terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Amante da fantasia - Cap. 29


As duas mulheres entraram na cozinha. Ao desviar o olhar do melão, ele se deparou com olhos castanhos tão grandes quanto escudos espartanos.


- Meu Deus! - Mel falou de modo ofegante. Lua cruzou os braços sobre o peito, com os olhos brilhando, em uma mescla de irritação e divertimento.


- Arthur, esta é Mel.


- Meu Deus! - ela repetiu. - Mel? Lua abanou a mão diante do rosto da amiga, mas ela nem piscou.


- Meu De...


- Você pode parar com isso? - Lua a repreendeu.


Mel derrubou as roupas que estava segurando e moveu-se pela cozinha, até conseguir avistar o corpo de Arthur por inteiro. Olhou fixamente para o topo de sua cabeça e percorreu o corpo até os pés descalços.


Ele mal suprimiu a fúria diante dessa atitude.


- Você gostaria de examinar meus dentes agora, ou prefere que eu tire as calças para sua inspeção? - ele indagou com mais maldade do que pretendera.


Afinal, tecnicamente, ela estava do seu lado. Se ela apenas fechasse a boca e parasse de fitá-lo daquela forma. Nunca fora capaz de aguentar uma atenção tão anormal. De modo hesitante, Mel estendeu a mão para tocá-lo no braço.


- Bu! - ele exclamou depressa, fazendo-a pular. Lua riu.


Mel franziu o cenho e encarou os dois.


- Muito bem, vocês dois! Já acabaram de zombar de mim?


- Você mereceu. - Lua pegou um pedaço do melão que ele acabara de fatiar e pôs na boca. - Sem mencionar que você vai ficar com ele hoje.


- O quê? - perguntaram Arthur e Mel, em uníssono. Ela engoliu o pedaço da fruta.


- Bem, eu não posso levá-lo para o trabalho comigo, posso? - Mel deu um sorriso malicioso.


- Aposto que Lisa e suas pacientes adorariam.


- Assim como o homem que eu tenho marcado para as oito. No entanto, não seria produtivo.


- Você não pode cancelar? - perguntou Mel.


Arthur concordava. Ele não tinha a mínima vontade de estar em um lugar público. A única parte da maldição que ele achava remotamente tolerável era o fato de que quase todas as mulheres que o evocavam o mantinham escondido em aposentos privados e jardins.


- Você sabe que não. - respondeu Lua.


- Eu não tenho um marido advogado que me sustenta. Além disso, não acho que Arthur queira ficar sozinho em casa o dia todo. Tenho certeza de que ele gostaria de sair e conhecer a cidade.


- Eu prefiro ficar aqui com você. - ele falou.


O que realmente desejava era vê-la estremecendo sob ele outra vez, sentir o corpo macio deslizando por sua ereção, enquanto ele a fazia gritar em êxtase.


Os olhos de Lua encontraram os dele, que viu o desejo chamejar nas profundezas do tom azul. Naquele instante, notou o que ela fazia.


Iria para o trabalho a fim de evitar estar com ele. Bem, mais cedo ou mais tarde, ela retornaria. E então seria sua.


Assim que ela se rendesse, ele lhe mostraria que tipo de resistência e paixão um soldado macedônio treinado em Esparta tinha a oferecer.

Continua...



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