domingo, 30 de agosto de 2015

Casamento por conveniência



Cap.38

Dias se passaram, mas Lua ainda não ligara para os advogados, ela sabia que era o que devia fazer e se repreendia por não o fazer. Mas de alguma forma, sempre que estava prestes a procurar o número deles na agenda, algo inexplicável a interrompia e ela não conseguia parar de pensar em Arthur, naquelas noites maravilhosas e inesque­cíveis que passara em seus braços.


Era um absurdo pensar naquilo quando sabia muito bem que não poderia continuar. Não conseguiria viver com ele sabendo que ele persistia fazendo as mesmas coisas em outra cama com outra mulher. Ela se arrepiou, com a mesma mistura de dor e raiva a acometendo. Por que, em nome dos céus, se deixara envolver tanto?


Lua sentou-se à escrivaninha e preencheu uns formulários para concorrer a vagas em várias universidades. Devia pensar em levar a vida adiante, em estudar, em vez de ficar fantasiando sobre um ho­mem que tinha provado ser desonesto e não valer a pena. Mas os prospectos das faculdades que antes pareciam tão empolgantes já não provocavam mais o mesmo entusiasmo. Além disso, nos últimos dias ela sentira-se muito cansada e sem disposição. Talvez devesse tomar algumas vitaminas ou algo do gênero para dar uma melhorada no metabolismo...


Mas na manhã seguinte, quando contava que com uma boa noite de sono certamente iria sentir-se melhor, aconteceu justamente o oposto. Mal se levantou da cama e teve que correr para o banheiro para vomitar.


A sensação de náusea passou e Lua inclinou-se para trás, olhan­do para seu rosto pálido no espelho. Estava horrível. Mas o que im­portava? Talvez tivesse sido picada por algum inseto na Argentina causador de alguma doença que ficara incubada por um tempo e ago­ra resolvera se manifestar. Como se o lugar já não a tivesse deixado doente o bastante... Além disso, a imagem da sofisticada e luxuriosa Luísa olhando possessivamente para Arthur ficava indo e voltando a todo momento. Não era à toa que estava passando mal, ela refletiu, voltando para o quarto e se atirando na cama.


Naquele momento, o telefone tocou. Ela quase deixou que aten­dessem lá embaixo, mas pensou melhor.


— Alô.


— Alô.


Diante da voz de Arthur, a pulsação de Lua acelerou. Como desejava poder controlar seus sentimentos!


— O que deseja? — ela indagou de forma um tanto rude.


— Só estou ligando para saber se há alguma chance de podermos almoçar amanhã. Tenho vários assuntos para conversar com você.


Ele parecia impessoal, quase frio, e de repente Lua sentiu-se de­primida. Lá no fundo, talvez ele estivesse contente em se livrar dela.


— Que assuntos? — ela perguntou.


— Documentos, alguns assuntos que envolvem as empresas Carvajal que acho que você deve saber. Especialmente se for dirigir as empresas pessoalmente — ele acrescentou.


— Eu... — Jamais passara pela cabeça dela que ele poderia se esquivar de suas obrigações, caso eles se divorciassem. Pensar nisso era desanimador. — Acho que podemos nos encontrar. Aonde você gostaria de ir?


— Pode ser no Harry`s Bar?


— Sim. A que horas? — Ele parecia formal e distante.


— As quinze para uma?


— Sim — ela repetiu.


— Certo, então nos vemos lá.


Ele desligou e Lua se jogou novamente nos travesseiros, pensan­do em por que se sentia tão chorosa. Fora ela, afinal, quem sugerira o divórcio, não fora? Então, qual a razão da lamentação? Estava co­lhendo o que plantou.


O Harry`s Bar estava lotado. Lua se dirigiu para a mesa de canto em que Arthur a esperava.


Ela queria que ele não fosse tão bonito, tão sexy com seu terno caro. Não era de surpreender que a maioria das mulheres do local o olhasse com os cantos dos olhos.


— Olá, Lua — Arthur olhou para ela, notando como estava pálida e magra.


— Olá, Arthur.



Continua...

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