Ben fitou-o com altivez. Lua sabia que ele não via nada em Arthur, além
de um homem muito bonito que, provavelmente, conhecia apenas comerciais de
cerveja e carros.
- Meu jovem, você alguma vez leu Homero? Você pelo menos sabe quem ele
é?
Lua suprimiu uma risada. Mal podia esperar pela resposta de Arthur.
Ele riu alto.
- Eu li muito Homero. As histórias atribuídas a ele são um amálgama de
lendas contadas e recontadas, até que os fatos verdadeiros se perdessem na
Antiguidade, enquanto Hesíodo escreveu a Teogonia com o auxílio direto de Clio.
- Dr. Lewis disse algo em grego antigo. - É mais do que apenas uma opinião,
doutor. - Arthur respondeu. - É fato.
Ben fitou-o de novo, mas Lua podia dizer que ele ainda não acreditava
que alguém com a aparência de Arthur pudesse entender algo a respeito de seu
campo de atuação.
- E como você saberia disso?
Arthur respondeu em grego.
Pela primeira vez desde que conhecera o homem, uma década atrás, Lua o
viu parecer assombrado.
- Meu Deus - ele murmurou -, você fala como se tivesse nascido para
isso.
Arthur deu um sorriso divertido para Lua.
- Eu lhe disse. - Mel falou. - Ele conhece os deuses e deusas gregos
melhor do que qualquer um na face da Terra.
Dr. Lewis reparou no anel na mão de Arthur.
- Isso é o que eu penso que é? - ele perguntou. - É um anel de general?
Arthur assentiu.
- É, sim.
- Você se importaria se eu o olhasse? - Arthur tirou-o do dedo e
entregou-o ao Dr. Lewis, que inspirou profundamente.
- Macedônio? Segundo século antes de Cristo, eu presumo.
- Muito bom.
- É uma reprodução impressionante.
Ben devolveu o anel. Arthur colocou-o de volta no dedo.
- Não é uma reprodução.
- Não! - Ben ofegou, descrente. - Não pode ser um original. Está em
excelente estado.
- Fazia parte de uma coleção particular - Mel interferiu.
Ben olhou de um para o outro.
- Como você o conseguiu? - perguntou a Arthur.
Arthur ficou em silêncio por instantes, lembrando-se do dia em que fora
recompensado com o objeto.
Ele e Kyrian da Trácia tinham sido promovidos juntos, após terem salvado
sozinhos Temópolis dos romanos. Fora uma luta longa, brutal e sangrenta.
O exército fugira, deixando-os para defender a cidade. Arthur tinha
esperado que Kyrian também o abandonasse, mas o jovem tolo apenas sorrira para
ele, agarrara uma espada em cada mão e dissera: "É um lindo dia para
morrer. O que me diz de matar o máximo desses bastardos que conseguirmos, antes
de pagarmos o Caronte?"
Um completo lunático, Kyrian sempre tivera mais coragem do que cérebro.
Mais tarde, eles tinham se embriagado em celebração. E, de manhã, ao
despertarem, haviam sido promovidos.
Pelos deuses! De todas as pessoas que conhecera na Macedônia, de quem
mais sentia falta era de Kyrian. Ele fora o único homem que, em batalha, se
preocupara em protegê-lo.
- Foi um presente. - Arthur respondeu, por fim.
Ben olhou para a mão de Arthur, com os olhos repletos de uma reverência
ávida.
- Você consideraria vendê-lo? Estou disposto a pagar bastante por ele.
- Nunca. - Arthur pensou nas feridas que lhe tinham sido infligidas
durante aquela batalha. - Você não tem ideia do que eu enfrentei para
consegui-lo.
Continua...

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