Cap.33
Lua tomou um grande gole de champanhe. Ela vinha revirando o problema em sua cabeça há alguns dias. Mas abrir-se com a mãe de Arthur? Seria certo? Seria inteligente? Porém, ao olhar para os grandes e límpidos olhos cinzentos da elegante senhora à sua frente, ela notou que precisava confiar em alguém, antes que enlouquecesse.
— Não sei como falar para a senhora — ela começou. Eu pensava que tudo estava bem. Estava começando a acreditar que talvez toda a idéia do nosso casamento não fosse tão ruim assim e então... — Só de pensar em Arthur em Buenos Aires, olhando para o rosto de Lua ficou furiosa, pronta para chorar.
Apesar de sentir seu tormento, Dona Katia afagou sua mão.
— Lua, por que você não me conta o que aconteceu? Guardar para você mesma vai ser pior. Somos mulheres, temos que falar sobre as coisas que nos incomodam. Garanto a você que pode confiar em mim.
— Bem — Lua respirou fundo —, ele tem uma amante.
— Ah! Luísa, eu suponho. — Dona Katia balançou a cabeça negativamente. — Muito imprópria e inconveniente. Eu tinha a impressão de que tinham terminado tudo.
— Não parecia de onde eu estava sentada — disse Lua, choramingando.
— Sentada? Você quer dizer que a viu?
— Ah, sim — respondeu Lua. — Ou melhor, eu os vi.
— Sei. — A expressão de Dona Katia passou a ser de consternação. — Onde foi isso, Lua?
— No Santi`s. O Arthur deveria estar em Córdoba — ela deixou escapar. — Fui almoçar com Elisa, que me levou para fazer compras. Gosto do Santi`s, então fomos lá. Foi no fim da refeição, quando estávamos tomando café. Eu olhei para cima e lá estava ele, sorrindo para aquela mulher. Eu sabia quem ela era... eu os vi juntos na revista Hola!. Só pensei que... só imaginei que agora que estava casado... — A voz dela ficou embargada e ela tomou outro grande gole de champanhe para aliviar a dor, apesar de sentir-se ligeiramente melhor, depois de falar sobre o assunto.
— Sinto muito por você ter sido sujeitada a isso — respondeu Dona Katia , preocupada. — Sei, por experiência própria, que é muito difícil lidar com essas coisas. Henrique era um don-juan quando nos casamos e tivemos algumas brigas. Suponho que essa tenha sido a razão de você ter voltado correndo para Londres.
— O que mais eu poderia fazer? — respondeu Lua.
— Não estou criticando — respondeu a senhora, com um sorriso gentil. — Na realidade, acho que você fez a coisa certa. Não será nada mal para Arthur , se ele perceber o quanto foi tolo.
— Dona Katia, acho que é meu dever avisar a senhora, apesar de ter planejado falar com ele primeiro, que vou pedir o divórcio. — Lua levantou a cabeça e Dona Katia notou sua expressão de determinação.
Continua..?

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