sábado, 25 de março de 2017

A bela e A fera - Cap. 2




Que história triste, pensou ela, mas logo ergueu o queixo. Está agindo como se a casa fosse assombrada, ou amaldiçoada.


O sr. Pinkney não disse nada, olhando as pesadas portas duplas de madeira, como se fossem a entrada de uma caverna. Que bobagem, pensou Lua, erguendo a aldrava de bronze para bater na porta. Era a cabeça de um dragão. Bem, sr.Aguiar, se queria manter as pessoas longe daqui, tem feito um bom trabalho. Ela bateu e esperou.


Imediatamente ouviu-se uma voz, soando no interfone à direita da porta. Entre.


A voz era profunda, um tanto rouca, e sem querer, Lua estremeceu, invadida por um sentimento de apreensão. Entende o que eu disse? — perguntou Pinkney.


Bobagem — retrucou ela com firmeza, abrindo a porta e entrando. Um pequeno abajur, colocado sobre uma linda mesa de madeira entalhada, iluminava parcialmente o saguão. Ela colocou a bolsa e a valise de mão no chão e virou-se, vendo que o sr. Pinkney empurrava apressadamente as malas para dentro e se afastava para os degraus. Mas o gesto não o impediu de dar uma boa olhada na casa, pensou Lua. Ela procurou o interruptor e logo o local ficou completamente iluminado. O homem encolheu-se e recuou ainda mais. Me ligue, se precisar — repetiu, com o sotaque ainda mais acentuado.


A atitude dele, assim como a das pessoas que encontrara na cidade, mostrando-se chocadas ao vê-la chegar, e fazendo advertências, era terrivelmente injusta e infundada, já que falavam de um homem que nem conheciam. De repente, Lua sentiu-se fortemente motivada a proteger o sr. Aguiar. Não será preciso, obrigada — agradeceu, fechando a porta. Suspirando, Lua virou-se, e o coração dela deu um salto, ao perceber que as luzes se apagaram e uma sombra aparecia no topo da escada de madeira entalhada. Sr. Aguiar?


— Sim — a voz grave ressoou, chegando até ela.


— Olá. Sou...


— Lua Blanco , eu sei — interrompeu ele. — Quase 23 anos, solteira, cursou a universidade, criada em Charleston, ex-miss Carolina do Sul, miss condado de Jasper, miss Festival do Camarão.


Ela podia jurar que havia um tom de zombaria na voz dele.


— Será que esqueci alguma coisa?


Bem, então era ele o misterioso recluso, pensou, olhando para a sombra na escada.


— Esqueceu de dizer: ex- funcionária do Departamento de Estado, professora da escola da embaixada, e lingüista, fluente em italiano,português , frances, farsi e galês.


— Mas sabe cozinhar? — perguntou ele, num galês impecável.



Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71