— Alô.
Diante da voz de Arthur, a pulsação
de Lua acelerou. Como desejava poder controlar seus sentimentos!
— O que deseja? — ela indagou de
forma um tanto rude.
— Só estou ligando para saber se há
alguma chance de podermos almoçar amanhã. Tenho vários assuntos para conversar
com você.
Ele parecia impessoal, quase frio, e
de repente Lua sentiu-se deprimida. Lá no fundo, talvez ele estivesse contente
em se livrar dela.
— Que assuntos? — ela perguntou.
— Documentos, alguns assuntos que
envolvem as empresas Carvajal que acho que você deve saber. Especialmente se
for dirigir as empresas pessoalmente — ele acrescentou.
— Eu... — Jamais passara pela cabeça
dela que ele poderia se esquivar de suas obrigações, caso eles se divorciassem.
Pensar nisso era desanimador. — Acho que podemos nos encontrar. Aonde você
gostaria de ir?
— Pode ser no Harry`s Bar?
— Sim. A que horas? — Ele parecia
formal e distante.
— As quinze para uma?
— Sim — ela repetiu.
— Certo, então nos vemos lá.
Ele desligou e Lua se jogou novamente
nos travesseiros, pensando em por que se sentia tão chorosa. Fora ela, afinal,
quem sugerira o divórcio, não fora? Então, qual a razão da lamentação? Estava
colhendo o que plantou.
O Harry`s Bar estava lotado. Lua se
dirigiu para a mesa de canto em que Arthur a esperava.
Ela queria que ele não fosse tão
bonito, tão sexy com seu terno caro. Não era de surpreender
que a maioria das mulheres do local o olhasse com os cantos dos olhos.
— Olá, Lua — Arthur olhou para ela,
notando como estava pálida e magra.
— Olá, Arthur.

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