#MaratonaParte10/10
– Bem-vinda – disse Arthur, abrindo a porta do seu quarto e
recuando para que eu entrasse. – Você é minha primeira visita.
– Grande coisa. Arthur
fechou a porta atrás de nós.
– Ora, essa é uma reação muito agradável. Digna de uma dama.
Fiquei boquiaberta.
– O que você fez com esse lugar? – Enquanto meus olhos se
acostumavam à luz fraca, fui notando mais e mais detalhes no cômodo. – Uau!
O quarto, que já fora
decorado com lixo de brechó, tinha sido reformado ao estilo do que presumi ser
um castelo romeno. Uma colcha de veludo vermelho-sangue decorava a cama, um
tapete persa elegantemente desgastado cobria parte do carpete bege remanescente
e as paredes tinham sido pintadas de um cinza-azulado fechado. Cor de pedra.
Meu olhar parou de repente num suporte na parede com o que pareciam ser armas
antigas. Coisas afiadas. Coisas pontudas.
– O que aconteceu com
a coleção internacional de bonecos indígenas da mamãe? – Eles foram
repatriados. Pela expressão irônica e satisfeita no rosto de Arthur, tive a
sensação de que o exílio dos bonecos era permanente. – Mamãe e papai vão matar
você quando virem isso.
– Impossível. – Ele riu. – Além do mais, é tudo superficial.
Pode ser revertido. Mas por que alguém preferiria badulaques vagabundos a
isso... – Ele fez um gesto indicando o quarto ao redor. – E você, Roberta?
Gosta do que fiz?
– É... interessante – respondi, evasiva. – Quando você
arrumou tempo para fazer isso e sem que ninguém percebesse?
– Pode-se dizer que sou uma pessoa de hábitos noturnos. À
medida que minha perplexidade foi se esvaindo, a raiva contra Arthur voltou à
superfície. – Por falar em suas atividades noturnas, não gostei do livro –
avisei. – Nem de como você o entregou. Arthur deu de ombros.
– Talvez, com o tempo, você o considere útil.
– Claro. Vou deixá-lo na minha estante, bem ao lado do Guia
para o idiota sobre como se tornar uma criatura que não existe. Arthur
gargalhou.
– Muito engraçado. Eu não sabia que você fazia piadas.
– Sou uma pessoa engraçada – me defendi. – E, a propósito,
eu não ronco.
– Ronca, sim. E
murmura também. Meu sangue congelou. O sonho... – O quê? O que você ouviu?
Continua...

Faz outra maratona por favor pois estou curiosa e tô amando a web
ResponderExcluirBjss da sua leitora n°1 bjssss
Oii, é muito bom ver que tem gente gostando... Bem vou fazer mais uma maratona só que não posso prometer pra amanhã... Bjsss
ExcluirOii, é muito bom ver que tem gente gostando... Bem vou fazer mais uma maratona só que não posso prometer pra amanhã... Bjsss
ExcluirFaz uma maratona GIGANTE pf..
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